Passaporte para liberdade: Aracy de Carvalho e Guimarães Rosa contra o Nazismo
Marcelo Duarte
Em 1938, o escritor João Guimarães Rosa foi nomeado cônsul-adjunto em Hamburgo, na Alemanha Nazista. Lá, conheceu a paranaense Aracy Moebius de Carvalho. Divorciada, Aracy conseguira um cargo de chefia na sessão de vistos do Consulado por falar fluentemente francês, inglês e alemão.
Juntos, os dois ignoraram as determinações do Itamaraty, que dificultavam a entrada de judeus no Brasil, e concederam centenas de vistos para os refugiados do nazismo. Ajudada por um funcionário da polícia de Hamburgo, responsável por emitir passaportes para judeus sem o “J” vermelho que os identificava como tais, Aracy costumava misturar os vistos com a papelada despachada para o cônsul-geral, Jaquim de Souza Ribeiro, que os assinava sem ver. “Nunca tive medo, quem tinha medo era o Joãozinho. Ele dizia que eu exagerava, mas não se metia muito e me deixava ir fazendo”, declarou Aracy ao “Jornal do Brasil”, em 1983.
Em 1942, o Brasil de Getúlio Vargas rompeu relações diplomáticas com a Alemanha. O casal permaneceu 3 meses detido em um hotel em Baden-Baden. Durante a viagem de volta para o Brasil, casaram-se por procuração no México. Viveram juntos até a morte do escritor, em 19 de novembro de 1967.