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Cinema

24 de abril de 2019

 

Quem passou pelo Boulevard des Capucines, no centro de Paris, na noite de 28 de dezembro de 1895, não pôde deixar de notar uma enorme fila que se estendia por centenas de metros. Agasalhados contra um rigoroso inverno, homens, mulheres e crianças esperavam a vez para entrar no Salão Indiano do Grande Café, no número 14 do Boulevard dos Capucinos. Uma vez instalados nas cem cadeiras dispostas diante de um grande pedaço de pano branco, assistiam a um espetáculo de luzes e movimentos. Em certo momento, um trem avançava em direção à platéia (muita gente ficava tão assustada que deixava a sala correndo!). Pouco depois, podia-se observar as cenas da saída dos operários, na pausa do almoço, da fábrica Lumière, instalada em Lyon. A sessão durava 20 minutos e custava um franco por pessoa.

Auguste e Louis Lumière foram os dois primeiros filhos de um casal humilde: Antoine, pintor de letreiros, e Jeanne-Joséphine, lavadeira. Logo após o casamento, em 1859, os dois perambularam por Lyon, Paris e Besançon, onde Antoine resolveu mudar de profissão. Segundo ele, a pintura não tinha futuro. Melhor seguir a moda e tentar o ramo de fotografia. Após alguns meses de aprendizado num estúdio fotográfico, Antoine montou seu próprio negócio. Auguste e Louis trilharam os passos do pai e se interessaram por fotografia.

A partir de 1891, o americano Thomas Edison apresentou ao público o kinetoscópio, no qual um filme de cerca de 15 metros permitia a um único espectador observar uma cena do tamanho de um cartão de visitas. Três anos depois, fabricava a máquina em série, convencido de que seu invento estava destinado à diversão individual.

Sem perda de tempo, Auguste passou a estudar um meio de captar imagens, revelá-las e projetá-las num movimento semelhante ao da vida real. “Passei três meses pesquisando sem chegar a um resultado satisfatório”, contou Auguste tempos depois. “Foi quando meu irmão, que tinha assistido às minhas experiências, pegou uma gripe que o deixou de cama por vários dias. Uma manhã, quando fui vê-lo, Louis me anunciou que, durante a sua insônia, teria achado a solução para o problema.”

A grande questão era como dar a ilusão de movimento à fita de imagens fotográficas, sem deixar que o espectador percebesse o desenrolar da fita.
“Devemos recorrer a um dispositivo que ataque a película em repouso, que a acelere e a retarde até sua imobilidade, quando projetaremos a imagem. Temos de repetir este ciclo 15 vezes por segundo”, ordenou Louis. Para conseguir o movimento desejado, os irmãos recorreram a um engenho inspirado na máquina de costura, incrementado com um sistema de dentes que se encaixavam nas perfurações da película. Após filmar algumas tiras experimentais, Auguste e Louis organizaram uma projeção familiar.

A primeira cena em movimento apresentada ao público foi, sem dúvida, “A saída da fábrica”. Num dia de sol inesperado, em 19 de março de 1895, Louis acionou a manivela. Oitocentas imagens em 50 segundos, que foram projetada, três dias depois, numa conferência em Paris. A surpresa foi geral. Em seguida, os irmãos produziram “O Jardineiro”, “Chegada de um trem à estação de la Ciotat” e várias outras cenas que seriam apresentadas do Boulevard des Capucines. O sucesso foi imediato. Os irmãos Lumière passaram a ser fabricantes de aparelhos, de películas, produtores e distribuidores de seus próprios filmes.

A primeira sala de cinema no Brasil foi inaugurada no Rio de Janeiro, em 1897, por Paschoal Segretto.

O francês Léon Gaumont é o pai do filme sonoro. Em 1900, ele criou um sistema em que o projetor do filme e o gramofone andavam na mesma velocidade. Depois de 27 anos, outro sistema – o Vitaphone – liquidou de vez o cinema mudo. O último filme sem som foi produzido em 1930.

 

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