Martinho Lutero (1483 – 1546), considerado o pai espiritual da Reforma Protestante, era um monge agostiniano que tornou-se teólogo. Ele queria realizar reformas que julgava necessárias, sem inicialmente querer dividir a Igreja. Embora a Bíblia já tivesse sido escrita em alemão, a tradução feita por Lutero foi de maior qualidade e pôde ser mais divulgada graças ao sistema de impressão criado por Gutemberg em 1453. Até então, os textos sagrados eram escritos somente em latim, língua do extinto Império Romano e falada somente pelos membros do clero e de uma pequena elite. A tradução de Lutero para o alemão foi simultaneamente um ato de desobediência contra a Igreja Católica e uma consolidação da futura língua alemã, vista como inferior, dos ignorantes e plebeus. No entanto, o grande impulso para o debate teológico que resultou na criação das Igrejas Protestantes foram suas 95 teses, lançadas em 1517. Nelas, Lutero desafiava os ensinamentos da Igreja a respeito da penitência, da autoridade do papa e da utilidade das indulgências (remissão total ou parcial das penas cabíveis para pecados cometidos). Este documento é considerado por muitos como um marco da Reforma Protestante.