Curiosidades sobre os 80 anos de Mary Poppins na literatura e os 50 no cinema

12 de fevereiro de 2014

A babá mais famosa do cinema está completando 50 anos! Em agosto de 1964, Mary Poppins estreou nas telonas americanas depois de mais de duas décadas de esforços de Walt Disney. Homenagens não faltam: os Estúdios Disney lançaram o disco Blu-ray do filme e no dia 7 de março chega aos cinemas Walt nos Bastidores de Mary Poppins, filme de John Lee Hancock sobre a produção do musical.

O Blog do Curioso não poderia ficar de fora. Para celebrar os 50 anos de Mary Poppins no cinema (e também os 80 anos do lançamento do livro), reunimos 50 curiosidades sobre a obra:

1. Em 1938, Walt Disney procurou Pamela Lyndon Travers em busca da autorização para adaptar o livro Mary Poppins para o cinema. Ele tentou marcar uma série de encontros com a autora australiana, que rejeitou os convites inúmeras vezes. Ela não gostava do sentimentalismo presente nas obras de Walt Disney.

2. P. L. Travers se baseou na mitologia hindu para criar a babá mágica, que seria uma espécie de deusa-mãe. O livro foi lançado em Londres em 1934.

3. Walt Disney sonhava fazer o filme porque suas duas filhas eram apaixonadas pelo livro de P. L. Travers. E porque também previa um estouro de bilheteria.

4. Demorou duas décadas para a Disney adquirir os direitos da obra de P. L. Travers. Em 1958, Walt finalmente conseguiu marcar um encontro pessoal com a autora em Londres. Na ocasião, ela concordou em ceder os direitos ao receber uma proposta irrecusável, dada sua situação financeira. Ela levaria 100 mil dólares de adiantamento, além de 5% dos lucros com a bilheteria.

5. O negócio, no entanto, só saiu dois anos e meio depois, quando Travers conseguiu convencer Walt Disney a poder opinar na construção do roteiro. De 1958 a 1961, Robert Sherman e Richard Sherman, músicos icônicos da Disney, trabalharam na composição da trilha sonora de Mary Poppins, sem saber que os estúdios ainda não tinham oficializado o contrato da produção.

6. Várias atrizes foram cotadas para viver Mary Poppins no cinema – a preferida de Walt Disney era Bette Davis. Robert Sherman foi o primeiro a considerar Julie Andrews, depois de ouvi-la cantar “What Do The Simple Folk Do”, do musical Camelot, no programa de televisão Ed Sullivan Show. Um mês mais tarde, Walt Disney pegou um voo para Nova York para ver Julie nos palcos da Broadway, e se encantou. A contratação de Julie Andrews foi uma das poucas unanimidades entre os envolvidos na produção de Mary Poppins. Até P. L. Travers, que costumava contrariar qualquer decisão dos estúdios Disney, acabou virando fã da atriz.

7. Julie Andrews quase recusou a proposta de Walt Disney. Na mesma época, ela esperava a resposta da produção de My Fair Lady, que cogitava contratá-la para o papel de Eliza Doolittle. Apesar de Andrews ter interpretado a protagonista nos palcos da Broadway, o papel nas telonas acabou ficando com Audrey Hepburn (abaixo), que tinha um rosto muito mais conhecido do que o de Julie Andrews.

8. Assim que Julie Andrews aceitou o papel de Mary Poppins, P. L. Travers foi até a maternidade – onde a atriz acabara de dar à luz sua primeira filha – para conhecê-la pessoalmente. Travers achou Julie bonita demais para o papel, mas com o nariz adequado para viver a personagem.

9. O papel de Mary Poppins marcou a estreia de Julie Andrews nas telonas. Concorrendo diretamente com Audrey Hepburn, venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical. Em seu discurso, ela agradeceu a Jack Warner, então presidente dos estúdios Warner Bros, por não tê-la escalado para o papel em My Fair Lady.

10. Julie Andrews também levou para casa o Oscar de Melhor Atriz por seu trabalho em Mary Poppins. Audrey Hepburn sequer foi indicada. Apesar da disputa profissional entre as duas, elas nunca deixaram isso afetar sua relação pessoal. Permaneceram amigas até a morte de Hepburn, em 1993.

11. Foi o papel de Mary Poppins que levou Julie Andrews a interpretar Maria, em A Noviça Rebelde (1965). O diretor Robert Wise e o roteirista Ernest Lehman ficaram tão impressionados com o desempenho da atriz na pele da babá mágica que não pensaram duas vezes para escalá-la como estrela de sua nova produção.

12. Dick Van Dyke, escalado para viver o personagem Bert, na verdade queria mesmo era atuar como o vilão Mr. Dawes, presidente do banco. Ele insistiu tanto que Walt Disney também lhe deu o segundo papel, em troca de uma doação de 4 000 dólares para um projeto do Instituto de Artes da Califórnia.

13. No fim do filme, o papel de Mr. Dawes é creditado a um tal de Navckid Keyd. Trata-se de um anagrama de Dick Van Dyke, que interpretou também o personagem.

14. Para os papéis dos irmãos Jane e Michael Banks, os escolhidos foram Karen Dotrice e Matthew Garber. Foi o segundo dos três filmes estrelados pela dupla: além de Mary Poppins, eles atuaram juntos em The Three Lives of Thomasina (1963) e O Feiticeiro da Floresta Encantada (1967), também dos estúdios Disney. Foi P. L. Travers quem sugeriu a contratação da dupla.

15. Matthew Garber tinha medo de altura. Para contornar a situação, a equipe “subornava” o garoto: ele ganhava uma moeda de 10 centavos toda vez que tinha de filmar as cenas em que as crianças voavam.

16. O ator-mirim teve uma vida curta. Matthew Garber morreu em 1977, com apenas 21 anos, vítima de hepatite contraída durante uma viagem à Índia.

17. O diretor Robert Stevenson fez uma jogada genial ao filmar a cena em que Mary Poppins retira uma série de itens enormes de dentro de sua bolsa de mão. Ele não avisou às crianças que isso ia acontecer. Uma bolsa furada foi colocada sobre uma mesa que também continha um rombo, por onde os objetos eram passados pelo pessoal da produção. Os atores levaram o maior susto, acreditando que realmente se tratava de um passe de mágica. A reação dos dois na cena é, portanto, totalmente autêntica.

18. Em 2003, a revista Empire divulgou uma lista dos piores sotaques da história do cinema. O de Dick Van Dyke, que interpretou Bert em Mary Poppins, ficou em segundo lugar. Bert é natural do East End, região de Londres cujos habitantes têm um sotaque característico. Van Dyke só perdeu para a tentativa de Sean Connery de imitar o sotaque irlandês em Os Intocáveis (1987).

19. Algumas das babás que participam da cena do processo seletivo promovido por Mr. Banks foram interpretadas por homens.

20. David Tomlison, que fez o papel de Mr. Banks, também emprestou sua voz ao guarda-chuva-papagaio de Mary Poppins.

21. O cabelo de Julie Andrews era, na verdade, uma peruca. A atriz mantinha o corte “joãozinho”.

22. Antes de Mary Poppins, o ator Dick Van Dyke (Bert) nunca tinha feito aulas de dança.

23. A babá que deixa a casa da família Banks no início do filme é interpretada por Elsa Lanchester. A atriz também viveu a noiva de Frankenstein, no filme homônimo, de 1935.

24. Jane Darwell, que interpretou a Mulher dos Pássaros, é conhecida por seu premiado papel em As Vinhas da Ira (1940), vencedor do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Walt Disney foi pessoalmente até o Motion Picture Country Home, retiro de aposentados da indústria cinematográfica onde a atriz morava, para convencê-la a voltar a atuar em Mary Poppins.

25. O personagem de Mr. Banks (patriarca da família que contratou Mary Poppins) foi baseado em uma pessoa real: o banqueiro Travers Goff, pai de P. L. Travers. Ah, o verdadeiro nome dela era Helen Lyndon Goff.

26. A autora de Mary Poppins criou um filho adotivo. Ela, na verdade, se aplicou para adotar dois meninos gêmeos, mas em cima da hora mudou de ideia e acabou ficando com um só – Camillus. Travers nunca contou ao garoto que ele era adotado e que tinha um irmão. Camillus descobriu tudo sozinho, já adulto. Antes de decidir adotar os gêmeos, Travers tentou adotar sua empregada de 17 anos.

27. P. L. Travers nunca se casou. Bissexual assumida, a autora se relacionou com homens mais velhos casados e viveu com uma mulher durante anos.

28. Aos 8 anos, P.L. Travers perdeu seu pai; com a mesma idade, Walt Disney foi obrigado pelo pai a trabalhar.

29. A autora de Mary Poppins só gostou de uma música composta para o filme da Disney: “Feed the Birds”. Ela ficou tão insatisfeita com o resultado do trabalho dos irmãos Sherman que os proibiu de participar da montagem na Broadway.

30. Walt Disney também era fã declarado de “Feed the Birds”. Para ele, a mensagem contida na letra da canção, de que não é preciso ter muito para distribuir amor, era o que se pretendia passar adiante com Mary Poppins.

31. P. L. Travers quase cortou “Stay Awake” da trilha sonora do filme. Ela só mudou de ideia depois de receber uma carta de Julie Andrews implorando para que deixasse na produção seu número musical preferido.

32. A sequência de dança “Step in Time” tinha, originalmente, 9 minutos de duração. Por achar a cena longa demais, Robert Stevenson reduziu-a para cerca de 2 minutos. Quando Walt Disney descobriu, fez o diretor voltar atrás da decisão.

33. A música “A Spoonful of Sugar” foi inspirada em uma criança de 7 anos. O letrista Robert B. Sherman estava pensando em um bom hino para Mary Poppins havia semanas, quando sua filha chegou da escola contando que tinha tomado a vacina contra a poliomielite. Pensando que ela tinha tomado uma injeção, ele perguntou se havia doído. A menina respondeu: “Não. Estava misturada a um cubo de açúcar, que engoli inteirinho!”. Bastou para que Sherman criasse a letra de “A Spoonful of Sugar”, cujo refrão diz: Just a spoonful of sugar helps the medicine go down (“uma simples colher de açúcar ajuda o remédio a descer”).

34. A música “Let’s Go Fly a Kite” quase foi registrada com outro nome. Originalmente, a icônica canção de Mary Poppins se chamava “Sticks, Paper and Strings”.

35. Três músicas compostas pelos irmãos Sherman para Mary Poppins foram cortadas da trilha sonora do filme: “The Chimpanzoo”, “Admiral Boom” e “The Beautiful Briny”. Esta última acabou entrando para a trilha de Se Minha Cama Voasse (1971).

36. A palavra “supercalifragilisticexpialidocious” foi tema de uma ação judicial. Surgiram rumores de que a gigantesca palavra supostamente inventada por Mary Poppins tenha sido tirada de uma música de 1949, chamada “Supercalafajalistickexpialadojus”, de Gloria Parker e Barney Young. A Disney levou a melhor, com a justificativa de que variantes da palavra já eram conhecidas muito antes de 1949.

37. Na época, Richard Sherman declarou que ele e o irmão demoraram duas semanas para criar a palavra “supercalifragilisticexpialidocious”. Eles se basearam em uma palavra que tinham inventado quando eram crianças.

38. Quando Mary Poppins chegou aos cinemas, a relação entre Walt Disney e P. L. Travers estava tão esgotada que ela nem foi convidada para a pré-estreia. A autora teve de pedir autorização dos Estúdios Disney para comparecer ao evento.

39. P. L. Travers declarou que odiou o filme. Durante pré-estreia de Mary Poppins, a autora chorou do começo ao fim. Ela só teve coragem de assistir ao filme de novo vinte anos mais tarde.

40. Como Walt Disney previa, Mary Poppins foi um absoluto sucesso de público. Durante 20 anos, assumiu o posto de maior bilheteria da história dos estúdios Disney, com 31 milhões de dólares arrecadados.

41. A produção, filmada inteiramente dentro dos estúdios Disney, custou 6 milhões de dólares.

42. Mary Poppins conseguiu 13 indicações ao Oscar, levando a melhor em cinco delas: Melhor Atriz (Julie Andrews), Melhores Efeitos Especiais, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção Original.

43. O filme também ganhou um Oscar técnico honorário para Petro Vlahos, Wadsworth Pohl e Ub Iwerks (foto acima). O trio foi premiado pela “perfeita concepção de técnicas de fotografia colorida”. Ub Iwerks, por sinal, foi um dos mais famosos animadores de Walt Disney, responsável pelo aprimoramento e animação das primeiras imagens de Mickey Mouse.

44. A Biblioteca de São Francisco, na Califórnia, baniu o livro Mary Poppins de suas prateleiras na década de 1970, por considerar seu conteúdo racista. O problema estava no capítulo “Bad Tuesday”, que narra uma viagem da babá ao redor do mundo. Na ocasião, ela conhece uma série de pessoas de diferentes culturas e etnias. A autora fez uso de gírias e estereótipos racistas para descrever negros, chineses e esquimós. Quando P. L. Travers ficou sabendo da crítica, apressou-se em substituir os personagens do capítulo por animais nas edições seguintes do livro. A obra, no entanto, não voltou a circular na cidade de São Francisco.

45. Nos anos 1980, P. L. Travers (1899-1996) chegou a escrever o roteiro da sequência de Mary Poppins, com base no capítulo “A Volta de Mary Poppins”,  excluído do filme. Até Michael Jackson foi cogitado a participar do elenco. A produção não vingou devido a obstáculos impostos pelos Estúdios Disney.

46. Walt nos Bastidores de Mary Poppins, de John Lee Hancock, é o primeiro filme da Disney que narra sua própria história. Tom Hanks é o primeiro ator a interpretar Walt Disney em um longa-metragem de Hollywood.

47. A produção de John Lee Hancock é apenas a terceira da história de Hollywood a ser filmada na Disneylândia. Até então, só haviam obtido a autorização o filme The Wonders – O Sonho Não Acabou (1996), de Tom Hanks, e 40 Pounds of Trouble (1962), de Norman Jewison.

48. A produção de Walt nos Bastidores de Mary Poppins foi bastante criteriosa em relação à idade de seu elenco. Jason Schwartzman e B.J. Novak, que interpretaram os irmãos Sherman, tinham exatamente a mesma idade que os músicos tinham na época em que compuseram a trilha de Mary Poppins – 32 e 34 anos, respectivamente.

49. Karen Dotrice, que interpretou a pequena Jane Banks em Mary Poppins, não sabia nada sobre a história de P. L. Travers até assistir a Walt nos Bastidores de Mary Poppins. Ela também nunca tinha assistido ao filme Mary Poppins inteiro. A atriz saiu em prantos da pré-estreia do filme.

50. O Central Park, em Nova York, quase ganhou uma estátua de Mary Poppins. Em 1966, um grupo de australianos de Bowral, cidade natal de P. L. Travers, cedeu uma réplica da babá mágica para a administração do parque. Mas a obra era tão feia que, quando mostrada em público, a revista Time publicou um editorial difamando aquilo que chamou de “arte extremamente ruim”. Bastou para o Central Park recusar o presente.
(com reportagem de Júlia Bezerra)

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3 Comentários

3 Comentários

  1. Pedro A. Ikeda

    Bom artigo, esmiuçando detalhes de um clássico da minha infância. Faltou dizer que a atriz que fez a Mulher dos Pássaros morreu logo depois das filmagens.

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  2. Marcelle Folly

    Walt Disney me fazia viajar com suas mágicas estórias. Estranhamente, onde moro , nunca pude ver esse filme. Só agora, juntamente com a história da autora e de Disney pude me emocionar muito com os dois filmes. Olha que já passo dos 50. Me recordo da seriedade e rigor da minha educação, de não ter tudo o queria , mas, podia sonhar graças a esse homem meio mago, e, adorado Walt Disney.

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  3. Mari

    Gostei muito e fiz uma referencia ao seu site sobre o filme em um post sobre os ano de 1964.

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