Luiza Rabello estava a 7 122 quilômetros de casa quando um turbilhão sacudiu sua vida. Era 11 de janeiro de 2012 e um dos últimos dias da jovem de 17 anos no Canadá. Intercambista, ela planejava permanecer em Barrie, uma pequena cidade canadense a 40 minutos de Toronto, somente até o final de janeiro – quando a viagem completaria seis meses. Mas ela recebeu uma ligação do pai, dizendo que deveria voltar imediatamente. Enquanto Luiza sofria com o frio canadense, o pai Gerardo Rabello, um jornalista regionalmente conhecido, estrelava o comercial de um novo empreendimento imobiliário de luxo na Paraíba, a terra natal da família, ao lado da mulher, Patrícia, e dos filhos Gerardo Filho e Beatriz. Na propaganda, Gerardo dizia que a família estava incompleta. Além dos porta-retratos, ele deixou a ausência clara com a sentença: “Menos Luiza, que está no Canadá”. A frase tornou-se um fenômeno da internet e caiu no gosto do povo – o complemento da maioria das frases havia se tornado “menos Luiza, que está no Canadá”. A jovem paraibana adiantou a volta ao Brasil para aproveitar os momentos de fama. “A ‘Luiza do Canadá’ me engrandeceu como pessoa, tive a oportunidade de conhecer pessoas e lugares que nunca imaginei”, diz Luiza. “Por outro lado, eu odiava fazer propagandas e aparecer na televisão. Foram momentos bens difíceis, nunca gostei de ter virado famosa”.
“A Luiza do Canadá era um personagem totalmente diferente de mim”, diz a morena, hoje com 20 anos. “Ela era boazinha, educada, aceitava quase tudo; já a Rabello é meio chatinha, só faz o que quer e é bem decidida.” Antes da fama, Luiza conta que julgava quem estava na mídia e não tinha nada para oferecer, por isso decidiu não seguir a carreira artística. “Um ator de novelas fez curso para estar lá, eu só tinha ido para o Canadá”, explica. Para Luiza, o principal beneficiado com o repentino sucesso foi, na verdade, o pai. “Ele vinha sendo detonado por muitas pessoas na Paraíba, mas conseguiu reverter a situação pela fama que a Luiza conquistou”.
Todas solicitações para propagandas e aparições na televisão passavam pelas mãos de Gerardo. Apesar da leve pressão feita pelo pai para Luiza aceitar os convites, ela recusou os “indecentes”, como julga. “Não quis fazer fotos íntimas para o site Paparazzo”, conta. “O Boninho me chamou para uma participação especial no ‘Big Brother Brasil’, mas não aceitei”. O dinheiro arrecadado por Luiza nas propagandas de Magazine Luiza, Linhas Aéreas Gol e Salão do Estudante foi administrado pelo pai, que repassava o dinheiro quando a jovem pedia – ela jura não saber quanto ganhou. “Comprei um Palio vermelho, coloquei silicone e fiz algumas coisinhas mais”, revela.
Apesar de ter concluído o segundo ano do ensino médio em Barrie, não conseguiu retirar os documentos necessários para comprovação do estudo. “Quando cheguei e fui me matricular na escola, o MEC [Ministério da Educação] não aceitou, então perdi todo meu segundo ano”, revela. Na volta, Luiza faltou muito nos primeiros meses de aula, pois vivia em São Paulo por causa de eventos publicitários. Abandonou o colegial. “Cursei o supletivo para entrar logo na faculdade”, diz. Fez o segundo e o terceiro ano em seis meses.
No começo de 2013, iniciou os estudos em Arquitetura, só que não gostou e trocou de curso. A nova opção foi Odontologia na faculdade privada Unipê, onde foi segunda colocada no vestibular de julho de 2013. “Está no sangue: meu avô e minha mãe são dentistas”, conta. Nos primeiros dias de aula, as pessoas passaram a se perguntar sobre o paradeiro da “Luiza do Canadá”. Lisle, que depois se tornaria uma das melhores amigas de Luiza, virou para ela e disse: “Nossa, você parece com a menina do Canadá”. Acertou em cheio. Hoje, Luiza ainda dá autógrafos e tira fotos nas ruas de João Pessoa, mas bem menos do que há três anos.
Sobre a parte boa da fama, Luiza passou 40 dias na Europa, junto a seu irmão, Gerardo Filho, com tudo pago por uma agência de intercâmbio em troca da exploração de sua imagem. A jovem, que adora viajar, diz sentir falta do “frio canadense”, mas não voltou mais ao país. O próximo destino da família Rabello já está marcado: Paris, em comemoração aos 25 anos de casados dos pais. Apesar de ter construído a fama por causa da propaganda do edifício Boulevard Saint-Germain, ela diz que nunca pisou no local. “Fiquei sabendo que a praça principal do prédio ganhou o nome de “Praça da Luiza”, ri. “Eles não conseguem me esquecer”.
(com reportagem de Lucas Strabko)
