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Atleta e cartola

 

Para não jogar dinheiro fora, o COB instituiu uma seleção rigorosa para o envio dos atletas a Helsinque, em 52. E, para entrar na viagem, não bastava ser bom: além disso, o comitê reservava-se o direito de não convocar atletas “com conduta desabonadora”.

Um dos esportes que tiveram seu comparecimento aos Jogos ameaçado foi o pólo aquático. Apesar de passados vinte anos, ainda estavam frescos na memória dos conselheiros do COB os acontecimentos dos Jogos de Los Angeles, quando os brasileiros do pólo deram uma surra num juiz húngaro, sendo eliminados da competição.

Quem interveio foi João Havelange, então presidente da Federação Metropolitana de Natação do Rio, e ele mesmo atleta da Seleção de pólo aquático. Veterano olímpico – ele já havia participado como nadador, em Berlim-36 -, o jogador-dirigente alegou que a fama dos jogadores de pólo aquático era justa, mas que se faria o possível para que nenhum aborrecimento voltasse a acontecer. Citou ainda outro argumento excepcional: disse que, assim, os argentinos ficariam muito à frente do Brasil neste esporte, pois iam ganhando experiência internacional. O pólo-aquático foi a Helsinque e Havelange pôde computar sua primeira grande vitória como cartola – o hábil estrategista, que chegaria à presidência da FIFA, ainda teria muitas outras.

 

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