
Desde o início de sua carreira, Canutt trabalhou com estrelas do faroeste, como John Wayne e Gene Autry. Foi Wayne, com quem cultivou uma amizade duradoura, que ajudou o dublê a aperfeiçoar as técnicas de luta em frente às câmeras. Em “No Tempo das Diligências” (1939), de John Ford, Canutt se consagrou. No filme, ele faz o papel dos dois lados da briga: primeiro aparece como um índio apache, realizando um salto lateral de um cavalo para outro; e, em seguida, é ele mesmo que está na pele de Ringo Kid, que, depois de atirar no índio, sai pulando por cima dos animais até chegar ao cavalo da ponta. Sua marca registrada – cena em que, se valendo até de cambalhotas, passa ileso por baixo de veículos em movimento – apareceu primeiro em “A Legião de Zorro” (1939).
A partir da década de 40, Yakima Canutt foi aos poucos saindo de cena, passando a se dedicar à direção das cenas de ação hollywoodianas. Mais tarde, em 1959, foi ele que comandou a icônica corrida de carruagens de “Ben-Hur”:
Apesar de ter atuado em filmes premiados, o reconhecimento de Yakima Canutt veio tarde. O primeiro dublê da história do cinema ganhou um único Oscar, em 1966, por ter criado a profissão que salva a pele de muitos atores. Até hoje, é o único dublê que recebeu o prêmio. Yakima faleceu em 1986, aos 90 anos, de causas naturais. Ele deixou um livro de memórias, escrito dez anos antes. O livro tem o prefácio de Charlton Heston e o posfácio, de John Wayne.
