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CataMoeda: máquina oferece joguinho e bônus em troca de suas moedas

19 de abril de 2016

Sou do tempo em que íamos às agências bancárias com nossos cofrinhos para depositar na caderneta de poupança as moedas juntadas no mês. As máquinas eram gigantescas e nós, crianças, nos divertíamos quando elas entravam em ação, separando as moedas por valores e anunciando o total. Esse momento nostalgia me bateu no final de semana, fazendo compras num supermercado perto de casa. Na saída, eu me deparei com uma máquina chamada CataMoeda. De acordo com o Banco Central, 7,2 bilhões de moedas estão escondidas em cofrinhos, fundos de gaveta, bolsas, bolsos ou debaixo de bancos de automóveis e de almofadas de sofás. São 850 milhões de reais fora de circulação, que inviabilizam o troco do comércio e prejudicam até o meio-ambiente. A máquina foi uma forma divertida criada pelo empresário Victor Levy para resgatar essas moedas. Em três anos, a Cata Moeda foi responsável por recolocar na praça 685 milhões de moedas – ou 10% de toda a produção da Casa da Moeda no ano passado. Para produzir moedas, o país gasta por ano cerca de 15 mil toneladas de minérios e energia suficiente para abastecer 1.348 residências durante um mês. O Brasil gasta nessa operação 1,8 bilhões de reais por ano.

(divulgação Prosegur)

O Pão de Açúcar, maior rede de supermercados do Brasil, tem a máquina CataMoeda em apenas duas de suas 1.182 lojas (foto: Divulgação Prosegur)

“Crianças e adultos passam pelos supermercados e ficam curiosos, com vontade de usá-la”, conta Natália Izidoro, gerente de marketing da CataMoeda . O protótipo da máquina foi testado em 2012 num supermercado do bairro do Morumbi, zona Sul de São Paulo. A primeiro CataMoeda oficial foi instalada no ano seguinte na maior rede de supermercados do Paraná, a Condor, em Curitiba. Em três anos, 162 dessas máquinas já se espalharam pelo Brasil –  76 delas no Estado de São Paulo.  Para alugar uma CataMoeda,  o comerciante tem dois modelos de negócio: ou paga uma mensalidade (varia entre 1 mil e 2 mil reais) ou paga uma taxa de 5% do valor arrecadado em moedas no mês. Redes como Poupa-Farma, Carrefour, Záffari, Extra, Pão de Açúcar, Angeloni e Am Pm estão entre as empresas que aderiram a ideia. A distribuição foi facilitada por uma parceria firmada em 2015 com a Prosegur, companhia de segurança e transporte de valores. Em fevereiro passado, por exemplo, a máquina chegou também à região Norte do país pelas mãos da Rede de Drogaria Santo Remédio, em Manaus “Ficamos impressionados com a quantidade de moedas que foram colocadas em circulação em tão poucos dias”, comemora Noberto Colla, diretor de logística do supermercado Angeloni.

Enquanto engole as moedas, o equipamento vai informando na tela o valor depositado. Se o valor depositado for maior que 5 reais, o consumidor tem ainda direito a se divertir com um joguinho.  Ao final da operação, o dono das moedas tem três opções: emitir um vale-compras a ser utilizado no próprio estabelecimento – em geral, com um bônus de 2% a 10% -, trocar o valor do depósito por cédulas ou doar o dinheiro uma instituição de caridade escolhida pelo comerciante. Em alguns casos, a terceira alternativa não é habilitada pelo estabelecimento. Ela é também a menos frequente entre os usuários (não chega a  5% dos depósitos).

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Em três anos, as máquinas já colocaram em circulação de novo o mesmo que 10% da produção da Casa da Moeda em um ano (Foto: Divulgação CataMoeda)

A vantagem para os comerciantes está relacionada à comodidade. Sem mais precisar implorar por trocados em bancos ou comércios vizinhos, eles recebem as moedas sem sair do lugar. As pessoas são atraídas pela máquina e pelo bônus. “A Associação Comercial do Amazonas nos informou que alguns empresários pagam até um preço maior para obter as moedas e suprir as necessidades dos clientes, que pode chegar a 15% a mais”, explica Natália.

Na prática, porém, a CataMoeda pode passar despercebido em meio ao corre-corre dos varejos. O blog fez um teste no supermercado Pão de Açúcar, na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, São Paulo. Maior rede de supermercados do Brasil, o Pão de Açúcar está testando a máquina em duas de suas 1 182 lojas. A outra está na unidade da rua Pamplona, nos Jardins. Durante toda uma manhã, a reportagem não viu ninguém utilizando a máquina. Uma funcionária informou que ela está ali há quatro meses e que a média costuma ser de três pessoas por dia.  “A máquina acaba sendo útil só quando as pessoas trazem uma quantidade muito grande de moedas”, explicou a funcionária. “Do contrário, eles trocam por notas no caixa mesmo”. Ela disse que a Cata Moeda não deverá continuar no estabelecimento.

O site do projeto faz a contagem em tempo real do valor arrecadado, da quantidade de depósitos feitos, do número de moedas inseridas, do montante correspondente ao bônus cedido aos depositantes e da economia de energia e de minérios. Até o dia de hoje, 19 de abril de 2016, por exemplo, 21.914.664,00 reais saíram dos cofrinhos e entraram no mercado. “Para melhorar nosso serviço, as inovações tecnológicas estão vindo a todo vapor”, conta Natália, da Cata Moeda.  “O fluxo constante de moedas conquistadas pelas nossas máquinas seria muito difícil por outros meios”.

Atualização em 20/04/2016:  A respeito das máquinas no Grupo Pão de Açúcar, Natalia Porto, assessora de imprensa da CataMoeda, enviou o seguinte esclarecimento: “A CataMoeda não recebeu nenhum indicativo do Pão de Açúcar sobre a descontinuidade do serviço. Na verdade, eles estão fazendo testes em cinco estabelecimento da rede para identificar perfis de lojas de interesse e, sobretudo, estratégias para incentivar o uso das máquinas e ampliar os resultados. Claro que o desempenho depende de vários fatores estruturais, como a região em que a máquina está inserida, a sinalização do equipamento e etc. Também, há sazonalidades de uso: períodos com mais procura ou não”.

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