Quem inventou essa história de fotografar os presos de frente e de perfil? Essa prática surgiu no fim do século dezenove, quando a polícia buscava formas mais confiáveis de identificar reincidentes. Embora já existissem desde a década de 1840, retratos de criminosos eram registros esparsos e sem padrão.
A mudança decisiva veio com o criminologista francês Alphonse Bertillon, funcionário da chefatura de polícia de Paris, que sistematizou o processo no início dos anos 1880. Ele criou o “bertillonage”, um método que combinava medições de estatura e de outras partes do corpo, com anotações de sinais particulares e fotografias tiradas sempre da mesma forma. Para isso, Bertillon padronizou luz, distância, postura e, sobretudo, instituiu o par obrigatório de poses: uma frontal e outra de perfil.
Esses registros passaram a compor fichas de identificação centralizadas no Escritório de Identificação, criado em 1883, que foi um dos primeiros passos para a criação da moderna Polícia Técnica. A inovação se mostrou eficaz rapidamente. Na década de 1890, serviços policiais da Europa e dos Estados Unidos já haviam adotado o modelo.
Os americanos chamam esse tipo de foto de “mug shot”.