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Super descontos na “Black Friday”? Cuidados para não cair na “Black Fraude”

23 de novembro de 2020

A primeira “Black Friday” no Brasil foi totalmente online e aconteceu no dia 28 de novembro de 2010. Participaram cerca de 50 lojas de varejo.

Minha estreia no maravilhoso mundo das compras da última sexta-feira de novembro foi o boxe “Bond 50 – Celebrando Cinco Décadas de 007”, com 22 filmes em seis DVDs. De “007 Contra o Satânico Dr. No” até “007 – Quantum of Solace”. Como eu vinha namorando a caixa há algum tempo, sabia que ela tinha entrado mesmo em promoção. Paguei metade do valor normal. Na minha cabeça, seria também uma boa oportunidade de me livrar das fitas VHS com os mesmos filmes do agente secreto que comprei numa promoção da revista “Caras”.

Com o passar dos anos, porém, os brasileiros começaram a perceber falsos descontos e cunharam o trocadilho “Black Fraude”. Depois, pesquisando, descobri que não é no Brasil que isso acontece. Só não sei se outros países têm um nome tão bom quanto o nosso.

Então é sempre bom ter em mente algumas dicas para não cair em golpes e fazer boas compras durante a “Black Friday”:

1. Monitore os preços
Falsos descontos deram origem ao trocadilho “Black Fraude” para se referir a empresas que oferecem falsos descontos. Sobem o preço do produto um pouco antes da “Black Friday” e depois colocam o preço normal como se fosse uma promoção.

A dica é ir monitorando os preços dos produtos desejados antes da chegada da “Black Friday”. Há sites que fazem isso. Assim, você saberá se está sendo enganado ou se está fazendo mesmo um bom negócio.

Outro cuidado: algumas empresas espertalhonas utilizam uma estratégia que vai contra o Código de Defesa do Consumidor: colocam um valor mais interessante no anúncio que roda a internet e, quando você entra na página e acrescenta no seu carrinho de compras, o preço é outro. Muita atenção nessa hora!

2. Compre em lojas confiáveis
Hackers e golpistas se aproveitam da Black Friday para tentar roubar dados pessoais, como informações de documentos e cartões de crédito. A recomendação é comprar apenas em lojas conhecidas.

Consulte também sites de reclamações e a reputação das lojas em redes sociais.

Desconfie ainda de malas diretas, com links suspeitos. Caiu na caixa de spam ou notou algo estranho? Não abra, nem clique nos links que estão ali.

3. Fique de olho no valor do frete
Nem todas as empresas trabalham com frete grátis. Então, além do preço, é indicado prestar atenção no valor do frete. Inclusive, na etapa de pesquisa, veja se o envio será cobrado e quanto ele custa.

O preço baixou, mas o frete subiu? Se você fizer as contas, poderá perceber que pagaria o mesmo valor fora da “Black Friday”. Desse modo, o melhor é escolher lojas que realmente reduziram a taxa do envio ou que trabalham com o frete grátis.

4. Desconfie de preços muito baixos
Quem não gosta de grandes descontos? Eu mesmo disse que adorei o desconto de 50% no boxe de James Bond. Mas não existe milagre. Descontos excessivos podem ser um sinal de golpe, especialmente quando envolvem produtos eletrônicos. Ainda mais se for um lançamento recente. Repita comigo: não existem milagres.

5. Use o cartão virtual
As compras da “Black Friday” são feitas, geralmente, no cartão de crédito. Para evitar clonagem e roubo dos dados do cartão, aproveite a versão virtual, oferecida pelos bancos. Meu filho mais velho, Rodrigo, me deu essa dica e ela realmente funciona.

Este cartão virtual é exclusivo para compras pela internet, o que dificulta a ação de criminosos. Além disso, é rápido de bloqueá-lo, caso perceba que algo está errado, e seu cartão físico não é prejudicado, podendo ser usado normalmente para as compras presenciais.

Leia também:
Por que a Black Friday tem esse nome?
“Black Friday” é um termo que nasceu no comércio de escravos?
Pesquisa revela que apenas 1% dos descontos da “Black Friday” é real

Tomando esses cuidados, você terá mais tranquilidade para procurar realmente bons negócios. Um último conselho: compre o que você realmente está precisando. Não compre algo só por causa do desconto aparentemente interessante. Até hoje, por exemplo, eu não abri a caixa de DVDs de James Bond. Ela está fechadinha num armário. Junto com as fitas VHS, que continuam no mesmo lugar.

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