Histórias e curiosidades da invenção do biquíni

6 de julho de 2020

No dia 1º de julho de 1946, os Estados Unidos inauguraram os testes nucleares em tempo de paz ao lançar uma bomba atômica sobre o atol de Bikini, no Pacífico. Atol é o nome que recebe uma ilha em formato circular com uma lagoa no meio. Os preparativos e a explosão do engenho, semelhante às que arrasaram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ao fim da Segunda Guerra Mundial, despertaram grande interesse em toda parte. Por esse motivo, o estilista francês Louis Réard (1897-1984) aproveitou o nome do atol para batizar sua mais recente e explosiva criação: um escassíssimo maiô de duas peças. Ele administrava a loja de lingerie da mãe e anunciou a novidade como “o menor maiô do mundo”. Tão ousado que as modelos profissionais se recusaram a vesti-lo para sua apresentação no dia 5 de julho. Réard teve que recorrer à Micheline Bernardini, strip-teaser do Cassino de Paris, que receberia perto de 50 mil cartas de fãs depois da exibição. A data, 5 de julho, acabaria se tornando o Dia Mundial do Biquíni.

No século V a.C., as romanas usavam trajes de duas peças, feitos de linho ou de lã, para praticar esportes. Mas a origem da roupa de banho como peça do vestuário é de meados do século XIX. Antes disso, quem desse um mergulho usava uma roupa de baixo ou simplesmente ficava nu.

Em 1956, a atriz parisiense Brigitte Bardot ajudou a escrever a história do biquíni com o modelo que usou no filme “E Deus criou a mulher”.

Leia também: A invenção de 15 peças de roupa

Quem ajudou a quebrar com o preconceito contra os biquínis nos Estados Unidos foi o cantor Brian Hyland. Em 1960, ele lançou a música “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini”, escrita pelos conterrâneos Paul Vance e Lee Pockriss. O sucesso foi estrondoso: um mês depois do lançamento, a canção já era a primeira na lista do Top 100 da Billboard. A música chegou ao Brasil um ano depois, em 1961, na versão original, em inglês, com o cantor Ronnie Cord. A versão para o português, batizada de “Biquini de Bolinha Amarelinha” só seria escrita em 1964 pelo maestro Hervé Cordovil e cantada pelo mesmo Ronnie Cord. Em solo nacional, vários artistas gravaram a canção, mas a mais famosa interpretação foi de Celly Campello.


Em seu curto mandato como presidente do Brasil (31/01/1961 a 25/08/1961) Jânio Quadros proibiu o uso de maiôs em concursos de beleza e o uso de biquíni nas praias.
O escandaloso monoquini foi inventado pelo estilista austríaco Rudi Gernreich (1922-1985).

Leia também: O biquíni da Bond Girl que escandalizou o Vaticano
A atriz Leila Diniz foi fotografada de biquíni em 1971 por Joel Maia na Ilha de Paquetá. Detalhe: ela exibia o barrigão de oito meses de gravidez. Até então, grávidas não costumavam ir à praia e, quando o faziam, escondiam a barriga. Leila quebrou esse tabu.
Dois outros modelos de  ficaram bastante famosos no Brasil: a tanga nos anos 1970 e o fio dental nos anos 1980.
O burkini é uma mistura de burca e biquíni, que cobre todo o corpo, para mulheres muçulmanas. Foi criado em 2004 pela estilista libanesa Aheda Zanetti, que mudou-se para a Austrália quando tinha 2 anos de idade.

O primeiro museu dedicado ao biquíni abriu as portas em 4 de julho de 2020. O Bikini Art Museum (BAM) fica em Bad Rappenau, no sul da Alemanha (312 km de Munique). O acervo conta com 1.200 peças de 1870 até os dias de hoje. As mais raras fazem parte da coleção de Louis Réard, criador dos biquínis. Existem apenas dezesseis peças originais no mundo e doze delas pertencem ao BAM. Dos dezesseis curadores, seis são brasileiros – Cidinho Pereira, Magda Cotrofe, Helô Pinheiro, Janara Morenna, Priscila Lago e Rose da Silva.


A jornalista Lilian Pacce lançou em 2016 um livro com a história do biquíni: “O Biquíni Made in Brazil”. Lilian atribui a criação do “biquini cortininha” à modelo Rose di Primo. Aos 17 anos, Rose inventou a peça na confecção da mãe, uma costureira bastante requisitada.

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