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Campeonato Paulista de Karaokê terá 650 participantes e só vale cantar em japonês

7 de fevereiro de 2017

Sexta, sábado e domingo, 650 cantores disputarão o Campeonato Paulista de Karaokê, que chega à sua 23ª edição. Para subir ao palco da Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social, os finalistas passaram por 15 eliminatórias das regionais filiadas à União Paulista de Karaokê. Foram 3 mil inscritos no total. “São todos amadores”, afirma Sergio Teruya, coordenador-geral da UPK (União Paulista de Karaokê). “Alguns eventualmente fazem apresentações públicas, mas nenhum deles é profissional”. Nos dois primeiros dias, eles disputarão as semifinais de suas respectivas categorias – são 38 e um “Grand Prix”, como é chamada a competição principal. A divisão é feita por faixa etária dos participantes – as disputas envolvem desde crianças de 2 anos até veteranos nonagenários – e também pelas músicas . As finais acontecerão no domingo. E nada de decidir o vencedor pela avaliação artificial da máquina de karaokê. Um júri formado por 40 professores de música irá avaliar a performance dos competidores. Detalhe importante: todas as canções devem ser interpretadas em japonês. “Cada cantor escolhe a sua. Teremos desde as mais tradicionais, passando pelas românticas e chegando ao  J-Pop”, explica Marino Uehara, presidente da comissão organizadora do Paulistão.

Jurados avaliam apresentação na edição de 2015, disputada em São Caetano do Sul

Ao contrário do que acontece numa sala de karaokê, os cantores não terão auxílio da letra e da bolinha que vai dando o ritmo da canção. Nove dos 40 jurados, por sinal, têm uma missão complicada. Eles possuem cópias das letras em japonês e quem deixar de cantar uma mísera sílaba já sai atrás na disputa. Uehara garante que muitos participantes decoram apenas a pronúncia das palavras, pois não sabem falar em japonês.

Troféus da edição de 2014, disputada em Jacareí

A tradição dos karaokês começou justamente com os imigrantes. No início, antes do advento do videokê, os japoneses se divertiam soltando a voz acompanhados por bandas. Até hoje há um concurso em São Paulo chamado “Zenpaku”. Promovido pela Associação Nipo-Brasileira de Cultura Musical, ele será realizado pela 64ª vez no dia 4 de junho. O conceito é bem parecido com o do Paulistão, com a diferença de que, em vez de um playback, o acompanhamento é feito por uma banda de verdade. Uma ironia, já que, em uma tradução literal, “karaokê” significa “sem orquestra”.

Alexandre Hayafuji venceu seis vezes o Grand Prix do Paulistão de karaokê

Apesar de mais novo, o Paulistão também já caiu nas graças da comunidade japonesa.  A primeira edição foi disputada em 1995 no Palácio de Convenções do Anhembi. De lá para cá, a competição passou por outras 16 cidades – a última delas foi Lins, a 425 quilômetros da capital. Neste ano, a competição volta para a maior cidade do país depois de 10 anos. Será a quinta edição em São Paulo e a terceira na Bunkyo (as outras foram em 1997 e 2004).
O evento terá um festival com barracas de comida e de produtos orientais. E o público, que promete ser grande, verá um novo campeão. O maior vencedor, Alexandre Hayafuji, tem seis títulos (incluindo o do ano passado), mas não irá participar esse ano. Ainda assim vale conferir se a Regional Leste confirmará sua tradição: além dos seis títulos de Grand Prix de Hayafuji, foram outras três conquistas individuais e 12 vitórias por equipes.
Quem se entusiasmar e quiser treinar para o Paulistão de 2018 pode procurar a UPK, que conta com 70 professores que oferecem aulas específicas de canto para o karaokê. “É uma herança dos nossos ancestrais que vieram ao Brasil”, explica Teruya. “Vem sendo perpetuado pelos descendentes porque é uma marca muito forte da nossa cultura”.
Serviço:
Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social
Rua São Joaquim, 381, Liberdade
Tel.: (11) 3208-1755
Sexta, a partir das 10h: Sábado e domingo, 8h
Ingressos: 1 quilo de alimento não perecível

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