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O caso Casimiro de Abreu: uma cidade à espera do óvni de Júpiter

A melhor parte dos almoços mensais da Academia Paulista de Jornalismo são as lembranças que ouço dos colegas de uma, duas ou até três gerações anteriores à minha. Algumas vezes são de coberturas de grandes acontecimentos, outras, apenas de casos bem curiosos. Como o que ocorreu no dia 8 de março de 1980, em Casimiro de Abreu. A cidade, a 135 km do Rio de Janeiro, foi transformada em centro das atenções jornalísticas e populares por um episódio que entrou para a história da ufologia brasileira: a expectativa pela chegada de um óvni com horário e local marcados, a partir de declarações de Edílcio Barbosa (em algumas fontes, o nome dele aparece como Edílson), conhecido na época como o suposto “mensageiro dos visitantes de Júpiter”.

Barbosa havia divulgado que os extraterrestres pousariam na madrugada daquele sábado, por volta das 5h20, na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, a 10 km do centro da cidade. A notícia se espalhou rapidamente, mobilizando moradores de Casimiro de Abreu e curiosos de várias regiões do Brasil.

Repórteres de veículos brasileiros e estrangeiros deslocaram-se ao município para acompanhar de perto o evento. “Folha de S. Paulo” e “Jornal Nacional” fizeram reportagens sobre a expectativa do pouso. Um jornal local publicou até um guia de boas maneiras, com 14 conselhos, para receber os alienígenas. O prefeito Célio Sarzedas montou um cerimonial de boas vindas, com entrega da chave da cidade, desfile em carro aberto, café da manhã (a grande preocupação era saber o que os jupiterianos comiam), entrevista coletiva, entrega de presentes (entre eles a “Enciclopédia Barsa”) e um baile à noite.

A cidade de 22 mil habitantes recebeu caravanas de todo o país. Alguns jornais da época falam em 10 mil visitantes, outros 30 mil. Dizem que até pesquisadores da NASA e de renomadas universidades estiveram em Casimiro de Abreu.

No horário marcado, Edílcio deixou a cidade e mandou dizer que os extraterrestres haviam desistido de pousar em Casimiro de Abreu. Afirmou que a grande quantidade de pessoas no local teria desencorajado o pouso. Frustrada, a multidão começou a vaiar os organizadores do evento. Edílcio faleceu poucos meses depois. A história é contada também no documentário “Efeito Casimiro”, de Clarice Saliby, que encontrei no YouTube.

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