A história dos pratos e comidinhas clássicos

27 de julho de 2020

Bauru

Quando Casimiro Pinto Neto mudou de Bauru (SP) para São Paulo (SP), na década de 1930, ganhou o nome de sua terra natal como apelido. Certo dia, Bauru chegou ao restaurante Ponto Chic, lugar que costumava frequentar com seus amigos, e disse ao cozinheiro que queria fazer um sanduíche que atendesse à alimentação perfeita. O lanche deveria levar hidrato de carbono (pão), gordura (manteiga), proteína (carne e queijo) e legumes. Foi assim que nasceu a famosa combinação de rosbife, queijo derretido, alface e tomate. A delícia acabou sendo batizada com o nome de seu criador. Casimiro, que morreu em 2 de dezembro de 1983, também ficou conhecido pela apresentação do programa de notícias Repórter Esso. Ele assessorava Paulo Machado de Carvalho, dono da Record.

Brigadeiro

O brigadeiro foi criado no Brasil meio por acaso. Logo depois da Segunda Guerra Mundial, era quase impossível arranjar ingredientes para fazer sobremesas. Alguém resolveu misturar leite condensado e chocolate, e acabou criando o doce. Inicialmente, ele ficou conhecido como bombardeiro, porque as crianças costumavam fazer guerrinhas com as bolinhas de chocolate. As mães, buscando soluções para evitar que as ditas-cujas grudassem na roupa dos pequenos, resolveram cobri-las com granulado. Foi assim que a delícia assumiu sua forma atual. Depois, ela foi rebatizada por causa do brigadeiro Eduardo Gomes, político e candidato à Presidência em 1945 e 1949 — derrotado pelo general Eurico Gaspar Dutra e por Getúlio Vargas, respectivamente. Por causa de um tiro que levou durante a Revolta dos 18 do Forte, rolavam boatos de que ele não tinha o saco escrotal, órgão cuja forma é semelhante ao do doce de chocolate.

Carpaccio

O prato foi criado por Giuseppe Cipriani para um cliente do Harry´s Bar, em Veneza, que não podia comer carne cozida, nem assada. Cipriani fatiou finos pedaços de filé-mignon e cobriu com maionese. O nome da receita foi uma homenagem a Vittore Carpaccio, pintor venesiano do século XV, famoso pelas obras brancas e vermelhas, cores do novo prato.

Coq-au-vin

O prato clássico da cozinha francesa nasceu durante uma batalha entre os homens de Vercingetórix, chefe dos celtas, e o exército romano de Júlio César. Para  simbolizar sua rendição, Vercingetórix enviou um galo de briga  a Júlio César e foram jantar juntos. O galo acabou cozido no vinho. A partir daí, o coq-au-vin passou a ser preparado com galos reprodutores, abatidos já velhos. Hoje, ele é feito com galinha-caipira e vinho da Borgonha.

Goulash

Sopa húngara feita de carne bovina, cebolas e páprica, acompanhada de batatas. As tribos nômades do século IX procuravam uma alimentação ade- quada ao seu modo de vida. Já comiam fatias de carne cozida em fogo brando com cebolas. Nos acampamentos, preparavam uma sopa cozinhando essa carne em água com rabanetes. Mais tarde, a páprica e as batatas foram acrescentadas ao prato. Páprica é um tempero em pó feito de pimentão vermelho.

Espaguete à putanesca

Para preparar o molho, basta misturar azeite, tomate, alcaparras, anchova, azeitona, orégano, salsa e pimenta. A receita tradicional do espaguete “alla puttanesca” surgiu em Nápoles, na Itália. Há duas versões para a origem do nome do prato (“espaguete à moda das prostitutas”, em italiano). Uma delas conta que as prostitutas adotaram a receita por sua praticidade e rapidez, que permitia o preparo da refeição nos intervalos entre um cliente e outro. A outra versão diz que o prato servia para atrair clientes em potencial, uma vez que o espaguete “alla puttanesca” é bastante aromático.

Estrogonofe

Os soldados russos costumavam transportar pedaços de carne em barris, usando sal grosso e aguardente como conservantes. Para preparar a refeição, eles juntavam cebola à carne. No reinado de Pedro, o Grande (1672-1725), o prato foi aperfeiçoado por um cozinheiro chamado Paul Stroganov, que adicionou creme de leite e tomate à combinação, e o prato acabou sendo batizado com seu nome. Em 1800, o chef francês Thierry Costet, trabalhando na Rússia, adicionou os ingredientes nobres — champignons, mostarda, páprica e molho inglês.

Fondue

Durante o rigoroso inverno suíço, os camponeses derretiam restos de queijo e molhavam o pão duro na pasta que se formava para que amolecesse. Como o fogo era meio lento, resolveram colocar uma aguardente da região para acelerar o derretimento e evitar que a mistura ressecasse.

Feijoada

Nasceu nas senzalas que abrigavam os escravos no Rio de Janeiro, no final do século XIX. Quando os nobres matavam um porco, os restos indesejados — pés, orelhas, rabo e tripas — eram dados aos escravos. Eles misturavam tudo isso ao feijão durante o cozimento e colocavam farinha assada por cima antes de comer. A ideia de criar receitas utilizando restos originou pratos ainda hoje famosíssimos, como a paella espanhola (frutos do mar) e o cas- soulet francês (carnes de aves).

Macarrão

A palavra “macarrão” tem aproximadamente 25 séculos e vem do grego makària. Significa caldo de carne enriquecido de pedaços de farinha e misturado com cereais. Apenas na Idade Média (476 d.C.), o termo passou a ser utilizado para indicar diversos tipos de massas. Um dos indícios mais antigos do macarrão revela que os assírios e babilônios, por volta de 2500 a.C., conheciam um produto à base de cereais e cozido com água. A palavra “espaguete” vem do italiano spaghetti e significa corda pequena. No século XVIII, o macarrão era tão popular na Europa que alguns aristocratas ingleses viajavam até Nápoles, na Itália, para comer o prato que era vendido na rua.

Pizza

A história da pizza começou há 6 mil anos, com os egípcios. Acredita-se que eles foram os primeiros a misturar farinha com água. Os egípcios teriam ainda inventado um forno em forma de cone: colocavam fogo dentro e grudavam a massa na parede de fora. Quando ela se descolasse, sabiam que estava pronta. Outros afirmam que os pioneiros são os gregos, que faziam massas à base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e as assavam em tijolos quentes. Depois, a massa era saboreada com cebola crua, azeite e vinagre. A novidade foi parar na península da Etrúria, na Itália.

Era um alimento de pobres do Sul da Itália. Mas foram os napolitanos que passaram a acrescentar molho de tomate e orégano à massa, que era dobra- da ao meio e devorada como se fosse um sanduíche. Quem tinha um pouco mais de dinheiro colocava queijo, pedaços de linguiça ou ovos por cima. A partir do século XVI, a novidade era apreciada na corte de Nápoles e logo se espalhou pelo mundo. Pizzas podem ter uma centena de coberturas. No dia 11 de junho de 1889, o mestre de cozinha Rafaelle Esposito recebeu a visita da rainha Margherita da Itália em seu restaurante, na cidade de Nápoles. A redonda servida à majestade foi enfeitada com as cores da bandeira italiana: queijo (branco), manjericão (verde) e tomate (vermelho), e acabou levando o nome da rainha.

Polenta

É uma receita muito antiga e a polenta começou como um alimento de camponeses, ótima alternativa para o pão. Cerca de 500 a.C., os gregos aprenderam a macerar grãos de trigo em água. Depois, eram cozidos em potes de argila, resultando numa pasta chamada pultes. Na Itália da Idade Média, esse preparado era misturado com favas moídas e aquecido com óleo e cebola. Depois que Cristóvão Colombo voltou da América com o milho na bagagem, a polenta passou a ser preparada com água, farinha de milho e trigo-sarraceno, e enriquecida com mais ingredientes. O grão chegou primeiro à Espanha, mas ganhou fama na Itália, onde transformou-se em farinha e, depois, em polenta. As regiões de Friula e Lombardia disputam o mérito da conquista. A primeira, por relatar a iguaria em documentos do século XVI; a outra, por ter a receita mais antiga, do século XVII. E as brigas atingem até a origem do nome. Há quem diga que vem do grego (poltos) e outros, do latim (pólen).

Risoto

O arroz era um prato sagrado no Oriente e chegou à Europa no século IX.  Os italianos, em especial, ficaram maravilhados com a novidade e criaram as melhores receitas com arroz, os famosos risotos. O risoto à milanesa, com açafrão e vinho branco seco, nasceu em 1754, durante os preparativos para a festa de casamento de um artesão da Lombardia. O ajudante do cozinheiro deixou cair um pacotinho de açafrão num panelão de arroz. Todos ficaram maravilhados com a tonalidade dourada — o açafrão era usado como corante na época — e com o bom sabor da mistura.

Tournedos Rossini

O compositor Gioacchino Antonio Rossini, autor do clássico O barbeiro de Sevilha, foi jantar no hoje extinto Café Anglais, no boulevard des Italiens,   em Paris. Pediu ao chef Marcel Magny um medalhão de filé coberto por uma fatia de foie gras e trufas laminadas. Contrariado com tão esdrúxulo pedido, Magny fez questão de escondê-lo dos outros fregueses. Pediu que o maître servisse de costas para a sala — en tournant le dos, em francês. Isso teria dado origem ao nome tournedos.

 

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