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Como surgiram as tampinhas?

24 de abril de 2019

Esse objeto simplório, inventado há pouco mais de um século, foi a razão dos amados refrigerantes finalmente poderem ser vendidos e levados para casa.

Tudo começou com um cientista de origem suíça chamado Johann Jacob Schweppe, responsável por criar o primeiro produto que precisaria de uma tampinha para ser bem conservado. Após se mudar para a Inglaterra, ele desenvolveu a primeira bebida gaseificada para uso comercial, que começou a ser vendida no país em 1782.

Antes que fosse encontrado um método eficiente de reter o gás, só existia uma forma de consumir esse tipo de bebida: as drinking fountains, aquelas máquinas de refil que servem refrigerantes e cervejas. A ideia era que os refrigerantes fossem tomados apenas em restaurantes e lugares públicos. No começo, Pemberton tentou usar garrafas com tampas de porcelana, mas logo desistiu devido ao preço e à ineficiência do material.

Foi apenas com a ajuda do engenheiro William Painter que a primeira tampinha foi criada. Ela era composta de uma chapa de aço revestida com um outro tipo de metal, geralmente estanho, que recebia um acabamento de verniz. Era aplicado do lado interno da cápsula um produto colante e um pequeno disco de cortiça que funcionava como rolha selante. O disco era fundamental porque impedia o contato entre o metal e o líquido, que poderia levar a reações de oxidação capazes de alterar o gosto da bebida. A cortiça era o produto mais inerte em termos de gosto e, ao contrário da porcelana, tinha um bom nível de resiliência. O item logo foi adotado no mercado de refrigerantes, mas só seria incorporada ao mundo cervejeiro alguns anos mais tarde.

Um outro fato interessante: se hoje temos lâminas de barbear, devemos agradecer às tampinhas de garrafa. Os retalhos de produção deixados pelo corte das chapas de aço, que só poderiam ser descartados ou reencaminhados para um novo processo de fusão que encareceria o negócio, eram um baita problema. A questão foi resolvida quando um dos engenheiros de Painter, chamado King Camp Gillette, criou o primeiro protótipo da lâmina de barbear.

No Brasil, a história é um pouco diferente: no começo do século XX, as tampinhas ainda não haviam chegado, e as garrafas eram vedadas com rolhas de cortiça e até mesmo sabugos de milho, que geravam um risco altíssimo de contaminação. Por um período, a mesma tampa de porcelana de Pemberton foi utilizada para vedar algumas cervejas, que ganhariam a alcunha de “cervejas marca de barbante”. Os refrigerantes chegariam só mais tarde, na década de 30, já com tampinhas metálicas.

 

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