- Tudo começou com um calhambeque, um velho Ford T 1929, equipado com dois alto-falantes. Seus donos eram Osmar Macedo e Adolfo do Nascimento. Uma semana antes do Carnaval de 1950, Dodô (apelido de Adolfo) e Osmar saíram pelas ruas de Salvador tocando os frevos de Pernambuco no último volume. A galera da rua aprovou e foi dançando atrás. Nascia o primeiro trio elétrico.

- No ano seguinte, o calhambeque foi substituído por uma caminhonete e, em 1952, uma fábrica de refrigerantes ofereceu-lhes um caminhão.
- Nas décadas seguintes, outros trios foram surgindo, e hoje dispõem de instrumentos modernos e caminhões de alta potência, que tocam do reggae à música clássica e animam muitos outros eventos, além do Carnaval.
- Os trios elétricos “democratizaram” o carnaval da Bahia, inaugurando o “carnaval participante”, em que as camadas populares festejam junto aos mais abastados. Mais tarde, porém, com o profissionalismo dos trios, a separação entre os mais pobres e os mais bem posicionados voltou a acontecer.
- “Abadá”, palavra de origem orubá que significa “vestido largo para homens” ou “espécie de camisão folgado”, passou a designar o uniforme oficial – e caro – dos componentes dos trios elétricos. Ele permite que o folião possa pular dentro das cordas do bloco que segue o trio.
- “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu.” Mas cuidado com os ouvidos! A intensidade sonora dos trios elétricos chega a uma média de 108 decibéis. O som altíssimo dos trios pode ser escutado a 1 quilômetro. Só não prejudica a audição se for ouvido por, no máximo, de 15 a 20 minutos.
- A prefeitura de Salvador limitou o nível de ruído a 115 decibéis, embora os trios tenham potência para atingir 150. Se ele fosse usado no volume máximo, arrebentaria os tímpanos e os vidros num raio de 100 metros.
- Uma das atrações do Carnaval de Porto Seguro é o jegue elétrico, criado pelo mineiro Reginálvaro Oliveira da Vitória. O jegue Kojak, todo fantasiado, puxa 400 quilos de aparelhagem de som.
- O cantor e percussionista baiano Carlinhos Brown foi acusado de ter violado o artigo 233 do Código Penal (ato obsceno em público). Segundo a polícia, ele ficou pelado em cima do trio elétrico da Timbalada na madrugada do dia 25 de fevereiro de 1998, em Salvador. A pena de 3 meses a 1 ano de prisão foi convertida em uma multa de 1.950 reais em cestas básicas para orfanatos.
- Uma hora pulando atrás de um trio elétrico consome cerca de 600 calorias.
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