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Presidente do Vasco lutou contra o racismo e lançou o primeiro veículo nacional

27 de maio de 2021
O português José Augusto Prestes, filho de uma família rica, foi estudar Engenharia Mecânica nos Estados Unidos. De volta ao lar, participou de um golpe que tentou implantar a República. Deu errado e o jeito foi se mandar para o Brasil. Com o calor do Rio de Janeiro, Prestes começou a pesquisar a respeito de frigoríficos e criou a primeira fábrica de gelo do Brasil – até então o gelo vinha de navio da Europa. Ele era assim mesmo: não sabia ver um problema sem pensar na solução. Construiu o Palácio do Governo do Amazonas; construiu e tocou, no Rio, o Cassino Theatro Beira Mar; construiu uma pequena siderúrgica para desenvolver seus projetos. Um deles foi uma fábrica de máquinas de beneficiamento de café. Também produzia peças de reposição para automóveis Envolveu-se em política e acabou sofrendo um atentado a bomba (por sorte, escapou ileso).
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Em 1923, o Vasco da Gama ganhou o Campeonato Carioca com uma campanha espetacular. Em 1924, os rivais formaram uma nova associação de futebol. Os times das elites comunicaram ao Vasco que, para participar da nova liga, o time deveria promover uma depuração no seu quadro de jogadores. Chegaram a fazer uma lista: o Vasco deveria dispensar, pelo menos, doze jogadores. Eram quase todos negros, mas todos muito pobres, operários. Quem era o presidente do Vasco? José Augusto Prestes. Ele mandou para o presidente da nova associação uma carta, dizendo que preferia sair da elite do futebol por achar injustas as exigências (ele era republicano de verdade!). Disputou e ganhou o campeonato da liga tradicional em 1924 – e a associação elitista deixou de existir no mesmo ano. O campeonato voltou ao normal em 1925. Nos sites vascaínos, a carta foi publicada com o nome de “Resposta Histórica”, como mostra o professor Warde Marx. Foi o começo do fim do racismo nos times brasileiros.

A cereja do bolo veio em 1929.  Prestes construiu, com peças inteiramente produzidas por ele, um pequeno caminhão inteiramente brasileiro. Batizado de Bandeirante, que não é o da Toyota, o veículo foi apresentado à imprensa em janeiro de 1929 e, dias depois, embarcou para uma exposição internacional na Espanha. Como o Bandeirante não voltou, deve ter sido o primeiro caso de exportação de um veículo automotor brasileiro.

José Augusto Pestes morreu em 1952. Em Portugal, ele foi condecorado com a Ordem Militar de Cristo, no grau de Grande Oficial, homenagem que só é prestada a pessoas com importantíssimos serviços prestados.

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