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Palavras com países, lugares e nacionalidades

24 de abril de 2019

 

Barbante
O Dicionário Houaiss explica que a palavra barbante é uma metátese (troca na posição dos fonemas) de Brabante, nome de um “ducado, na Bélgica, conhecido pelo artesanato de cordões de cânhamo”. Cânhamo, nome popular da Cannabis sativa, é um tipo de arbusto nativo da Ásia que atinge entre 3 e 4 metros de altura. Seu emprego na fabricação de cordas é muito antigo. Há registros de 2.300 a.C. que fazem referências ao cultivo de cânhamo com o propósito de extrair suas fibras pelos chineses. Uma curiosidade: a maconha é feita dos ramos, flores e folhas secas do cânhamo.

Brazilian
É assim que os ingleses chamam a depilação da virilha popular entre as brasileiras, no qual quase todos os pêlos pubianos são arrancados. A palavra consta no prestigiado dicionário britânico Oxford.

Cheddar
O queijo recebeu o mesmo nome do local onde foi inventado: o desfiladeiro de Cheddar, localizado no noroeste da Escócia. A região produz o laticínio desde o século 16. Ele possui uma cor amarelo-vivo e uma casca marrom-acinzentada e é feito de forma prensada. Por causa de seu gosto forte é chamado de “queijo de ratoeira”.

Cuba livre
A combinação de rum, Coca-Cola e uma rodela de limão surgiu no início do século 20, durante a Guerra Hispano-Americana. O conflito resultou na independência de Cuba de sua metrópole, Espanha. Na disputa, os cubanos contaram com o apoio dos EUA, que acabou invadindo o país em 1961. A fábrica de rum Bacardi menciona que, de acordo com os relatos feitos pelo mensageiro Fausto Rodriguez, os soldados pertencentes ao Corpo do Exército Notável norte-americano saíram para beber em um dia de folga. Um capitão pediu a mistura e bebeu com tanto vigor que provocou vontade nos companheiros. Todos pediram uma rodada, brindando à independência com um sonoro “Por La Cuba Libre!” (Pela Cuba livre!). O drinque se popularizou graças a uma canção chamada “Rum e Coca-Cola” gravada pelo grupo Andrews Sisters em 1945.

Gorgonzola
O Consórcio de Proteção do Queijo Gorgonzola, sediado em Novara (Itália), explica que há diversas explicações para a origem deste laticínio. Alguns pesquisadores acreditam que ele surgiu na cidade de Gorgonzola, uma província italiana de Milão, em 879 d.C. Outros, que o mérito de sua invenção pertence a Pasturo, região de Valsassina. O local possui cavernas naturais com condições perfeitas para a maturação de diversos tipos de queijo. De qualquer forma, o laticínio herdou o nome de Gorgonzola porque a vila foi por anos sua principal fabricante. Tanto que, originalmente, ele era conhecido por Stracchino de Gorgonzola. Stracchino vem da palavra stracco, que quer dizer cansado. Na época, o leite usado para preparar a iguaria era tirado no outono, depois que as vacas voltavam “cansadas” de um período de pastagem nas montanhas.

Gravata
Em “La Grande Histoire de La Cravate” (“A Grande História da Gravata”), Françoise Chaile conta que em 1635 um grupo de 6 mil militares da Croácia foram a Paris manifestar seu apoio aos franceses em uma guerra religiosa travada com os suecos. Eles usavam uma tira de pano no pescoço como parte do uniforme. A dos oficiais era feita de algodão e seda e a dos soldados rasos, de um tecido grosseiro. O elemento caiu no gosto dos nobres franceses da corte e foi adotado sob a expressão a la croate. Ela deu origem ao termo francês “cravate”, que por sua vez originou a palavra gravata.

Limusine
Segundo o Dicionário Houaiss, limusine deriva de Limousin, o nome de uma região francesa na qual está localizada a cidade de Limoges. O termo também era usado para batizar uma espécie de lã grosseira usado pelos pastores que habitavam a região. Em 1902, passou a denominar uma antiga carroceria de automóvel em que só a parte de trás era fechada. Outra seria uma homenagem do inventor da carrorecia, Charles Jeantaud, ao local onde nasceu.

Maionese
Existem diversas explicações para a origem do nome da iguaria. A versão mais provável, de acordo com Silvio Lancelotti em “O Livro da Cozinha Clássica”, é a que faz referência à invasão de Port Mahon, capital da ilha de Minorca, no Mediterrâneo. O lugar pertencia à Espanha e foi tomado pelo exército francês, sob o comando do duque de Richelieu, em 1756. Durante a ação, o cozinheiro do nobre teve que preparar um molho frio, já que usar fogo chamaria a atenção do inimigo. Lançou mão de uma mistura ibérica chamada “mahonesa”, que no final virou “mahonnaise” e, por fim, maionese.

Persiana
O Decor Year Book – Anuário Brasileiro dos Designers de Interiores” diz que os povos do Oriente Médio e da África tinham o costume de utilizar treliças e ripados de madeira para se protegerem das intempéries do tempo. Um modelo muito usado na Pérsia, atual Irã, se tornou popular na França no século 18 sob o nome de “persienne”. Era fabricado com lâminas estreitas e paralelas de madeira. No Brasil, “persienne” virou persiana. A Itália a batizou de janela veneziana.

Tangerina
A origem da fruta é chinesa, mas ela também foi plantada em pomares da Babilônia e Palestina. De acordo com “Epicurious Food Dictionary”, foi Tânger, uma cidade marroquina, que acabou dando nome à tangerina. Ela chegou à Europa pelas mãos dos soldados durante as Cruzadas e foi trazida ao Brasil pelos imigrantes portugueses, no século XVI.

Torrone
Foi criado na Lombardia (Itália) no século 15. Inspira-se na torre de Cremona. Por isso, acabou batizado com uma derivação do nome do monumento (“Torr’Ione”).


Livro reúne histórias e curiosidades sobre a Língua Portuguesa

 

 

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