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5 índios que foram notícia

24 de abril de 2019

1. Mário Juruna
Esse cacique xavante apareceu em Brasília por volta de 1977. Era apenas o líder de sua comunidade, que ia pedir agasalhos, cobertores e sapatos para o governo. A única diferença é que andava sempre com um gravador em que registrava todas as promessas que lhe faziam. Quando algum funcionário ou político tentava desmentir que houvesse prometido algo a ele, Juruna reunia a imprensa e mostrava a gravação da conversa. Juruna viveu na selva, sem contato com a civilização, até os 17 anos. Em 1982, já famoso, ele se candidatou a deputado federal pelo PDT e foi eleito com cerca de 32 mil votos no Rio de Janeiro. Desgastado com as lideranças do partido por causa de suas declarações explosivas e sem a mesma popularidade do início da década, Juruna não conseguiu a reeleição em 1986. Ele faleceu em 17 de julho de 2002, aos 58 anos, depois de passar quinze dias internado por causa de problemas renais. Seu corpo foi enterrado na aldeia xavante Namuneurá, em Barra das Garças, Mato Grosso.

2. Galdino de Jesus
O índio pataxó Galdino Jesus dos Santos resolveu dormir numa parada de ônibus da avenida W/3 Sul, em Brasília. Ele foi da Bahia para a capital participar das festividades do Dia do Índio e defender a demarcação da reserva pataxó. Voltou tarde para a pensão em que estava hospedado e não conseguiu entrar. Por volta das 5 horas da madrugada de 20 de abril de 1997, cinco adolescentes da classe média alta de Brasília jogaram álcool e atearam fogo no índio. Algumas pessoas tentaram socorrer Galdino, que foi levado para um hospital. Uma testemunha anotou a placa do Monza preto usado pelos rapazes. “Queríamos assustar um mendigo, não sabíamos que era um índio”, disse Antônio Novély Cardoso Villanova, um dos assassinos. Queimado da cabeça aos pés, o índio morreu 22 horas depois.

3. Paulo Paiakan
O cacique caiapó Paulo Paiakan poderia ser lembrado pela medalha de honra que recebeu na 4ª Reunião Anual da Better World Society (Sociedade para um Mundo Melhor) das mãos do ex-presidente Jimmy Carter. Foi uma honraria que nenhum ecologista brasileiro recebera até então. Mas Paiakan é lembrado mesmo por um incidente ocorrido em maio de 1992. Ele foi condenado a seis anos de prisão em regime fechado, acusado de torturar e estuprar a estudante Silvia Letícia da Luz Ferreira, à época com 18 anos. A mulher do cacique, Irekran, que participou dos atos de violência, foi condenada a quatro anos. O casal estava embriagado quando o crime ocorreu. Os índios, por não serem emancipados, não são alcançados pela lei dos brancos. Mas a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Pará, que condenou Paiakan por unanimidade, considerou que o cacique já estava aculturado. Tinha, portanto, discernimento de que praticava um crime. Paiakan e Irekran já haviam sido julgados e inocentados em 1994.

4. Raoni
O líder da tribo txucarramãe nasceu no Mato Grosso em 1930. Ele ganhou fama internacional ao estrelar um documentário sobre a vida de sua tribo, que habita o norte do Parque Nacional do Xingu. O filme foi mostrado no Festival de Cannes de 1977. A partir daí, ele passou a ser convidado para vários eventos no exterior, atraindo a simpatia da opinião pública internacional para a causa indígena. Em 1986, o cacique Raoni tentou salvar a vida do naturalista Augusto Ruschi, envenenado por sapos. Fez uma pajelança. Não adiantou. Ruschi morreu. No mês de abril de 1989, ele viajou pela Europa em companhia do cantor inglês Sting para arrecadar fundos para a Fundação Mata Virgem. Foi recebido pelo Papa e por chefes de Estado, como o presidente François Miterrand, da França, e os primeiros-ministros Felipe González, da Espanha, e Margareth Thatcher, da Inglaterra.

5. Guarani Kaiowá
Em outubro de 2012, um grupo de índios da tribo Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, escreveu um texto endereçado ao Governo e à Justiça Federal, pedindo a anulação de uma ordem de despejo. Isso porque eles haviam sido ameaçados de morte coletiva caso não deixassem a propriedade onde residiam. A tribo já vinha sofrendo com o genocídio de seus membros havia anos. A carta acabou atingindo as redes sociais Facebook e Twitter, desencadeando uma onda de mobilização solidária por parte dos internautas. Muitos chegaram inclusive a mudar seu sobrenome no Facebook para Guarani-Kaiowá, como forma de demonstração de apoio à tribo indígena. A mobilização obrigou tanto o Governo quanto a imprensa a colocar o assunto em pauta, chamando atenção nacional para o problema de difícil resolução.

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