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Lojas de discos voltam às telas brasileiras

1 de julho de 2013

Estreou na semana passada a série brasileira Minha Loja de Discos. Ao longo dos treze episódios previstos (todas as segundas-feiras, às 19 horas, no canal Bis), o programa pretende mostrar aos brasileiros a dinâmica das tradicionais lojas de discos britânicas, enraizadas na cultura local. A direção é de Rodrigo Pinto e Elisa Kriezis, e o roteiro é assinado por Kika Serra. Mesmo na era da música digital, existem ainda entre 310 e 315 lojas de discos ativas na Grã-Bretanha. O mercado da música é movimentado pelas constantes safras de artistas de destaque. “Quando achamos que o nome da vez é Arctic Monkeys, surge a Amy Winehouse, e então a Adele, o The XX, e agora o Alt-J”, justifica o diretor Rodrigo Pinto. Apesar da recessão, as vendas de discos de vinil subiram 5% na Inglaterra em 2012. “Só em Dalston, no leste de Londres, surgiram três novas lojas”, conta Rodrigo. No último Record Store Day (Dia da Loja de Discos), comemorado em 20 de abril, as vendas no setor ultrapassaram as do Natal.

Na época de ouro do vinil, lojas de discos também fizeram sucesso por aqui. Rodrigo Pinto relembra de algumas: Baratos Afins, primeira loja da Galeria do Rock (São Paulo), fundada por Luiz Calanca; a Tracks, na Gávea (Rio de Janeiro), de Heitor de Araújo; a Gramophone, a Modern Sound, a Satisfaction e a On Stage, também cariocas. No início dos anos 90, no entanto, com a chegada dos CDs ao mercado, a venda de discos de vinil no Brasil caiu em profunda recessão. A produção dos discos no país foi interrompida em 1995.
Curiosamente, em meados de 2008, ao mesmo tempo em que a mercadoria da música foi reduzida a um arquivo virtual, o setor dos discos de vinil ressurgiu das cinzas, dessa vez com a venda de itens de colecionador. “A galera que estava afogada em aplicativos, MP3 e YouTube encontrou nas lojas de discos um lugar de convívio, de comércio, de conversa e de música boa”, analisa Rodrigo. Só no primeiro semestre de 2012, a Polysom, única fabricante brasileira de vinis, cresceu 15%.
O Blog do Curioso preparou uma lista de filmes que exploram o universo das lojas de discos. Confira:
Durval Discos (2002)

A nostálgica produção brasileira, dirigida por Anna Muylaert, conta a história de Durval (Ary França), comerciante que insiste em vender discos em 1995, último ano em que a Polysom fabricou discos de vinil no país (até a ressurreição do mercado, em 2008). A Durval Discos funciona na mesma casa em que o dono da loja mora com a mãe, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
Alta Fidelidade (2000)

O filme é um retrato da crise de meia idade do personagem Rob (John Cusack), dono de uma loja de discos, que convive com uma série de clientes ainda mais problemáticos do que ele mesmo. A comédia dramática presta homenagem à cena musical da época em que foi filmada. Fica a reflexão: as pessoas se deprimem por ouvir música pop ou ouvem música pop porque estão deprimidas?
Sexo, Rock e Confusão (1995)

A divertida produção americana de Allan Moyle conta a história dos funcionários de uma pequena loja de discos independente (Empire Records), que fazem de tudo para que o negócio não seja transformado em uma franquia de uma grande rede do setor. Apesar do elenco conhecido (Liv Tyler e Renée Zellweger fazem parte da turma), o filme foi um fracasso tanto de crítica quanto de bilheteria.
Sound it out – The very last record shop (2011)

Trata-se de um documentário sobre a loja Sound It Out, última remanescente das lojas de disco de vinil de Teeside, cidadezinha no nordeste da Inglaterra, uma das áreas mais devastadas pela crise econômica. Assim como a série do Canal BIS, o filme de Jeanie Finlay explora a importância do estabelecimento na formação da cultura musical da população local.
Last Shop Standing (2012)

Inspirado no livro homônimo de Graham Jones, a produção procura explicar o desaparecimento de mais de duas mil lojas de discos no Reino Unido. O filme traça um histórico desse tipo de estabelecimento, que surgiu nos anos 60 e teve seu auge entre as décadas de 1970 e 1980. O registro conta com o depoimento de vinte donos de lojas de discos no país.
I need that record – The death (or possible survival) of the independent record store (2008)

O filme de Brendan Toller é mais um documentário sobre a dificuldade de sobrevivência de lojas independentes de discos de vinil. Dessa vez, no entanto, o foco são as lojas norte-americanas. Nos Estados Unidos, três mil lojas de discos fecharam as portas entre 1997 e 2007. A produção conta com o depoimento de músicos como Thurston Moore, do Sonic Youth, e Pat Carney, da banda The Black Keys.
Village Music: last of the great record stores (2011)

O documentário retrata a história e o cotidiano da loja de discos Village Music, em Illinois (Estados Unidos), uma das maiores entre as remanescentes do setor no país, conhecida como “a mais famosa loja de discos do mundo”. Cerca de 30 artistas prestam depoimentos ao filme dos irmãos Gillian e Monroe Grisman (entre eles, B.B. King, Bonnie Rait e DJ Shadow).
Re-vinylized (2011)

O documentário de curta-metragem mostra a volta da cultura dos discos de vinil, influenciada justamente pelo desenvolvimento da tecnologia, que transformou a música em um produto virtual. A necessidade de um produto físico faz renascer um setor que há mais de uma década estava adormecido. O filme se passa nos Estados Unidos, e conta com o depoimento de donos de lojas, clientes e críticos musicais.

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