Auguste e Louis Lumière foram os dois primeiros filhos de um casal humilde: Antoine, pintor de letreiros, e Jeanne-Joséphine, lavadeira. Logo após o casamento, em 1859, os dois perambularam por Lyon, Paris e Besançon, onde Antoine resolveu mudar de profissão. Segundo ele, a pintura não tinha futuro. Melhor seguir a moda e tentar o ramo de fotografia. Após alguns meses de aprendizado num estúdio fotográfico, Antoine montou seu próprio negócio. Auguste e Louis trilharam os passos do pai e se interessaram por fotografia.
A partir de 1891, o americano Thomas Edison apresentou ao público o kinetoscópio, no qual um filme de cerca de 15 metros permitia a um único espectador observar uma cena do tamanho de um cartão de visitas. Três anos depois, fabricava a máquina em série, convencido de que seu invento estava destinado à diversão individual.
Sem perda de tempo, Auguste passou a estudar um meio de captar imagens, revelá-las e projetá-las num movimento semelhante ao da vida real. “Passei três meses pesquisando sem chegar a um resultado satisfatório”, contou Auguste tempos depois. “Foi quando meu irmão, que tinha assistido às minhas experiências, pegou uma gripe que o deixou de cama por vários dias. Uma manhã, quando fui vê-lo, Louis me anunciou que, durante a sua insônia, teria achado a solução para o problema.”
A grande questão era como dar a ilusão de movimento à fita de imagens fotográficas, sem deixar que o espectador percebesse o desenrolar da fita.
“Devemos recorrer a um dispositivo que ataque a película em repouso, que a acelere e a retarde até sua imobilidade, quando projetaremos a imagem. Temos de repetir este ciclo 15 vezes por segundo”, ordenou Louis. Para conseguir o movimento desejado, os irmãos recorreram a um engenho inspirado na máquina de costura, incrementado com um sistema de dentes que se encaixavam nas perfurações da película. Após filmar algumas tiras experimentais, Auguste e Louis organizaram uma projeção familiar.
A primeira cena em movimento apresentada ao público foi, sem dúvida, “A saída da fábrica”. Num dia de sol inesperado, em 19 de março de 1895, Louis acionou a manivela. Oitocentas imagens em 50 segundos, que foram projetada, três dias depois, numa conferência em Paris. A surpresa foi geral. Em seguida, os irmãos produziram “O Jardineiro”, “Chegada de um trem à estação de la Ciotat” e várias outras cenas que seriam apresentadas do Boulevard des Capucines. O sucesso foi imediato. Os irmãos Lumière passaram a ser fabricantes de aparelhos, de películas, produtores e distribuidores de seus próprios filmes.
A primeira sala de cinema no Brasil foi inaugurada no Rio de Janeiro, em 1897, por Paschoal Segretto.
O francês Léon Gaumont é o pai do filme sonoro. Em 1900, ele criou um sistema em que o projetor do filme e o gramofone andavam na mesma velocidade. Depois de 27 anos, outro sistema – o Vitaphone – liquidou de vez o cinema mudo. O último filme sem som foi produzido em 1930.
