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Furoshiki, o embrulho tradicional do Japão

20 de janeiro de 2014

Antes de entrar em seu ofurô, um senhor feudal japonês do século 17 deveria cumprir o seguinte ritual: embrulhar cuidadosamente a roupa que seria utilizada depois do banho com um pano de seda bordado com linhas de ouro (geralmente, com o brasão da família gravado) e fechado com um nó chamado de “mágico”, por causa de sua longa durabilidade. Assim nasceu o furoshiki, mistura dos termos furo (banho) e shiki (ato de forrar, revestir), que dá nome à técnica secular japonesa de embrulho.

O nó mágico de um furoshiki

Mais popular entre as famílias nobres, o furoshiki logo ganhou novas utilidades. Os japoneses que fugiam dos constantes incêndios durante o período Edo (início do século 17 até meados do século 19), por exemplo, utilizavam-no como mala. Outros usavam a técnica para embalar seus tesouros pessoais. Já as mães de noivas faziam o enxoval embrulhado dessa maneira.
O furoshiki só chegou ao Brasil oficialmente nos anos 1990, pelas mãos da nissei Sofia Nanka Kamatani. Formada em Desenho Industrial pelo Mackenzie, ela conseguiu uma bolsa de estudos na Universidade de Design de Kobe (Japão) para cursar uma especialização na área em 1995. Sofia já era familiarizada com a técnica do furoshiki desde a infância, quando a avó, residente no Japão, enviava-lhe presentes de aniversário envolvidos com as requintadas embalagens japonesas.

Sofia e uma das ecobags feitas com toalha de mesa

Sofia voltou ao Brasil em 1996, quando foi convidada a ser professora no curso de Design Gráfico da Faculdade Belas Artes de São Paulo. Em aulas sobre a cultura oriental, ela apresentou o furoshiki a seus alunos. Em 2000, concluiu o mestrado na área, com a dissertação “A influência do ideograma no design da embalagem japonesa”. Mas foi somente em 2008 que o trabalho de Sofia conquistou a devida notoriedade. Foi nesse ano que ela ministrou sua primeira palestra sobre o furoshiki na Semana Cultural Brasil-Japão, em São Paulo, durante as festividades do centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Em 2009, Sofia ganhou o concurso Saco de ideias, promovido pelo hipermercado Carrefour, com o vídeo EcoFuroshiki, em que ensina o internauta a confeccionar suas próprias ecobags aplicando o furoshiki. “Tive a ideia das ecobags depois de conhecer o projeto Mottainai (não-desperdício)”, conta. Patrocinado pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão, em 2006, o projeto teve como objetivo atrair os jovens japoneses para a prática do furoshiki e aplicar o conceito dos 4Rs (redução, reciclagem, reutilização e respeito às tradições japonesas).

Hoje, Sofia se dedica ao ensino universitário, como professora de moda na FMU, e à realização de palestras e workshops sobre o furoshiki. Ela também recebe encomendas pelo e-mail alocurso@gmail.com. O preço varia entre 10 e 60 reais, dependendo do tamanho da embalagem e do material utilizado.  Apesar de trabalhar com a venda do produto, Sofia garante que a principal função do furoshiki não é o comércio. “Faz parte de um contexto maior, de demonstrar respeito ao próximo embrulhando um presente de maneira especial”, finaliza.

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2 Comentários

2 Comentários

  1. Sérgio

    A técnica, como tudo que é genial, é extremamente simples!!!

    Responder
  2. Sérgio

    A técnica, como tudo que é genial, é extremamente simples!!!

    Responder

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