Em 1883, o escritor escocês Robert Louis Stevenson (1850–1894) publicou “A ilha do tesouro”, um dos romances de aventura mais famosos da literatura. Long John Silver, um pirata de uma perna só, tinha um papagaio de estimação chamado Capitão Flint, em homenagem a um temido comandante pirata. A ave costumava ficar no ombro de Silver e repetia insistentemente a expressão “Peças de oito! Peças de oito!”, referência a antigas moedas espanholas de prata.
Stevenson ajudou a popularizar a imagem do pirata com um papagaio no ombro, reproduzida posteriormente em ilustrações, filmes e desenhos animados. Mas essa associação não nasceu inteiramente da imaginação do escritor. Nos séculos XVII e XVIII, navegadores europeus realmente transportavam papagaios encontrados nas regiões tropicais da América. As aves eram consideradas exóticas, aprendiam a imitar a voz humana e podiam ser vendidas por bons preços nos portos europeus. Além disso, consumiam relativamente pouca comida e eram companheiras dos marinheiros durante as longas viagens.
Com o tempo, a imagem criada pela literatura ganhou outro significado. No Brasil, a expressão “papagaio de pirata” passou a designar aquela pessoa que vive grudada em alguém, especialmente uma celebridade, para aparecer nas fotografias ou diante das câmeras de televisão. A comparação é simples: assim como o papagaio de Long John Silver, ela está sempre no ombro — ou pelo menos bem pertinho — de alguém mais famoso.
O deputado federal Wilmar Palis é apontado como um dos primeiros personagens a receber o apelido no Brasil. Em 1984, durante a campanha de Tancredo Neves à Presidência da República, ele aparecia estrategicamente atrás do candidato, procurando ficar no enquadramento das câmeras. Sua presença constante acabou chamando a atenção.