O apelido surgiu na região Centro-Oeste, onde a incidência de pardais é bastante grande.  À distância, como são fixados em postes, os radares lembram a postura do passarinho. Por haver mais de um aparelho no mesmo poste de uma determinada rua ou rodovia, os motoristas associavam a figura de pardais, que vivem em bando. “As aves de aproximadamente 15 cm de comprimento, que antes eram corriqueiras nos grandes centros urbanos, vêm desaparecendo”, alerta o biólogo Guilherme Domenichelli.

Os pardais chegaram ao Brasil em 1903, autorizados pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos. Ele trouxe as aves de Portugal, com o pretexto de que ajudariam no combate a insetos transmissores de doenças –  a base alimentar do pardal é de sementes e de insetos. Os insetos são consumidos somente em períodos de reprodução. “O pardal  acabou virando uma das espécies de pássaros mais conhecidas do Brasil e é considerada a de maior distribuição geográfica”, explica Guilherme.
Mas por que os pardais (os de bico e penas) não são mais vistos o tempo todo? A espécie tem encontrado dificuldade para se reproduzir, pois fazia ninhos em buracos de rochas. “No Brasil dos anos 1970, eles se adaptaram e passaram a construir ninhos nos beirais dos telhados”, diz Guilherme. O fato de as residências atuais não possuírem beirais e as casas estarem sendo substituídas por prédios também são fatores importantes para o desaparecimento das aves.

Com a diminuição dos pardais, outras aves brasileiras foram reconquistado seu espaço nas cidades. “Agora podemos ver novamente, nos grandes centros, o bem-te-vi, o tico-tico, o chupim, a pomba-asa-branca, o carcará e alguns tipos de gaviões”, enumera o biólogo Guilherme Domenichelli.