
A história da chegada do futebol ao Brasil é conhecida e consagrada, mas ainda há quem a conteste. O Colégio São Luís, por exemplo, reivindica a si o pioneirismo no esporte bretão. Em 2014, foi lançado o livro “Pontapé inicial para o futebol no Brasil”, da Editora A9, escrito por Paulo Cezar Alves Goulart. O livro defende a tese de que, entre os anos de 1880 e 1895, jesuítas e alunos do Colégio São Luís, então em Itu (SP), já jogavam um esporte que seria o precursor do futebol brasileiro.
Segundo a pesquisa da obra, padres jesuítas teriam ido à Europa em busca de atualizações pedagógicas e voltaram com duas bolas de capotão na bagagem. A partir de 1880, novas modalidades esportivas foram sendo adicionadas à grade de educação física da escola. Entre as novidades, estava um jogo praticado com a tal bola inglesa trazida pelos padres. As regras, descritas no manual do colégio, eram bastante simples: os jogadores deveriam chutar a bola em direção ao muro do pátio do recreio. A atividade acabou ganhando o nome de “bate-bolão”. Em 1887, adicionaram-se marcações ao campo – que passaram a delimitar o gol – e os jogadores foram divididos em duas equipes.
Quando assumiu o cargo de reitor, em maio de 1893, o padre Luís Yabar introduziu as regras definitivas para o futebol praticado no Colégio São Luís, baseado em suas observações durante visitas a escolas europeias. Em 1894, um ano antes de Charles Miller realizar aquela que é considerada a primeira partida de futebol do país, a demarcação do campo do Colégio São Luís foi ajustada para um valor próximo ao padrão inglês. Na mesma época, a marcação do gol na parede foi substituída por traves de madeira. Ao aluno de maior destaque no jogo seria dado o título de “campeão do futebol”, conquistado pela primeira vez por Arthur Ravache, em 1895. Essa história foi contada também no livro “Visão do Jogo – Primórdios do Futebol no Brasil“, do historiador José Moraes dos Santos Neto, lançado em 2002, pela editora Cosac & Naify.
Para John Mills, biógrafo de Charles Miller em “Charles Miller – o pai do futebol brasileiro“, da Editora Panda Books, há uma clara diferença entre o jogo praticado no Colégio São Luís e o trazido para o Brasil pelo descendente de ingleses. “Os jesuítas praticavam uma brincadeira de recreio sem regras definidas”, explica. Mills reafirma ser Miller o introdutor do futebol no Brasil: “Charles Miller não foi o primeiro a trazer a bola, mas foi quem trouxe as regras do jogo que hoje conhecemos como futebol”. O biógrafo conta que a história é ratificada pelo livro “História do Futebol no Brasil”, escrito por Tomás Mazzoni, icônico jornalista esportivo de “A Gazeta Esportiva”, e publicado em 1950.
