Existe vida após a morte? O que dizem as religiões

30 de julho de 2020

Cristianismo
Para católicos, cristãos ortodoxos, protestantes, pentecostais e evangélicos, o post-mortem é uma  fase de profunda transformação, pois a partir desse momento sua alma estará com Deus em sua plenitude. Eles acreditam na ressurreição dos mortos; ou seja, caso a pessoa mereça, irá ocupar seu lugar ao lado do Criador no céu. Do contrário, terá de pagar por seus pecados no inferno. Segundo a Igreja Católica Apostólica Romana, após a morte a pessoa é julgada e vai para o Paraíso, ou recebe a condenação eterna. Se ela tem alguma pena a cumprir, passa pelo purgatório, a morada dos mortos, até que seja absolvida. A ideia do purgatório não existe para pentecostais, evangélicos ou ortodoxos. Os cristãos não acreditam na comunicação com os mortos.

Espiritismo
Para os seguidores do francês Allan Kardec, não existe morte: o espírito “desencarna” e permanece em uma dimensão paralela à nossa (o “mundo espiritual”), até reencarnar novamente. Após retornar em várias encarnações,  a alma se torna um espírito de luz, em seu nível mais avançado, e vem à Terra nessa forma para auxiliar as almas com problemas. Os espíritas acreditam que qualquer pessoa pode contatar os espíritos, mas alguns desenvolvem mais essa habilidade.

Religiões Afro-brasileiras
Após a morte, a Ewa, que é uma orixá ou divindade feminina, leva o corpo  da pessoa e entrega o espírito à também orixá Iansã, que o carrega para um dos nove céus. Esses locais estão praticamente no mesmo nível: não há um melhor ou pior que o outro. O destino do espírito depende muito da índole da pessoa. Em um dos céus, o indivíduo é quem escolhe se vai reencarnar ou não, e geralmente volta como um de seus próprios descendentes. Ao contrário de outras religiões, a reencarnação não é punitiva.

Umbanda
Essa religião fica à parte dos cultos afro-brasileiros porque tem como base, além das religiões africanas, o espiritismo, o catolicismo, cultos indígenas e esotéricos. Também prega a reencarnação. A cada vida, o espírito jamais regride; ele passa por etapas de depuração e volta à Terra mais evoluído.

Religiões Indígenas
Para algumas etnias, as almas dos mortos voltam por meio da reencarnação, mas não no corpo de outra pessoa: elas se incorporam a todas as árvores da floresta e animais. Os kamaiurás, que vivem na região do Alto Xingu  (MT),  são enterrados com seus arcos e suas flechas — e as mulheres, com os fusos de algodão —, que servirão como armas de proteção após a sua morte, já que eles acreditam que os espíritos dos falecidos vão para a aldeia dos mortos, onde são atacados por passarinhos a cada eclipse do Sol. As aves picam suas cabeças na esperança de levar um pedacinho para seu chefe, o gavião-real. Algumas tribos acreditam na comunicação com os mortos.

Judaísmo
Para os judeus, após a morte, a alma passa por um processo de refinamento para entrar no Paraíso. Aquelas que ainda têm erros a consertar reencarnam na Terra. Eles acreditam na chegada de um messias, cuja identidade ainda não foi revelada e que, depois de sua vinda, aconteceria a ressurreição. A alma voltará para o último corpo em que viveu e, se tiver encarnado mais de uma vez, será dividida entre cada um dos corpos que ocupou. Algumas interpretações da doutrina principal do judaísmo admitem a possibilidade da comunicação com os mortos.

Islamismo
Depois que a pessoa morre, dois anjos a visitam no cemitério e fazem três perguntas: os nomes de sua crença, de seu deus e de seu profeta. Se o morto responder Islã, Alá e Maomé, já terá presença garantida no Paraíso no dia do Juízo Final. No Apocalipse, os mortos sairão dos caixões e serão julgados. Para chegar ao Paraíso, é preciso afirmar a crença e ter boas ações acumuladas ao longo da vida. Os que não merecem a salvação têm o inferno como destino. Os islâmicos não acreditam na comunicação com os mortos.

Hinduísmo
Para os adeptos dessa religião, o indivíduo renasce constantemente de acor-do com seu carma, o saldo de ações negativas e positivas de sua existência atual e das anteriores. Se a pessoa resolver suas pendências em uma encarnação, terá uma vida melhor na seguinte. Com a transmigração, a alma não tem um corpo só, já que a encarnação é provisória. Algumas vertentes dizem que a reencarnação pode vir no corpo de um animal. Tudo está vinculado à lei do carma: se nesta vida a pessoa paga as contas da passada, voltará mais evoluída na seguinte. Algumas mulheres hindus ainda praticam o suttee — suicidam-se nas piras funerárias dos maridos para que a morte não os separe. O costume foi proibido por lei em 1829, mas um grande número de viúvas ainda o segue. Os hindus não acreditam na comunicação com os mortos.

Budismo
A ideia de reencarnação, no budismo, está ligada à lei do carma hindu, religião da qual se originou: ao morrer, o espírito vai libertar sua alma daquele corpo que fez coisas erradas nesta vida e encarnar-se em outro. Mas com a ideia de que as pessoas podem ser um Buda (um iluminado, um liberto), o ciclo de sucessivas encarnações pode ter um fim. Essa iluminação definitiva é o nirvana, o nada. Atingir o nirvana é não ser mais condenado a reencarnar. Os budistas não acreditam na comunicação com os mortos.

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