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Show de horrores: 10 pessoas com anomalias que viraram atrações de circo

20 de maio de 2016

Respeitável público, o maior espetáculo da Terra já vai começar! O circo chegou! Só que dessa vez não há palhaços, malabaristas ou mágicos debaixo das tendas. Diga olá ao “show de horrores”, a atração favorita entre os anos de 1840 até 1970 em muitos lugares dos Estados Unidos e  da Europa. Eram nesses exóticos circos que aconteciam exibições de humanos que apresentavam anomalias genéticas, doenças ou até mesmo deficiências. Tipos como a “Mulher Macaco”, o “Homem Coruja” e o “Garoto Lagosta” eram apenas uma pequena parcela do entretenimento ofertado nesses locais.

Leia também: fatos curiosos sobre a história do circo

O Blog do Curioso pesquisou algumas dessas atrações, que se tornaram mundialmente conhecidas, chegando a inspirar filmes e personagens bem atuais:

Julia Pastrana – A Mulher Macaco

Mexicana de origem indígena, Julia Pastrana (1834-1860) media cerca de 1,30m e sofria de hipertricose lanuginosa congênita, uma doença rara – foram relatados cerca de 50 casos em toda história. A principal característica da anomalia era a excessiva quantidade de pelos pelo corpo, exceto na palma das mãos e na planta dos pés. Foi a doença de Julia que fez com que ficasse conhecida como “A Mulher Macaco”.

Julia casou-se com Theodore Lent, um empresário artístico, que a colocou em apresentações circenses. Julia cantava óperas, dançava e até costurava, sozinha, todo o figurino utilizado em seus números. Depois de construir uma carreira na Europa, teve um filho com Lent. Acredite: ele vendeu ingressos para que o público presenciasse o parto. A criança, que nasceu com a mesma doença da mãe, viveu por poucas horas e Julia morreu dois dias depois da morte do filho. Ambos foram mumificados e exibidos como atração pelo ex-marido e empresário.

Os corpos estão sob a guarda de uma instituição norueguesa e não ficam expostos. Em 1963, o cineasta italiano Marco Ferreri dirigiu o filme “La donna scimmia” (ou “A mulher macaco”, em português). A inspiração do diretor foi a jovem Julia.

Leia mais: A história de Monga, a mulher gorila

Maurice Tillet – a inspiração do ogro Shrek

O filme de animação “Shrek” foi lançado em 2001, mas a inspiração veio da Rússia muito tempo antes. Maurice Tillet nasceu em 23 de outubro de 1903. Aos 17 anos, o corpo do rapaz começou a sofrer alterações estranhas. A acromegalia, uma síndrome provocada pela produção anormal do hormônio de crescimento, provocou crescimento exagerado de crânio, mandíbula, mãos e pés.


Apesar de extremamente culto – chegou a aprender cerca de 10 idiomas e foi poeta –, Tillet sabia que seria julgado por causa de sua aparência. Por isso,  migrou para o teatro e, em 1937, foi para os Estados Unidos, onde se dedicou à carreira de lutador profissional. Foi  campeão dos pesos-pesados em luta livre pela American Wrestling Association. No ringue, adotou o nome de The French Angel (“O Anjo Francês”), por causa dos pais, ambos franceses.

Antes de morrer, em 1954, Tillet permitiu que fossem feitos moldes em gesso de sua cabeça. Foram produzidas três máscaras. Duas ficaram expostas em museus norte-americanos – Museu Internacional da Luta Livre, em Iowa, e o Museu Barbell, em Nova York. A última ficou com o empresário Patrick Kelly. Anos depois,  outras cópias foram feitas e vendidas.

Josephene Myrtle Corbin – A Mulher de Quatro Pernas

A americana Josephene Myrtle Corbin nasceu em 1868, com uma doença rara, que a fez ficar conhecida como “A Mulher de Quatro Pernas”. Seu corpo era duplicado da cintura para baixo: Josephene tinha quatro pernas, dois sistemas reprodutores e dois excretores. Não se sabe ao certo o motivo da anomalia, mas crê-se que ela tenha ocorrido por causa de uma fusão de dois embriões no útero da mãe. Apesar disso, apenas uma perna da moça era totalmente funcional.


Ela viajava por todo o país se apresentando em circos e em feiras. Deixou a “vida artística” aos 19 anos, depois que se casou com o médico Clinton Bicknell. Ela teve cinco filhos: três de um útero e dois do outro. Mais tarde voltou a se apresentar, faturando algo em torno de 500 dólares. Ela morreu em 1928, aos 60 anos.

Pip e Flip – As gêmeas de Yucatán

Pip e Flip eram gêmeas que sofriam de microcefalia (má formação do crânio). Elas se apresentavam no Circo dos Horrores, junto com outros personagens considerados bizarros.

Pip e Flip ficaram conhecidas como “As Gêmeas de Yucatán“. Acreditava-se que ambas haviam nascido na Península Mexicana. Elas também foram fontes de inspiração para o filme “Freaks” (“Aberrações”, em português), de Tod Browning, em 1932. As duas também foram usadas pelos diretores Ryan Murphy e Brad Falchuk na hora de criar o personagem Pepper, da quarta temporada da série “American Horror Story – Freak Show”.

Charles B. Tripp & Eli Bowen

Charles Tripp nasceu em 6 de julho 1855, na cidade de Woodstock, no Canadá. Mesmo sem braços, aprendeu desde muito cedo a executar tarefas diárias e, já na idade adulta, foi carpinteiro e calígrafo. Anos mais tarde, em 1972, conheceu o empresário Phineas Taylor Barnum, um dos donos circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus. Lá, ele apresentava seus trabalhos de carpintaria e ortografia, fazia a própria barba e pintava retratos do público. Ficou conhecido como “Maravilha sem Braços”. Foi também no Bailey Circus que Tripp conheceu Eli Bowen.


Nascido em 1844, em Ohio, nos Estados Unidos, Bowen fazia giros e acrobacias numa bicicleta mesmo sem ter pernas. Era portador de uma doença conhecida popularmente como “membros de foca”. Bowen e Tripp faziam um número no circo em cima de uma bicicleta:  Bowen comandava o guidão enquanto Tripp ficava responsável pelo pedal.

Saartjie “Sarah” Baartman –  A Vênus Hotentote

Saartjie “Sarah” Baartman nasceu no ano de 1789 na Província Oriental do Cabo, na África do Sul, em 1789. Já na adolescência ficou órfã e começou a trabalhar como empregada doméstica de uma família holandesa na Cidade do Cabo. Ela possuía nádegas hipertrofiadas. A característica, comum nas mulheres do seu grupo étnico, despertou interesse de seu proprietário holandês.

Com apenas 19 anos a moça iniciou exibições pela Europa sendo apresentada como a Vênus Hotentote,– nome do povo de Sarah – uma “exótica mistura humana e simiesca”.  Em alguns momentos era forçada a dançar e tinha suas nádegas tocadas. Posteriormente foi obrigada a se apresentar totalmente nua, em jaulas, o que reforçaria seu “caráter animalesco”.

Tudo isso fez com que Sarah tivesse sérios problemas psicológicos e acabou se tornando alcoólatra.  Aos 26 anos morreu de causas não reveladas e seu corpo foi encaminhado à Escola Real de Medicina, onde foi dissecado e exibido em aulas na instituição. Em 2002 o até então presidente da África do Sul, Nelson Mandela, pediu pelos restos de Sarah, que estavam na França, e providenciou seu sepultamento.

Fanny Mills – A Menina Pé Grande

Fanny Mills era vítima de uma doença chamada “Síndrome de Millroy”. A garota nasceu em 1860 no estado de Ohio nos Estados Unidos. Já na adolescência, os coágulos em seus pés e pernas começaram a aumentar drasticamente. Fanny  pesava na época 90 quilos, sendo que metade do seu peso era concentrado na parte inferior do seu corpo.

A menina começou a se apresentar em circos quando tinha 15 anos. Na época, empresários chegaram a oferecer 5 mil dólares e a posse de uma fazenda para o homem que se casasse com ela. Fanny casou-se com William Brown, irmão de sua enfermeira, Mary, que acompanhava a menina em suas aparições circenses. Já em 1892, por causa de outra doença ainda desconhecida, se aposentou e passou o resto de seus dias na fazenda da família.

Pauline Musters

Depois de 120 anos de sua morte, a holandesa Pauline Musters ainda é considerada pelo Guinnes Book (o Livro dos Recordes), a mulher mais baixa que já viveu. Ela nasceu em 26 de fevereiro de 1876 com apenas 30 cm de altura e faleceu em Nova York aos 19 anos, vítima de pneumonia e meningite.

Durante sua carreira artística, Pauline realizava apresentações com  números de acrobacia e dança.

Grady Franklin Stiles Jr. –  O Garoto Lagosta

Grady nasceu em 26 de junho de 1937 com uma condição congênita chamada ectrodactilia. Seus dedos das mãos e pés eram ‘colados’, formando assim uma espécie de garra, semelhante a de lagostas e caranguejos. Grady foi o sexto de sua geração que possuía essa condição. Seu pai, também portador da ectrodactilia, levou o menino ainda muito jovem para se apresentar em circos junto dele.

Já adulto teve dois filhos com a mesma doença. Acabou se tornando alcoólatra e assassinou o noivo de uma de suas filhas um dia antes do casamento. Em 1992, sua mulher, Teresa, e um de seus filhos de um casamento anterior contrataram um ator de circo chamado Chris Wyant para matar Grady. O serviço teria custado 1.500 dólares na época, e segundo a família, essa seria “a única solução”, já que ele estava mais violento que nunca.

Joe Martin Laurello – O Homem Coruja

A coruja pode virar a cabeça até 270 graus de um lado para outro e 180 graus para cima e para baixo. O alemão Joe Martin Laurello, nascido em 1886, e ganhou a alcunha de  “Homem Coruja”. Ele conseguia virar a cabeça num ângulo de 180 graus e, com ela nessa posição, podia caminhar por algum tempo.


Em 1921, ele mudou-se para os Estados Unidos e passou a se apresentar no Circo Barnum & Bailey, alcançando a fama e sendo fotografado pela revista Life em 1940. Joe morreu em 1955, vítima de um ataque cardíaco, e foi cremado.

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