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11 ilhas e arquipélagos

24 de abril de 2019

1. Abrolhos
O primeiro homem a citar o arquipélago foi o experiente Américo Vespúcio, que guiou a expedição de 1503 chefiada por Gonçalo Coelho. Preocupado em registrar os perigos da área, ele anotou numa carta: “Quando te aproximares da Terra, abre os olhos” – o nome Abrolhos surgiu de uma corruptela desse alerta, com boa dose de sotaque português. Vespúcio se referia aos traiçoeiros recifes do local.
Abrolhos é formado por cinco ilhas: SiribaRedonda,SuesteGuarita e Santa Bárbara, a maior ilha de Abrolhos e a única habitada, por famílias dos homens da Marinha. Eles cuidam do farol instalado ali em 1861, uma garantia aos navegantes desavisados. Construído durante o reinado de d. Pedro II, ele tem 24 metros de altura e um alcance de 22 milhas.
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos tem 91.300 hectares. A área envolve quatro ilhas do arquipélago – Santa Bárbara está fora -, o mar circundante e os recifes vizinhos do parcel de Abrolhos.
A reserva também alcança o recife das Timbedas, na altura da cidade de Alcobaça. Nessas áreas protegidas, é absolutamente proibida qualquer atividade pesqueira, o que garante a reprodução das espécies marinhas na região.

2. Alcatrazes
São 12 ilhas, ilhotas, a 33 quilômetros da costa de São Paulo, que pertencem à Marinha. Ali, desde 1982, são realizados treinamentos de tiro e desembarque. O nome é o mesmo das 15 mil aves que dominam o arquipélago. A maior ilha tem 1,94 metro quadrado.

 
O golfinho-pintado-do-atlântico é um visitante habitual do lugar, cujo cardápio cerca de 150 espécies de peixes. A pesca e o mergulho no local são proibidos. Somente é autorizada a atividade de mergulho em casos especiais, como por exemplo, para pesquisadores.
 

3. Atol das Rocas
O Atol das Rocas, a 240 quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte, é formada por corais. Seu acesso é bastante difícil por causa dos recifes que o cercam.
Um dos locais onde as aves migratórias se reproduzem, é reserva biológica desde 1979; foi a primeira do país. É o habitat de mais de 100 mil aves.
Construído em 1883, o farol de Rocas hoje é automático. Mas nem sempre foi assim. Há histórias terríveis envolvendo faroleiros locais. Conta-se que a família inteira de um faroleiro morreu de sede depois que a filha dele, brincando, deixou aberta a torneira do reservatório de água – não há nenhuma fonte no atol. 

O último que viveu lá, até 1924, várias vezes foi abandonado pelos barcos que traziam mantimentos do continente. Não morreu por pouco. As ruínas de sua casa dão uma idéia do aspecto funesto do lugar.
 

4.Ilha do Bananal 
É a maior ilha fluvial do mundo. Tem 20 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao estado de Sergipe ou 2 Jamaicas ou 117 ilhas de Manhattan (EUA).Fica em Tocantins, a 250 quilômetros da capital, Palmas, e é banhada por dois braços do Rio Araguaia.
Um terço de sua área abriga o Parque Nacional do Araguaia, onde vivem a tartaruga-da-amazônia, o cervo-do-pantanal, o boto cor-de-rosa, a onça-pintada, o lobo-guará, o pirarucu e mais de 150 espécies de aves.

A ilha do Bananal tem quase 100 lagos, e três rios nascem e morrem dentro de seus limites. No restante da ilha há uma reserva indígena. Moram ali 1800 índios carajás, javaés, avás-canoeiros e tapirapés.


5. Ilha do Caju

A ilha localiza-se na região do delta do Parnaíba, na divisa do Maranhão com o Piauí. O ecossistema dessa ilha é um dos mais preservados do Brasil. Acontece ali a mistura da água doce do Rio Parnaíba com a salgada do oceano Atlântico.

A ilha do Caju tem florestas de manguezais, dunas, igarapés e lagoas. 

É habitada por macacos, quatis, veados, raposas, cotias, garças, jacarés e tartarugas marinhas.

Ela chegou a ser usada década de 70 para a fabricação final da estrutura de aço da Ponte Rio-Niterói.


6. Ilhabela

Ela já teve o nome de Vila Bela da Princesa, em homenagem da princesa da Beira. 

Em 1938, por força de decreto estadual, passou a ser chamada de Formosa.

 Foi apenas em 1944, ainda por decreto que passou a ser denominar definitivamente Ilha de São Sebastião; mas na verdade é conhecida como Ilhabela.

Ela é a maior ilha marítima do Brasil, com seus 332 quilômetros quadrados, superando Búzios, ilha das Cabras e da Vitória, que, porém, são mais habitadas. 

A segunda maior ilha marítima brasileira é Itaparica, que tem 239 quilômetros quadrados.

7. Mariuá
É o maior arquipélago fluvial do mundo. Mariuá, que na língua nheengatu significa “fartura“, tem 700 ilhas, 300 a mais que o arquipélago de Anavilhanas, o segundo maior. Os dois ficam no leito do rio Negro. Mariuá tem uma extensão de 140 quilômetros (contra 100 de Anavilhanas) e 20 quilômetros de largura (contra 15 do antigo recordista).
O arquipélago pertence à cidade de Barcelos, a 490 quilômetros de Manaus. Barcelos já chamou-se Missão de Nossa Senhora da Conceição de Mariuá. Com 122.490 quilômetros quadrados de área (algo como quatro Bélgicas juntas), Barcelos é o maior município brasileiro.
 

8. Penedos de São Pedro e São Paulo
Cerca de cinco dias de navegação separam os penedos do litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, estados mais próximos. Suas cinco ilhas principais, rodeadas de ilhotas e pequenas rochas, têm altura máxima de 12 metros e cerca de 350 metros de extensão.
Não há uma única fonte de água potável, nem qualquer tipo de vegetação que crie uma sombra natural. Áreas mais ou menos planas, que poderiam ser ocupadas, são escassas e estão todas tomadas pelo excremento das aves marinhas.

Há sinais da existência dos penedos em cartas náuticas que datam de 1536. Mas o primeiro registro de uma visita às pedras é de um certo capitão espanhol Amasa Delano, que viajava no navio Perseverance em 1799.

A Marinha tentou instalar um farol nas pedras, em 1932. O ambiente selvagem do lugar se encarregou de destruí-lo como se fosse um invasor. Com apenas um ano de funcionamento, um terremoto levou sua estrutura a ruir.

Os penedos de São Pedro e São Paulo, quem diria, foram as primeiras terras do continente americano documentadas pelo inglês Charles Darwin na longa viagem pelo mundo em que ele elaborou sua teoria da evolução das espécies. O navio em que viajava, o Beagle, apenas começava sua jornada de cinco anos pelos mares quando topou com o conjunto de pedras no meio do Atlântico, num belo dia de sol de 1831.
 

9. Trindade e Martim Vaz
Duas erupções fizeram surgir a ilha da Trindade e as de Martim Vaz, separadas por 30 quilômetros e descobertas em 1501 pelo navegador português João da Nova. É a porção mais longínqua do Brasil, perdida no meio do Atlântico – a 1200 quilômetros de Vitória. É um paraíso ecológico guardado por 32 voluntários da Marinha, que se revezam a cada quatro meses. Tem 9,2 quilômetros quadrados. Seu pico mais elevado, o Desejado, tem 600 metros de altitude.
Piratas ingleses escondiam ali tesouros e navios negreiros. Em 1890, Trindade foi ocupada pelos ingleses com grande sem-cerimônia, sob o pretexto de construir uma base para a ligação da Inglaterra com a Argentina por cabo submarino. O Brasil apostou na diplomacia e, com o arbitramento de Portugal, ganhou a questão. Os ingleses deixaram a ilha em 1896. No ano seguinte, a tripulação do navio Benjamin Constant colocou o marco que lá permanece: “O direito vence a força”.
As samambaias gigantes existentes na ilha podem atingir até 6 metros de altura, desafiando botânicos que ainda nada descobriram sobre sua origem.
Trindade é um dos santuários para a desova das tartarugas marinhas. Animais de 300 quilos arrastam-se vagarosamente até as poucas praias para depositar seus ovos. Cavam um buraco nas areias vulcânicas e põem em torno de 120 ovos. A Marinha mantém ali na ilha um posto avançado de observações meteorológicas.
 

10. Fernando de Noronha
O arquipélago de Fernando de Noronha tem 18 ilhas e ilhotas, totalizando 26 quilômetros quadrados. Apenas a principal, que também se chama Fernando de Noronha, é habitada. Trata-se da mais bela e fascinante ilha brasileira; ganhou o apelido de Esmeralda do Atlântico.
Em 1504, o aristocrata português Fernan de Loronha, um mercador abastado, recebeu de presente de d. Miguel I uma ilha perdida no Atlântico. Ainda que o lugar fosse encantador, o nobre não mostrou o menor interesse por ele. Tanto que, anos mais tarde, a Coroa portuguesa tomaria o presente de volta. A única coisa que o aristocrata fez foi batizar o local, embora jamais tivesse posto os pés ali.
Por quase dois séculos, a ilha ficou abandonada, sendo alvo fácil de piratas e invasores. Foi ocupada por holandeses, que a chamavam de Pavônia, e por franceses, que lhe deram o apelido de Ilha dos Golfinhos. 
No ano de 1737, pernambucanos e portugueses a recuperaram para o Brasil. Para evitar novas invasões, 10 fortes foram construídos, formando o maior conjunto defensivo do período colonial. Hoje restam ruínas de apenas dois deles, o dos Remédios e o de São Pedro do Boldró. Na Segunda Guerra Mundial, Fernando de Noronha serviu de base para aviões americanos. Desde 1988, é propriedade do governo de Pernambuco.

11. Ilha de Marajó
Com 50 mil quilômetros quadrados de área, a ilha de Marajó é um colosso maior que a Bélgica, a Suíça ou a Holanda.

Mas, se ela é bem maior que a ilha do Bananal, por que não ficou com o título de maior ilha fluvial do mundo?

Simples: Marajó é uma ilha fluviomarinha, ou seja, ela é banhada por água doce e por água salgada. A cidade de Soure, na costa leste de Marajó, é considerada a capital da ilha por oferecer mais infra-estrutura e serviços, como hotéis, restaurantes e uma agência do Banco do Brasil.

Os búfalos, símbolos de Marajó, começaram à ilha em 1902, trazidos de navio da Índia. No princípio, era apenas um animal de tração, mas logo se mostrou perfeitamente comestível.

Eram os deuses marajoaras?
Urnas funerários, cacos de cerâmica e bonecos de barro são os principais vestígios da presença na ilha de Marajó de uma civilização que utilizava a arte como uma forma de expressão de seus hábitos e crenças. Sua arte foi batizada de cerâmica marajoara e, segundo arqueólogos, esses povos teriam imigrado do Noroeste da América do Sul por volta do ano 400. Antes deles, três outras tribos passaram por Marajó, mas sem deixar obras significativas.
O desaparecimento dos marajoaras ocorreu por volta de 1350 e pode ser explicado por uma gradual decadência do grupo, que não teria conseguido se adaptar às condições ecológicas do local, muito diferente das de seu sítio de origem.

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