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Quem é o CEO da Digital Stars que cuida da carreira de tantos youtubers de sucesso

27 de outubro de 2016

Bastaram quatro (!!!) segundos para que as credenciais gratuitas oferecidas na internet para a apresentação de Kéfera Buchmann na Digital Stars Extreme se esgotassem. Essa é apenas uma pequenina mostra do fenômeno dos youtubers. Quem comemora é o carioca Luiz Felipe Barros, CEO da Digital Stars, agência de marketing criada em 2015 e dedicada a cuidar da imagem e dos negócios de alguns dos maiores influenciadores do país e que promove nos próximos sábado e domingo a Digital Stars Extreme no Pavilhão de Exposições do Anhembi, zona norte de São Paulo. O evento terá 10 grandes atrações em cada um dos dias.  Formado em Publicidade, Luiz Felipe começou a carreira em 2002 atuando na área de planejamento estratégico. Em 2007, passou a trabalhar com conteúdos interativos e com a comunicação por meio de sites e redes sociais. Paralelamente, foi professor dos cursos de Marketing Digital, Mídia online e Internet Móvel, Comunicação Digital e Planning for Branding na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A Digital Stars é responsável também por estabelecer parcerias para lançamentos de produtos licenciados como sandálias, cadernos e até mesmo um álbum de figurinhas que chegou às bancas esse ano. Seu primeiro cliente no novo negócio foi Christian Figueiredo, que hoje tem quase 7 milhões de fãs no canal Eu Fico Loko. “Quando o público vê que o Christian Figueiredo era um cara excluído, que não se encaixava no status quo do comportamento, ele pensa: ‘eu posso também’. Quando vê que o Felipe Castanhari abandonou a profissão de animador para se dedicar a um canal, passa a admirá-lo”, contou Luiz Felipe em conversa comigo no Manhã Bandeirantes de hoje.


Como será o Digital Stars Extreme?
No palco principal, teremos atrações incríveis, como a Kéfera apresentando ao vivo pela primeira vez as duas músicas que compôs para o filme “É Fada!”, o Whindersson Nunes com uma apresentação diferente da que ele vem fazendo pelo Brasil, além de conversar e interagir com o público e o Christian Figueiredo respondendo dúvidas sobre relacionamentos. Os melhores gamers do país também vão participar de minicompetições de jogos como Mortal Kombat e Mário Kart, onde as pessoas também vão poder participar. Na arena de cinema, além da exibição do “É Fada” vamos lançar “O amor de Catarina”, também estrelado pela Kéfera e exibir algumas cenas exclusivas do filme do Christian Figueiredo, que só chega aos cinemas em janeiro. O Pyong Lee, maior mágico do país, irá fazer um show de mágica no primeiro dia e um de hipnose no segundo. A ideia é reunir os maiores youtubers do Brasil no mesmo espaço com vários shows para que o público possa ver de perto quem ele sempre vê pela internet.

Hoje você cuida de celebridades que carregam multidões para um evento. Eles são como os artistas mais tradicionais que fazem exigências de comidas, bebidas, toalhas e outras coisas nos camarins?
Uma coisa curiosa é que essas pessoas ficaram famosas fazendo vídeos em casa. Então, por mais que elas sejam grandes artistas, acabam se sentindo pessoas comuns. Claro que, de vez em quando, aparece um que possui intolerância a lactose ou que é patrocinado por determinada marca de refrigerante e aí temos que adaptar, mas, fora isso, não.

Você cuida da vida de muitos influenciadores digitais. Como é esse trabalho?
Sou publicitário de formação e trabalhei por 11 anos em agências. Há dez anos venho trabalhando não só com celebridades, mas também com os influenciadores. Também já estive do outro lado, como cliente, há quatro anos quando estava trabalhando com o aplicativo Viber (que realizava chamadas telefônicas de maneira gratuita) e dependia dos influenciadores. A falta de organização do mercado me fez enxergar uma oportunidade de criar uma estrutura melhor. É um mercado que tem resultados fantásticos, com gente com muita vontade de fazer as coisas e um engajamento fantástico dos jovens. Mas ainda é um mercado muito incipiente, com pouco profissionalismo, com pouca estrutura. Os influenciadores têm pouco conhecimento sobre as marcas e as marcas não sabem como trabalhar com eles. Procuro respeitar o lado artístico. Não podemos tentar vender coisas que não combinam com a imagem deles. O segredo para montar a Digital Stars foi equilibrar os lados comercial e artístico.

Antes, só se falava em youtuber. Agora, muitos deles são chamados de “influenciadores”. Qual é a diferença?
Hoje, o sonho de quase todo jovem é ser youtuber porque há um certo glamour por atrás disso. Parece que você fala qualquer coisa e fica famoso. Na verdade, não é bem assim. Os principais influenciadores do Brasil trabalham 20 horas por dia, trabalham aos fins de semana, possuem uma agenda apertadíssima. É um trabalho muito intenso porque, além da produção do canal e das redes sociais, eles têm compromissos profissionais como campanhas de publicidade, participação em programas de TV, filmes. Antigamente, as celebridades tradicionais encantavam as pessoas por causa dos personagens que faziam, das músicas que cantavam. Hoje, os influenciadores encantam pelo que eles são. É com isso que o público se identifica. Há uma relação de confiança muito grande porque você não é obrigado a assistir, não há uma grade com horários certos. Então, ao endossarem uma marca, eles usam no dia a dia. Se fizerem o anúncio de um celular e não usarem, o público vai perceber na próxima foto postada no Instagram. Essa intimidade cria um engajamento e uma influência.

Mas não deve ser fácil abrir mão de uma ação de merchandising, por exemplo… Mas,como você mesmo disse, o público dos youtubers exige essa verdade. Como trabalhar isso?
O mesmo cuidado que temos com conteúdo temos com a publicidade. Se algum youtuber fizer uma propaganda de um produto que já criticou, o público vai lembrar disso. Então, ou há uma história que justifique a mudança de comportamento ou não vai dar resultado nem para a marca nem para o influenciador. Quando se perde a autenticidade, o engajamento diminui. O nosso cuidado é maior do que nas propagandas de televisão porque o nosso público conhece a intimidade dos clientes. Tem que ser autêntico. A Kéfera é uma pessoa muito preocupada com a saúde. Se alimenta bem, faz exercícios. Se fizer uma campanha de uma rede de fast-food, não é real. Se fizer uma campanha de um doce que de tempos em tempos ela se permite consumir, é real. Buscamos oportunidades para não perder o engajamento que as marcas querem.

Da esquerda para a direita: Malena Nunes (do 0202), Gustavo Stockler (do NomeGusta), Kéfera Buchmann (do 5inco Minutos), Christian Figueiredo (do Eu Fico Loko) e Felipe Castanhari (do Nostalgia), algumas das atrações da DSX

Da esquerda para a direita: Malena Nunes (do 0202), Gustavo Stockler (do NomeGusta), Kéfera Buchmann (do 5inco Minutos), Christian Figueiredo (do Eu Fico Loko) e Felipe Castanhari (do Nostalgia), algumas das atrações da DSX

Na semana passada, Kéfera deu uma declaração dizendo que estava muito cansada e que ficaria sem publicar vídeos por um tempo. Ela está bem para participar de um evento como a Digital Stars Extreme?
Ela está bem. Passou por um período muito intenso na vida dela com o lançamento do filme. Ela é muito dedicada, deu muitas entrevistas, fez turnê pelo país e, além disso tudo, ainda tinha que participar de peças publicitárias e de ensaios para a DSX. Esse período conturbado culminou com um problema de família: a tia-avó, que criou a mãe dela, ficou muito doente e faleceu. Então, ela precisava passar uns dias em Curitiba descansando, cuidando da família, dando carinho para a mãe. A dedicação dela com o canal e as redes sociais é imensa e ela não queria passar tristeza para o público. Mas agora ela já voltou para São Paulo, já conversou com a gente. Na verdade, aquele vídeo publicado no Snapchat não foi o anúncio de uma pausa, mas sim uma explicação do motivo pelo qual ela ficou fora por alguns dias.

Tem muita gente querendo hoje se tornar youtuber. A garotada sonha, os pais investem. Para quem está começando agora existe a oportunidade real de se tornar um grande youtuber?
Sem dúvida. Vou dar alguns exemplos exemplos: o Whindersson Nunes tem o canal há um tempão, mas só passou a ser conhecido há dois. O Christian Figueiredo também. O que fez ele ser o que é foi a dedicação. Ele tem uma publicação semanal de vídeos, cria formatos, estuda formas de se comunicar com o público… O Mr. Poladoful tinha um canal muito pequeno e hoje ele tem mais de 2,5 milhões de inscritos e uma média de 2 a 3 milhões de visualizações por vídeo. Isso porque ele tem um humor muito particular, uma edição com muitos efeitos, que criou uma base de fãs.

Tem alguma receita para se tornar um youtuber de sucesso?
A primeira coisa é: seja você mesmo. Não tente criar um personagem. Você está colocando sua cara em um vídeo, nenhum personagem irá se sustentar por quatro ou cinco anos. Se você for crítico e brigão você eventualmente vai fazer sucesso porque tem pessoas que gostam disso. Se você fizer esquetes, se você cozinhar… Faça algo em que você acredita. No DSX, vamos ter o “Pipocando”, o maior canal de cinema do Brasil. Os meninos têm 1 milhão de inscritos falando do que eles amam, que é o cinema.

Muita gente investe, quer que os filhos sejam youtubers porque acredita que isso dá dinheiro. É assim mesmo? Todo mundo está ficando rico com isso?
Em qualquer carreira, quem se destaca ganha muito dinheiro. No futebol, você tem centenas de jogadores no Brasil ganhando um salário mínimo. Só os que mais se destacam ganhos salários milionários. Apresentadores de televisão, de rádio, conhecidos no Brasil inteiro ficam milionários, mas tem gente dedicada de rádio comunitária que não consegue. Aqui estamos falando dos youtubers que mais se destacam, que trabalham 20 horas por dia e naturalmente são recompensados financeiramente por isso.

O Pavilhão de Exposições do Anhembi fica na Avenida Olavo Fontoura, 1209, paralela à Marginal do Tietê, na Zona Norte de São Paulo.

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2 Comentários

2 Comentários

  1. clovis

    Pensar que esse é um intermediário, que recebe patrocínio para falar bem (que eu saiba o governo golpista patrocinou alteração do ensino médio) de assuntos que deveriam ser discutidos, simplesmente jogando uma visão torpe, então vai tudo pro esgoto. Youtubers são, na maioria, adolecentes que vão formando opinião a respeito e arrastam os seus fãs. Pintando patrocínio, daí vira massa de manobra. E se não divulga que o conteúdo foi patrocinado, então é golpe.

    Responder
  2. clovis

    Pensar que esse é um intermediário, que recebe patrocínio para falar bem (que eu saiba o governo golpista patrocinou alteração do ensino médio) de assuntos que deveriam ser discutidos, simplesmente jogando uma visão torpe, então vai tudo pro esgoto. Youtubers são, na maioria, adolecentes que vão formando opinião a respeito e arrastam os seus fãs. Pintando patrocínio, daí vira massa de manobra. E se não divulga que o conteúdo foi patrocinado, então é golpe.

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