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Raio-X

24 de abril de 2019

 

Na tarde de 8 de novembro de 1895, no laboratório da Universidade de Wurzburg, na Alemanha, o físico Wilhelm Conrad Röentgen (1845-1923) pesquisava o tubo de raios catódicos inventado pelo inglês William Crookes anos antes. Era um tubo de vidro, dentro do qual um condutor metálico aquecido emitia elétrons, então chamados raios catódicos, em direção a outro condutor. Quando Röentgen ligou o tubo naquele dia, notou um efeito curioso. Perto do tubo, uma placa de um material fluorescente, chamado platino cianeto de bário, brilhou. O brilho persistiu mesmo quando Röentgen colocou um livro e uma folha de alumínio entre o tubo e a placa. Por seis semanas, o físico ficou no laboratório tentando entender o que era aquilo que saía do tubo, atravessava barreiras e atingia o platino cianeto. Era uma radiação capaz de atravessar materiais opacos e sensibilizar filmes e placas fotográficas.
Não demorou para que Roentgen percebesse o extraordinário instrumento que tinha no laboratório. De experiências feitas com objetos de vidro, madeira e metal, passou rapidamente para a primeira radiografia feita num ser humano. Usou a radiação por 15 minutos para retratar os ossos de uma das mãos de sua mulher, Bertha, em 22 de dezembro de 1895. Fascinado, mas ainda confuso, Röentgen decidiu chamar os raios de “X”- símbolo usado em ciência para designar o desconhecido. Roentgen publicou um resumo de sua descoberta no jornal da universidade. Em janeiro, sentiu-se seguro o suficiente para uma apresentação formal a seus colegas e professores. A apresentação terminou em aplausos e, em 1901, Röentgen ganhou o prêmio Nobel de Física.
O americano Thomas Alva Edison inventou um instrumento com tela fluorescente que deixava ver a radiografia na hora, sem a necessidade de revelar filmes. Em 1902, um inglês criou uma máquina de raios-X controlada por moeda. Em Nova Jersey, nos Estados Unidos, deputados tentaram passar uma lei proibindo o uso da radiação. Eram defensores da moralidade e achavam que os raios permitiriam a qualquer um ver os corpos nus de quem andasse pelas ruas.

A abreugrafia foi inventada pelo cientista brasileiro Manuel Dias de Abreu em 1936. Ela é um tipo de radiografia que registra a fotografia da imagem do tórax na tela radioscópica. A radiografia tradicional, por sua vez, resulta da impressão direta do filme radiológico dos feixes de raio-X, depois de atravessarem o corpo.

A radiografia comum nunca foi eficiente para visualizar tecidos moles (o fígado, os intestinos, o cérebro) que deixam a radiação passar quase completamente e não criam bons constrastes. A proeza só foi possível com a tomografia computadorizada, uma superevolução do raio-X, que rendeu um Prêmio Nobel de Medicina ao inglês Godfrey Newbold Hounsfield (1919- ) e ao sul-africano Allan Macleod Cormack (1924- ) em 1979.

 

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