Pelé 80 anos. Minha primeira (e única) entrevista com o rei

19 de outubro de 2020

Era a minha primeira vez com Pelé. Mesmo tendo trabalhado oito anos na revista Placar e até então outros quatro na ESPN-Brasil, nunca havia aparecido uma oportunidade de entrevistar o Rei do Futebol com exclusividade. Tinha participado apenas de duas coletivas. Carregava isso como uma mácula no meu currículo. Por isso, o convite para realizar uma entrevista para a revista Homem Vogue, no verão de 2006, surgiu como a chance da redenção. Mas, ao mesmo tempo, como um desafio. O que faltava ainda perguntar a Pelé? Nos dias que antecederam a entrevista, li o excelente “Pelé, a Autobiografia”, de Alex Bellos e Orlando Duarte (Editora Sextante), e revi o DVD “Pelé Eterno”. Parecia que tudo já havia sido contado. Parecia…

Marcar uma entrevista com Pelé não é coisa simples. Depois de muita negociação, ela foi agendada para o dia 30 de outubro, no estúdio do fotógrafo Maurício Nahas, na zona Sul de São Paulo. Também era a primeira vez de Maurício com Pelé. Enquanto o entrevistado não chegava, fiquei conversando com José Alves de Araújo, diretor da marca Pelé.  Ele me contou do lançamento mundial da marca Pelé, que incluiria roupas, canetas, bicicletas, carros luxuosos, lojas de material esportivo e até hotéis seis estrelas temáticos (os primeiros devem ser em Dubai, Las Vegas e Floresta Amazônica). Havia até negociações para um filme da Paramount sobre a vida de Pelé, com Will Smith no papel principal.

Pelé entrou no estúdio com meia hora de atraso. Todo o luxo descrito por Araújo não combinava com o jeito simples do ex-camisa 10. Vestia uma calça azul turquesa, tênis 42 preto e uma camisa de manga longa com a marca de seu patrocinador, a Puma, em lilás, bem grande no peito. Pelé chegou acompanhado de seu assessor e braço direito José Fornos Rodrigues, o “Pepito”.  As roupas que usaria no ensaio fotográfico foram trazidas por Fernando Rodrigues Neto, que é o designer de toda a coleção com a marca Pelé. Dentro do camarim improvisado, de cueca e meia, Pelé pediu para começarmos a entrevista – que seria feita nos intervalos das fotografias.  Já que a minha ideia era surpreender o Rei, saquei da pasta um exemplar do livro “Eu sou Pelé”, a primeira autobiografia dele, escrita em 1961, pelo agora novelista Benedito Ruy Barbosa.  Um a zero para mim quando comecei lendo alguns trechos do capítulo final, em que Pelé fazia previsões sobre o seu futuro:

O “Pelé” vai morrer solteiro. Quando eu for apenas Edson Arantes do Nascimento, quando já não falarem tanto de mim, como jogador de futebol, aí, então procurarei uma companheira que possa me dar os filhos que tanto desejo. Por enquanto, porém, não penso em casamento. Nunca poderei saber se “elas” gostam de mim, como o homem que sou, ou se querem apenas o “Pelé”. Como Pelé não será eterno, corro o risco de não encontrar uma esposa também nesta altura da vida.
Pretendo jogar, como profissional, apenas até o ano de 1965. Depois, se Deus quiser, serei apenas um amador, que jogará por puro prazer, quando e onde lhe convier. (…) Serei capaz, até, de voltar a participar de peladas de rua, quando voltar a Bauru, sem dar a mínima importância aos comentários que possam fazer. Vou viver, enfim!

Em homenagem aos 80 anos do Rei, que serão comemorados nesta sexta-feira, 23 de outubro, reproduzo a entrevista que ocupou dez páginas da revista. Parabéns, Pelé!

Lendo tudo isso agora, Pelé, dá para dizer que tudo o que você planejou para a sua vida deu errado?
Essa previsão de jogar até1965 era baseada no tempo em que meu pai jogou. Ele jogou durante dez, doze anos e aí se machucou. Teve um problema sério no joelho, uma fratura de menisco. Por isso, eu não podia imaginar que iria disputar quatro Copas do Mundo. Acontece que, na Copa de 62, o Brasil foi bicampeão e eu me machuquei. Veio a de 66 e eu falei que seria a última, mas eu me machuquei de novo. Aí pensei: “Caramba, eu vou me despedir sem jogar mais uma Copa?”. Em 70, eu estava com boas condições físicas. Na Copa seguinte, em 74, também estava bem. Fui o artilheiro do Campeonato Paulista. Até me chamaram para jogar a Copa da Alemanha. Só que eu decidi parar. Mas jogar tanto tempo foi realmente uma coisa inesperada.

Mas, no livro, você falou também de planos pessoais. Por que esses também deram errado?
Quando falei em parar e ficar com as crianças, eu não tinha na mente a idéia de me separar. Eu terminei o primeiro casamento com três filhos, a Kelly, o Edinho e a Jeniffer [o casamento com Rosemeri Cholbi durou 12 anos, de 1966 a 1978, depois de sete anos de namoro]. Também não pensava em me casar de novo [com Assíria Seixas Lemos, em 1994] e ter os gêmeos. Essas coisas que Deus foi colocando no meu caminho me impediram de fazer outras coisas que eu desejava fazer. Mas acho que tudo foi uma dádiva porque agora eu tenho os gêmeos, o Joshua e a Celeste, que completaram 10 anos. Criei também a Gemima, filha da Assíria, que está hoje com 15 anos. Deus não tinha me avisado que iria acontecer. Além dos meus casamentos, apareceram duas filhas, a Flávia [Flávia Christina Kuntz, filha da jornalista gaúcha Lenita Kuntz, que viveu um romance com Pelé em 1968] e a Sandra [Sandra Regina Machado, filha da empregada doméstica Anísia Machado, que passou uma noite com Pelé em 1964], que acaba de falecer. Coisas que eu nem sabia. As filhas apareceram já adultas, com 26, 27 anos e são coisas que só Deus pode explicar.

 Teve alguma coisa que a fama não lhe deu?
Olha, a gente precisa separar a fama das coisas materiais. Sou conhecido no mundo todo. Por isso, o público pensa que sou milionário, bilionário. Na realidade, não sou. Tudo o que eu tenho ganhei do futebol. Dá para cuidar da minha família – acho que até a próxima geração. Mas não sou milionário. Então, é uma contradição achar que a fama me deu tudo. Eu ganhei muito mais dinheiro fora do futebol do que jogando futebol. Só que a fama também tira a  privacidade. Não consigo sair com as crianças, ir a um cinema com elas.

Quanto dinheiro você tem agora aí no bolso?
Dinheiro? É difícil andar com dinheiro no bolso porque eu não tenho muito… (risos). Eu ando com cartão de crédito, com cheque, mas eu ando com pouco dinheiro. Como eu tinha esse compromisso no estúdio, para fotografar, eu nem trouxe a carteira. Dificilmente eu ando com dinheiro no bolso.

No primeiro semestre desse ano, você visitou os 32 países que disputaram a Copa. Quem faz as suas malas?
Geralmente, quando saio de São Paulo, é a Assíria. Eu digo para ela: “Eu tenho uma viagem curta. Põe aí duas calças, um terno, duas gravatas e uma camisa branca”. Quando eu saio de Santos, eu mesmo faço a mala e me mando.

E documento? Já esqueceu alguma vez e teve que explicar quem era você?
Esquecer, nunca esqueci. Mas já passei por situações engraçadas. Estava indo do Japão para Nova York.  Na hora de uma escala, no Havaí, algumas crianças se aproximaram para pedir autógrafo. Eu precisava de algo duro para apoiar o papel e fiz isso em cima do meu passaporte. Entreguei o papel e a caneta, e o meu passaporte foi embora junto. Nos Estados Unidos, dificilmente eles deixam entrar sem o passaporte. Foram chamar o chefe de polícia e eu expliquei o que tinha acontecido. O policial disse: “Quer saber de uma coisa?  O meu filho adora soccer e você vai entrar. Vou te dar uma autorização e, assim que puder, você me manda o passaporte”. Então, eu entrei. Isso aconteceu duas vezes nos Estados Unidos. O Pelé tem uma credibilidade muito grande pelo mundo.

Você anda sempre com sua carteira de identidade?
Sempre. E com a minha carteira de motorista também. Dirijo pouco, mas de vez em quando eu pego o carro e vou para Santos. Procuro andar sempre na lei. Eu não dou chance para que aconteça nada fora da lei. Todos os meus documentos, até o título de eleitor, estão numa carteira dentro da minha bolsa. O dia em que eu perder eu perco tudo.

Qual foi a última vez que você foi ao supermercado?
Semana passada, eu estava em Nova York. Passei lá para ver a minha filha Kelly e para conhecer meu netinho mais novo, que está com 1 ano agora [Pelé tem sete netos: dois de Edinho, dois de Sandra e três de Kelly. O primeiro, o mais velho de Kelly chama-se Malcolm Edson].  Fomos comprar uma carne que eu gosto muito e que é difícil de encontrar aqui. Chama-se “ribs”, uma carne bem macia. Comprei também endívias, uma mistura de repolho com alface. Uma ou outra pessoa vinha pedir autógrafo, mas muito discretamente. Seria bom se eu pudesse fazer isso no Brasil.

No Brasil, você não consegue sair de casa para essas coisas triviais?
No Brasil, não. Bom, em Santos, eu fui a uma padaria, perto do Canal 5, e passei para comer um pastel na Ponta da Praia na semana retrasada. Ali, na Ponta da Praia, reencontro alguns amigos do tempo em que jogava no Santos. Também gosto de parar numa peixaria e escolher alguns peixes para levar para minha casa no Guarujá. Mas supermercado no Brasil já faz muitos anos que eu não entro.

Você já pediu autógrafo para alguém?
Pedir para mim eu nunca pedi. Geralmente, os ídolos vêm e pedem primeiro para mim. Mas eu já pedi para o meu filho, já pedi para a minha filha, para amigos. No GP Brasil de Fórmula 1 deste ano, eu entreguei a taça para o Michael Schumacher. As minhas filhas, um monte de amigos, todo mundo pediu autógrafo dele. Quando fui para a Copa, a filha da Assíria me pediu os autógrafos do Kaká, do Robinho, que é a paixão dela. Eu vou lá e peço. Mas preciso explicar logo para quem é, pois eles pensam que é brincadeira.

Você é um internauta? Tem e-mail, navega em sites…
Não, eu sou totalmente ignorante nisso. Quem cuida disso são as minhas secretárias, a Patrícia em Santos e a Neli em São Paulo. Quando estou viajando, meus assessores levam o computador portátil. Para você ter uma ideia, o Joshua sabe mexer no meu celular muito melhor que eu. Sabe tirar fotografia, filmar, colocar joguinhos.

Qual foi a última vez que você chorou?
Ih, cara, eu sou chorão! É só eu pegar o violão e começar a cantar uma música que eu me lembro do meu pai, da minha tia Maria, da minha avó Ambrosina. Choro quase todo dia. Sou muito sentimental, sensível. Anteontem, eu estava cantando as músicas do meu novo CD, “Ginga”, que só foi lançado por enquanto em Portugal e na Alemanha. Eu estava tocando a música “Moleque Danado”, que foi adaptada para o Edinho, por causa da situação que ele está passando. Aí comecei a chorar.

Você acha que a Justiça está sendo rigorosa demais com o Edinho por ele ser seu filho?
Ah, sim. Não tem outra explicação. Tem pessoas com crimes piores – inclusive mortes –, réus confessos, que estão respondendo em liberdade [Edinho foi preso em 6 de junho de 2005, acusado de associação para o tráfico de entorpecentes. Libertado em dezembro daquele ano, voltou a ser preso em fevereiro de 2006]. O que me deixa mais indignado é que, há quatro ou cinco meses – e eu tenho o documento em casa para provar -,  o promotor deu o parecer de que não havia razão para Edinho estar detido. Veja bem: isso foi dito por quem o acusa. E como ele é conhecido, e de família conhecida, não havia razão para ele ficar detido. Mesmo assim, o Edinho continua preso.

Você se sente culpado pela prisão do Edinho?
Os pais devem acompanhar a vida do filho. Hoje em dia, isso está cada vez mais complicado. A maioria dos pais trabalha e as universidades não são como os colégios de antigamente. Em Bauru, por exemplo, todas as famílias se conheciam, as professoras conheciam as famílias. Atualmente, nas universidades, você não sabe quem está lá. O caso do Edinho foi um caso inédito. Ele não foi ao morro, não foi em boca-de-fumo, não foi em lugar nenhum. Ele fez amizade com o Naldinho,  filho de um amigo meu, ex-jogador do Santos, o Petiço. Ele não estava sozinho com o Naldinho numa boca-de-fumo, num morro, em algum lugar. Ele estava em Santos, na loja do Naldinho, onde nós comprávamos carros.

Depois disso tudo, mudou alguma coisa na sua forma de ser pai?
Não, não mudou. Procuro passar para os gêmeos as mesmas mensagens que eu passava para o Edinho. A única diferença é que, na época do Edinho, eu fui para o Cosmos, eu viajava, ainda estava na Seleção. Não tive a oportunidade de acompanhar o crescimento dos três como estou tendo agora nessa nova fase. Essa é a única diferença, mas a mensagem que eu procuro passar a mesma.

Qual é a mensagem?
A droga é o pior problema do mundo. Quando eu era garoto, só brigávamos na rua quando alguém xingava a mãe do outro. Hoje, infelizmente, as crianças brigam por causa das drogas. Cheiram cola, acabam entrando no crime. O grande problema dos dias atuais é a facilidade para aquisição de droga.

Você conta histórias para seus filhos na hora de dormir?
Conto. Aliás, já é um vício meu. Quando estou em casa, não tem jeito: o Joshua e a Celeste pedem. Primeiro, a gente ora, depois eu conto uma historinha, ou a gente vê um filme antes de eles dormirem. O mais difícil é de manhã. Eles acordam às 6 e meia para ir para e escola. Não importa se eu cheguei tarde ou se estou voltando da escola. Eles vão para minha cama para conversar ou para orar.

Que tipo de histórias você conta? Das suas três Copas do Mundo, dos seus mais de 1000 gols…
Não, não. Conto histórias que acontecem no dia-a-dia, às vezes algumas piadinhas que a gente aprende, algumas coisas que acontecem na viagem. As crianças de hoje são muito curiosas. Não dá mais para contar aquelas historinhas de bicho-papão. Os pais precisam conversar sério e explicar tudo direitinho.

Eles têm idéia da importância do pai?
Tem. Na última Copa do Mundo, eles estavam comigo e viram bem o assédio ao pai. Na escolinha de futebol, o Joshua fala às vezes umas coisas do pai. Tem moleque que não acredita, que fala que é mentira. Ele volta para casa cheio de bronca. Tenho que escrever, mandar uma foto ou uma lembrança para o menino acreditar nele.

Ainda na questão de filhos, você foi muito criticado recentemente por não ter ido ao velório e ao enterro de sua filha Sandra…
Eu não vi crítica nenhuma. Eu vi cobrança, muita cobrança. Brasileiro é muito sentimental. Eu cansei de ver pessoas em Santos falando mal da Sandra. Na campanha para vereadora, ela fez um outdoor bem grande com os dizeres: “Filha do Rei”. Isso bem grande. E, embaixo, pequenininho no rodapé: “Rei Jesus”. Muita gente, na época, achou que ela estava tentando ludibriar o povo. Eu não falei nada. Todo mundo sabe que eu só conheci a Sandra depois de adulta. Nem conheci direito a mãe dela. Eu saí uma vez com a mãe dela. Aliás, a Sandra tem uma irmã quase da mesma idade, mas quase ninguém sabe. Até brinco com alguns amigos dizendo que eu é que devia processá-la porque ela escondeu a filha de mim durante tanto tempo. Ninguém sabe a razão. Nós fizemos o teste de DNA. Um advogado – sem a minha autorização – entrou duas ou três vezes com o pedido de anulação, mas eu não me furtei. Mas quem me conhece sabe que eu não gosto de funeral. Não vou a cemitério. Na morte do meu pai, também não fui ao enterro. Também não fui ao enterro de minha tia que morou comigo em Santos e da minha avó Ambrosina. Eu não vou. Quando o Garrincha morreu, e ele era amigo meu, também fui cobrado pela mesma coisa. Foi o que aconteceu com a Sandra. Eu não tinha afinidade com ela. A Sandra esteve várias vezes na casa da minha mãe, tem fotos dela deitada no colo de minha mãe. Não tenho nenhum problema de consciência. Deixa falar. O meu Deus e o meu coração sabem o que está acontecendo.

Você sente algum tipo de perseguição?
Eu estava conversando com o Gilberto Gil e ele me disse uma coisa que já havia sido dita também pelo Sérgio Mendes num dia em que me encontrei com ele no Japão: “Olha, Pelé, não fica triste, não. O Brasil tem uma cultura de torcer pelo perdedor. É cultural. Se a pessoa tem sucesso, os brasileiros  já começam a inventar um monte de coisas. Se a pessoa vai mal, eles ficam com pena”. O brasileiro adora o ídolo quando um estrangeiro fala mal dele. Agora, dentro da terra dele, não apoiam o ídolo.

Quando pára o carro num semáforo e uma criança aparece pedindo uma moedinha, você dá?
É engraçado… Essa é uma questão que sempre me deixou meio em dúvida. Eu deveria fazer essa caridade ou não? Minha família ajuda creches e uma casa de velhinhos. Isso é uma coisa que me deixa preocupado. Eu até discuto com os meus amigos. Mas eu prefiro dar para as pessoas que têm deficiência, uma pessoa em cadeira de roda. Porque aí você vê que a pessoa realmente não pode trabalhar, tem uma necessidade. As crianças – e principalmente essas crianças que ficam fazendo  trabalhos pirotécnicos na frente dos carros – me deixam um pouco triste. Mas eu prefiro não dar para essas crianças. Acho que é uma ajuda que a gente dá para a criança não trabalhar. Eu engraxei sapato quando tinha 12 para 13 anos para ajudar a família. Eram sapatos dos amigos do meu pai, dos vizinhos. Mas também fiz muitos trabalhos com a Unicef e com a ONU contra o trabalho forçado infantil.

Falando um pouquinho de futebol,  as duas questões que estão na boca do povo. A primeira: você acha que o Dunga chega até a Copa de 2010 ou é um técnico tampão da Seleção Brasileira?
No Brasil, não existe técnico tampão. O que tem é técnico com ou sem sorte. Se ganhar, continua. Se perder, sai. Pode ser bom, inteligente, mas, se perder, não fica. O Dunga tem personalidade, tem moral e isso é muito importante. É um cara de uma seriedade incrível, então tem tudo para fazer sucesso. Não tem experiência como muita gente está falando, pois ele não treinou antes nenhum outro time. Só que, no Brasil, quem jogou bola e quem chegou à Seleção não precisa ter treinado juvenil ou infantil. Se tiver tempo para preparar a Seleção, não precisa ter experiência anterior.

Segunda questão: o Brasil está capacitado para sediar a Copa de 2014?
Com a riqueza que nós temos aqui, é evidente que dá para fazer. Se nós pouparmos um pouco do dinheiro que desaparece na política brasileira, só um pouco disso, já dá para fazer a Copa. Claro que não é fácil fazer uma Copa com 32 equipes. sem dúvida nenhuma. Você vê que se nós tivermos a felicidade de poupar um pouco do dinheiro com tanto dinheiro que se desaparece na política brasileira, é só dar um pouco disso aí já dá pra fazer a Copa. É evidente que uma Copa com 32 equipes não é tão fácil fazer. Eu fico orando e pedindo para que a gente dê educação para as crianças. Assim, no futuro, talvez os nossos bisnetos acabem com a corrupção. Com todos os escândalos que nós tomamos conhecimento, a maioria deles comprovados, como essa coisa do mensalão, dos sanguessugas, pior do que isso não pode ficar. Eu acho que chegamos ao fundo do poço. Agora o Brasil vai ter que melhorar.

Já que você está falando de política, na última eleição para presidente, você ganhou ou você perdeu?
(Risos) Eu vou continuar pagando o meu imposto de renda, eu vou continuar trabalhando… Seja qual for o presidente, a gente precisa trabalhar.

Trabalhar? Então, você vai continuar fazendo publicidade do Viagra [remédio para disfunção erétil]?
Bom, para começar, não fiz comercial do Viagra. Fiz um comercial institucional da Pfizer, que é a empresa que fabrica vários remédios, inclusive o Viagra. No começo, quando fui consultado, também fiquei em dúvida porque não sabia direito o que era. Tive uma reunião em Nova York com vários médicos. Eles haviam feito uma pesquisa mundial e o nome de Pelé foi o mais indicado para orientar os jovens e os mais velhos sobre o produto: só tomá-lo depois de procurar o médico. O Pelé tem credibilidade no mundo todo. Olha só: o Viagra foi um remédio que surgiu para o coração. Depois ele teve muito sucesso na parte sexual… Foi uma coincidência. Fiquei feliz por estar passando uma mensagem sobre cuidados com a vida das pessoas. Jamais a empresa me pediu para falar sobre o produto. A mensagem era institucional.

Você falou que o Viagra no começo era um remédio para o coração. Você, que é um homem de Três Corações, já precisou usar?
Não. E no comercial eu não falo que uso ou usei Viagra, porque eu realmente não usei. Se algum dia precisar usar, vou fazer o que eu digo no comercial: vou consultar primeiro meu médico.

Mais alguns planos para os próximos 45 anos?
Qual é o meu futuro? Meu futuro é esse: ficar com as crianças, ensinar futebol para as crianças. Quero continuar fazendo as minhas composições lá no meu sítio, em Juquiá [a Fazenda Sossego fica a 200 quilômetros de São Paulo]. Gosto de caçar e de pescar no Rio Juquiá, que passa dentro do meu sítio. Esse é o meu sonho para o futuro. Vamos ver se Deus vai permitir. Estou realizando o desejo de ter uma escolinha, a “Escola do Rei”, em Santos. Assim será a minha aposentadoria. Acho que, desta vez, vou cumprir com a palavra. A minha família já está cobrando, porque eu disse que iria parar nesta última Copa. Não deu. Vamos ver se, depois da próxima Copa, eu paro.

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1 Comentários

1 Comentário

  1. MARCELO PUGLIESE CEZARIO

    Parabens, deve ter sido uma emoção misturada a qualidade do profissional que é, conheceu um puco e deixou ele mostrar como ele é e como, voce conseguiu uma grande furo nessa entrevista gostei muito

    Responder

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