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Curiosidades sobre 10 religiosos brasileiros

24 de abril de 2019

1. Padre Antônio Vieira
Nascido em Lisboa no dia 6 de fevereiro de 1608, veio para o Brasil com 6 anos, quando seu pai foi nomeado servidor do governo colonial na Bahia. Catequizou índios no Pará e no Maranhão (1653-61), e aprendeu sete línguas diferentes. Quando defendeu os índios do Maranhão contra a escravidão, os proprietários de terra passaram a atacá-lo. Acabou condenado como herege pelo Santo Ofício e ficou dois anos na prisão (1666 e 1667). Ao ser anistiado, foi para Roma e passou a pregar em italiano contra a Inquisição. Voltou para Lisboa em 1675 e, seis anos depois, para o Brasil. Na fase final de sua vida, dedicou-se à revisão de seus famosos sermões, que se transformaram em obra-prima da língua portuguesa.

2. Dom Hélder Câmara
Natural do Ceará, Hélder Câmara foi matriculado pela família num seminário aos 8 anos. Virou bispo em 1952, aos 43 anos. Em março de 1964, dom Hélder apoiou o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart. Assumiu, logo depois, o Arcepiscopado de Olinda e Recife, que só deixaria aos 76 anos. Ele acabaria se tornando um adversário da ditadura, denunciando a ocorrência de tortura durante o regime militar. O papa Paulo VI o chamava de “bispo vermelho”. Recebeu duas indicações para o Prêmio Nobel da Paz, em 1971 e 1974.

3. Frei Caneca
Aos 20 anos, o pernambucano Joaquim da Silva Rabelo ordenou-se padre pela Ordem dos Carmelitas e passou a se chamar Joaquim do Amor Divino. Virou frei Caneca porque seu pai era fabricantes de canecas. Foi um dos principais líderes da Confederação do Equador, sufocada pelo governo de Pernambuco. Preso e condenado, ele foi levado à forca em 13 de janeiro de 1825. Na hora da execução, no entanto, o carrasco disse ter visto a Virgem Maria ao lado do condenado e se recusou a enforcá-lo. O ajudante do carrasco também se esquivou. Foram chamados dois escravos que, mesmo recebendo chibatadas, não quiseram proceder à execução. As autoridades mandaram vir dois presos e lhes prometeram liberdade se enforcassem o frei. Mais uma negativa. O juiz se decidiu pelo fuzilamento, mas os soldados tremiam. Diante do pavor coletivo, frei Caneca disse: “Vamos, meus amigos. Não me façam sofrer muito. Virgem Maria há de compreender os vossos tremores. Tenham fé. Ela já os perdoou”. Só então os soldados atiraram.

4. Irmã Dulce
Com apenas 13 anos, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes já atendia pessoas carentes na sua própria casa, em Salvador. Em 1933, depois de receber o diploma de professora, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, do Convento de São Cristóvão, em Sergipe. Numa homenagem à mãe, adotou o nome de Irmã Dulce. Tentou dar aulas de geografia, mas sentiu não ter vocação para professora. Passou a se dedicar integralmente ao trabalho social. Em 1935, fundou a União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão operário de Salvador. Tanta dedicação aos pobres, menores carentes e idosos lhe valeu o título de Anjo Bom da Bahia.

5.  Leonardo Boff
O frei catarinense foi um dos formuladores da Teologia da Libertação, movimento para associar o cristianismo às questões político-sociais. A cúpula da Igreja católica não aprovou a ideia e entrou em choque contra os membros do movimento. Estudioso de religiões, Boff escreveu mais de 60 livros sobre teologia, evangelização e filosofia, sempre com a marca da erudição e da preocupação social. Em 1984, suas reflexões sobre a Igreja Católica, publicadas no livro Igreja, carisma e poder, desagradaram o Vaticano. Por causa disso, o Papa João Paulo II o condenou a permanecer em silêncio por 11 meses. Em 1992, insatisfeito com a decisão de um novo período de silêncio, Boff renunciou ao sacerdócio.

6. Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus
A italiana Amábile Visintainer chegou ao Brasil aos nove anos e passou a morar em Nova Trento, a 86 quilômetros de Florianópolis. Foi em Santa Catarina que ela fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que tinha a finalidade de ajudar os pobres por meio de ações sociais em hospitais e escolas. Madre Paulina mudou-se para São Paulo em 1903. Ela morou cerca de quarenta anos no bairro do Ipiranga. Depois que a religiosa morreu, em 1942, vários milagres passaram a ser atribuídos a ela. Canonizada em 2002, depois de ser responsabilizada pela cura de uma menina com uma doença cerebral, Madre Paulina é a primeira santa do Brasil.

7. Padre Cícero
Em 1872, o padre cearense Cícero Romão Batista se mudou para Juazeiro do Norte, para cuidar de uma aldeota com apenas cinco casas de telha, 30 casas de palha e uma capelinha, a 10 quilômetros de Crato, sua terra natal. Numa missa em 1º de março de 1889, um milagre começaria a transformar o homem em lenda: no momento da comunhão, a hóstia teria se transformado em sangue na boca da beata Maria de Araújo. O fenômeno se repetiria dezenas de vezes, sempre com a mesma beata. A cada milagre, o padre limpava o sangue com um paninho, escrevia a data e assinava. O caso foi parar no Palácio Episcopal de Fortaleza. O bispo Joaquim José Vieira, apesar de jamais ter conseguido provar que aquilo era uma farsa, escreveu um parecer desfavorável aos milagres. O bispo Francisco de Assis Pires, de Crato, mandou revirar as casas e queimar todos os paninhos encontrados. Hoje, resta apenas um, propriedade de Dalva Mendonça. Padre Cícero só não foi excomungado devido ao temor de se provocar uma reação popular. Suspenso da ordem, entrou para a política, tornando-se, em 1911,  o primeiro prefeito de Juazeiro. A estátua do padre Cícero, em Juazeiro do Norte, tem 17 metros, além dos 8 metros de pedestal. É a terceira maior obra de concreto do mundo, atrás da Estátua da Liberdade (Nova York, Estados Unidos) e do Cristo Redentor (Rio de Janeiro). Foi esculpida em 1969 pelo artista nordestino Armando Lacerda.

8. Padre Donizete
Até hoje seu nome arrasta inúmeras romarias à cidade de Tambaú, no interior de São Paulo, onde foi pároco durante 35 anos. Donizetti Tavares de Lima nasceu em 3 de janeiro de 1882 em Santa Rita de Cássia (MG). Ele iniciou o curso de Direito na Faculdade do Largo do São Francisco, mas deixou os estudos para entrar num seminário. Ordenou-se sacerdote em 12 de julho de 1908, em Pouso Alegre (MG). Entre 1909 e 1926, foi vigário de Vargem Grande do Sul (SP). Chegou a Tambaú em 13 de junho de 1926. Milhares de curas foram atribuídas ele, incluindo a da gagueira de um menino chamado Joelmir Betting, hoje famoso jornalista econômico. Morreu em 16 de junho de 1961.

9. Padre Eustáquio
Humberto Van Lieshout nasceu em 3 de novembro de 1890, em um pequeno povoado holandês chamado Aarle Ristel. Quando completou 23 anos se tornou noviço e adotou o nome de Eustáquio. Como missionário da Congregação Sagrados Corações, desembarcou no Rio de Janeiro em 1925 e iniciou suas atividades religiosas no país na cidade de Romaria, em Minas Gerais. Em 1935 foi para a cidade paulista de Poá, onde exereceu a função de pároco até 1941. Nessa época, o padre já tinha a fama de “virtuoso” e dizia-se ter um “dom especial da cura”. Padre Eustáquio faleceu em 30 de agosto de 1943. Sua morte foi causada pela picada de um carrapato que lhe transmitiu tifo. Em 1963, o religioso Gonçalo Belém Rocha foi diagnosticado com câncer de laringe. Ele recorreu e rezou para Padre Eustáquio e, no dia da cirurgia, os médicos não encontraram mais nenhum sinal do tumor. Em 2006, o Papa Bento XVI reconheceu como milagrosa a cura de Gonçalo, o que permitiu a beatificação de padre Eustáquio. Poá, no interior paulista, é reconhecida pelo Vaticano como local sagrado de Padre Eustáquio.

10. Padre José de Anchieta
Nascido em Tenerife, uma das Ilhas Canárias (Espanha), José de Anchieta tinha 19 anos quando chegou a Salvador, em 13 de julho de 1553, depois de dois meses e meio de viagem. Logo foi chamado por Manuel da Nóbrega, vice-provincial da capitania de São Vicente, onde se situava a pequena aldeia de Piratininga. Os jesuítas necessitavam urgentemente de tradutores e intérpretes para falar o tupi, língua dos índios no litoral brasileiro. Foram mais dois meses de viagem para ir da Bahia ao planalto paulista. Um mês depois de sua chegada, em 25 de janeiro de 1554, foi inaugurado o colégio jesuíta da Vila de Piratininga, data hoje comemorada como a da fundação de São Paulo. Escreveu Anchieta: “Celebramos em paupérrima e estreitíssima casinha a primeira missa, no dia da conversão do apóstolo São Paulo, e por isso dedicamos a ele a nossa casa”. Ali moravam 13 jesuítas que tinham a seu cargo duas aldeias de índios com quase mil pessoas. José de Anchieta era um homem habituado a longas caminhadas. Percorria a pé, em menos de 24 horas, o trajeto de 100 quilômetros entre a aldeia de Reritiba, ponto remoto do litoral da capitania do Espírito Santo, onde morava, e o Colégio São Tiago, residência oficial dos jesuítas em Vitória, na segunda metade do século XVI. Andava tão rápido que os índios o apelidaram de caraibebe, ou “homem de asas”, em tupi.

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