Curiosidades sobre as sete maravilhas do mundo

30 de julho de 2020

Seis dos sete admiráveis monumentos e esculturas da Antiguidade já desapareceram. Só restaram as pirâmides do Egito. Não se sabe sequer o aspecto que os outros tinham, mas é possível imaginá-los a partir de descrições imperfeitas e das reproduções estilizadas em moedas. A primeira lista das maravilhas do mundo teria sido feita por volta do ano 150 a.C. pelo matemático bizantino Filon. Em uma série de viagens difíceis pelo Ocidente, ele viu todos os monumentos da época, relatadas na obra Septem Orbis Spectaculis.

Estátua de Zeus Olímpico (Grécia)

Foi esculpida por Fídias, o mais célebre escultor da Antiguidade, em ébano e marfim, entre 456 e 447 a.C. (depois dessa, Fídias não fez mais nenhuma outra obra). Em oito anos de trabalho, o artista construiu uma enorme estrutura de madeira, que cobriu de chapas de metal e marfim. A base da estátua tinha 6,5 metros de largura por um metro de altura. A figura de Zeus alcançava 13 metros e o mostrava sentado sobre um grande trono, decorado com ouro, pedras preciosas, ébano e marfim. Suas sandálias eram de ouro, assim como as roupas. Na mão esquerda ficava um cetro com a figura de uma águia, também ricamente adornado. Na direita, Niké, a deusa da vitória. A maravilha atraía visitantes e fiéis do mundo inteiro e, no século 2 a.C., foi restaurada. No século V, Zeus foi transferido por cidadãos gregos abastados para Constantinopla, onde sofreu com a ação de terremotos e enchentes e de um derradeiro incêndio em 462. Entre os gregos, considerava-se desafortunado aquele que não tivesse visitado a estátua.

Templo de Diana ou Ártemis (Turquia)

O templo em homenagem à deusa protetora da caça e da fertilidade foi erguido em 550 a.C. Ficava em Éfeso, atual Selçuk (Turquia), e também funcionava como mercado. Sua construção foi ordenada por Crécio, rei da Lídia, e planejada pelo arquiteto grego Quérsifron. Levou duzentos anos para ficar pronto — em 450 a.C. — na cidade de Éfeso. Tinha 141 metros de comprimento e 73 metros de largura. Suas 127 colunas de mármore atingiam 19 metros de altura. Escavações arqueológicas revelaram que Ártemis ganhava estatuetas de ouro e marfim, além de joias e artefatos de terras distantes, como a Índia e a Pérsia. Depois de ter sido incendiado em 356 por Heróstrato, foi reconstruído (dessa vez, em vinte anos) e destruído novamente em 262 pelos godos — e mais uma vez reconstruído. No século IV, a maioria dos habitantes de Éfeso já tinha se convertido ao cristianismo e o templo veio abaixo em 401, por determinação de são João Crisóstomo.

Colosso de Rodes (Grécia)

A gigantesca estátua de Hélio, o deus do Sol, tinha 33 metros de altura, era toda de bronze e pesava setenta toneladas. De pernas abertas, ela ficava na entrada do golfo de Rodes, uma ilha do mar Egeu. O escultor Cares de Lindos dispôs de mais de 7,5 toneladas de ferro e 12,5 de bronze, durante cerca de  12 anos (292 a 280 a.C.), para terminar a obra. As bases da escultura eram de mármore branco e sua estrutura, de pedra e ferro. Os empregados de Lindos moldavam chapas de bronze da espessura de uma moeda, uma a uma, para aplicá-la nas partes em que a “pele” do deus aparecia. Mas a alegria do povo de Rodes durou pouco: em 248 a.C., um terremoto atingiu a ilha e quebrou o gigante na altura dos joelhos. O rei egípcio Ptolomeu até se propôs a financiar sua reconstrução, mas a população de Rodes consultou o oráculo, que reprovou a ideia. O argumento era que o deus Apolo não havia gostado da estátua e por isso ele mesmo tratou de derrubá-la. As ruínas lá permaneceram por mais de um milênio até que, em 654, os árabes invadiram o local, desmantelaram a estátua e venderam suas partes como ferro-velho a um comerciante, que encheu novecentas cargas para transportar em camelos.

Mausoléu de Halicarnasso (Turquia)

Artemisa II, irmã e esposa do rei Mausolo, mandou construir o maior e mais suntuoso túmulo de todas as épocas. Sua base era de mármore e bronze, com revestimento de ouro. Trabalharam ali 30 mil homens durante dez anos, e a obra ficou pronta em 352 a.C. Com quarenta metros de comprimento e trinta metros de largura, abrigava uma espécie de pódio, que possuía vinte metros de altura e era decorado por dezenas de estátuas de pessoas, além de leões, cavalos e outros animais. A seguir, vinha o andar onde ficavam a câmara mortuária e os sarcófagos, cercados de colunas, com 12 metros, que seguravam o peso do teto em forma piramidal, de sete metros de altura. Por fim, uma carruagem puxada por quatro cavalos, no topo, com seis metros, completava 45 metros de esplendor. O mausoléu ficou pronto três anos após a morte do rei e um ano depois da partida de sua amada. No século XV, os cavaleiros de São João de Malta, que lutavam nas Cruzadas, invadiram a região e destruíram o monumento para usar suas pedras na construção de uma fortaleza. Fragmentos desse monumento são encontrados no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum, na Turquia. A palavra “mausoléu” vem de Mausolo.

Farol de Alexandria (Egito)

A obra foi projetada pelo rei Ptolomeu, do Egito, por volta de 290 a.C.,  mas terminada apenas após sua morte, durante o reinado de seu filho. Era dedicada aos “deuses salvadores”: o próprio Ptolomeu pai e sua esposa, Berenice. Erguia-se numa das ilhas de Faros, perto de Alexandria, e tinha uma torre de mármore branco de 117 metros de altura. Era iluminado pelo fogo de lenha ou carvão, e também tinha um grande espelho que refletia a luz do Sol. Inaugurado em 270 a.C., o farol  foi a última maravilha do mundo  a desaparecer. Quando os árabes conquistaram o Egito, admiravam a riqueza de Alexandria e continuaram a usar o farol. No entanto, ao retirarem seu espelho, por razão desconhecida, não conseguiram instalá-lo novamente. No ano 956 d.C., um terremoto fez poucos estragos, mas o farol sofreu com a fúria dos seguintes, em 1303 e 1323. O capítulo final do monumento foi escrito em 1480, quando o sultão egípcio Qa’it Bay resolveu reforçar a defesa da cidade e construiu um forte medieval no lugar do farol, usando o mármore e as pedras que sobraram.

Jardins Suspensos da Babilônia (Iraque)

Foram construídos por ordem do poderoso Nabucodonosor  II, em 600 a.C., em homenagem a uma de suas mulheres, Semíramis, que sentia saudade das montanhas de sua terra. Os jardins eram seis montanhas artificiais, apoiadas em colunas de 25 a cem metros de altura, ao sul do rio Eufrates. Cada andar da construção era repleto de plantas e animais exóticos, árvores frutíferas e quedas d’água. Para mantê-los vivos, historiadores gregos relataram que se usava um sofisticado sistema de irrigação com água vinda do rio Eufrates. Ficavam a duzentos metros do palácio real. Conta-se que Nabucodonosor enlouqueceu ao contemplar essa obra. Alguns historiadores, no entanto, atribuem o trabalho à rainha Semíramis. Tudo foi destruído em data desconhecida.

Pirâmide de Quéops (Egito)

Apenas a pirâmide de Quéops, e não todas as três “Grandes Pirâmides” de Gizé, no Egito, faz parte das Sete Maravilhas do Mundo. Sobrevivente de quase 5 mil anos de história, ela realmente honra o provérbio árabe que diz: “O homem teme o tempo, mas o tempo teme as pirâmides”. Localizada onde hoje fica a cidade do Cairo, foi construída por ordem do faraó Khufu (ou Quéops, em grego), da IV Dinastia, em 2560 a.C., destinada a se tornar seu túmulo. Por cerca de vinte anos, mais de 2,3 milhões de blocos de pedra foram colocados em suas quatro faces, alinhadas com os pontos cardeais. O transporte dos blocos, que pesavam mais de duas toneladas cada, ainda é um mistério. Uma das teorias afirma que uma rampa — espiral ou reta — coberta de lama teria sido construída para deslizar as grandes pedras. O encaixe é perfeito, assim como o cálculo de seus lados, que apresentam apenas 0,1% de erro entre o comprimento do maior e o do menor. Quando foi finalizada, a pirâmide tinha 145,75 metros de altura e, ao longo dos anos, perdeu dez metros do topo. A entrada fica na face norte e a câmara mortuária do faraó, que está no coração da pirâmide, é acessível por um único corredor. A medida do sarcófago é apenas um centímetro menor que a dimensão da câmara, o que indica que ele teria sido colocado lá durante a construção.

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