Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

Felipão e outros técnicos que estrelaram comerciais durante as Copas

11 de julho de 2014

Em março deste ano, a três meses da Copa, Felipão apareceu 318 vezes durante os intervalos comerciais na televisão – só ficou atrás de Neymar, que mostrou a cara 578 vezes. O garoto-propaganda de marcas como Gillette, Sadia, Vivo, Ambev, Peugeot e Walmart foi criticado por comentaristas pelo excesso de aparições publicitárias. “Ficamos entregues na mão de uma pessoa que não foi responsável, fez 500 comerciais e não treinou sua equipe”, esbravejou Edmundo, depois da eliminação vexatória da Seleção Brasileira.
Antes de 1974, nenhum treinador do Brasil havia estrelado comerciais. Nesse ano, Zagallo, campeão da Copa do Mundo de 70, apareceu na propaganda do televisor Admiral, famoso no Brasil na época. A porta aberta pelo velho lobo colocou os comerciais na carreira de Telê Santana, treinador da Seleção nas Copas de 1982 e 1986. “Ele adorava se ver em propagandas. Quando o víamos em uma revista, nós ríamos e gozávamos dele”, conta Renê Santana, filho do mestre. Em 1986, o treinador ganhou 650 mil cruzados para fazer o comercial do Banco Bemge. “Rendia um bom dinheiro”, lembra Renê. Ele conta ainda que Telê Santana escolhia os comerciais que estrelaria, e que se negava a fazer papel de ridículo, ou a incentivar bebidas e cigarro.
3
Em 1990, a MPM Propaganda produziu o comercial da automotora Fiat, empresa italiana que estava produzindo seus veículos no Brasil. Aproveitando que a Copa seria na Itália, a agência decidiu gravar a peça em uma praça de Turim, poucos meses antes de o torneio começar. Sebastião Lazaroni, então treinador da Seleção Brasileira, conversava com um policial tentando convencê-lo de que não sabia que a parada no local era proibida. “Eu treinei meu italiano na hora. Se existe o portunhol, lá eu falei um ítalo-português”, conta o ex-técnico. “O policial era um ator italiano. A frase ‘E eu sou o papa’ não estava no script, foi improvisada.” Apesar das críticas, o treinador derrotado pela Argentina diz que faria de novo. “O único problema foi que o Plano Collor tomou todo o dinheiro que eu ganhei pelo comercial”, lamenta.

A deslocada atuação de Dunga no comercial da Oi rendeu ao treinador 1,6 milhão de reais. As dependências do clube Paineiras, localizado no bairro Morumbi, em São Paulo, abrigaram Dunga e a equipe de 100 produtores durante as gravações. “Satirizamos a forma como ele ficava dando ordem aos jogadores na lateral do campo. Mas tivemos que dosar a ironia, para ele não ficar tão bravo”, comenta Edu Cama, diretor do filme. As gravações invadiram a madrugada, levando mais de oito horas para serem concluídas. Apesar da fama de durão do treinador, Edu Cama o elogiou: “Ele foi super acessível e, apesar de não ser ator, até que foi bem nas gravações, embora termos tido que repetir alguns takes.”

Para a campanha da Copa 2014, o treinador Felipão apareceu em comerciais de 6 empresas. Um dos mais destacados foi o da companhia telefônica Vivo, que teve quase 10 milhões de acessos no Youtube. O treinador chegou ao Shopping Eldorado, onde o comercial foi gravado, por volta das 9h30 e ficou na loja da Vivo por 4 horas, até o assédio começar e ele ter que ir embora. “Depois de ter ganhado a Copa das Confederações, ele era unanimidade”, lembra Eco Moliterno, diretor de criação da agência Africa. “Ele agiu do ‘jeito Felipão’. Até ironizou um cliente que pediu três atacantes – assim como ele faz com os jornalistas. Nós pedimos para ele ser natural”, conta o publicitário, que ainda elucidou a motivação de as empresas usarem treinadores como garotos-propaganda: “Durante a Copa, o técnico da Seleção é quase o presidente do país: tem o poder de comandar a nação”, justifica, triste pela recente eliminação do Brasil da competição.

Esta página contém links de afiliados. Ao fazer uma compra por um desses links, o Guia dos Curiosos recebe uma comissão e você não paga nada a mais por isso.

Artigos Relacionados

Together: o projeto secreto do criador de I Love NY

Together: o projeto secreto do criador de I Love NY

Jeremy Elias, repórter do "The New York Times", pensou na pauta: o criador do icônico "I <3 NY", em 1977, estaria pensando em usar a logomarca quando a pandemia acabasse? Elias conta que esperava que seu e-mail fosse respondido por algum assessor do célebre...

0 Comentários

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This