Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

O adeus a Gijo, o “rei da linguiça”

12 de dezembro de 2016

Luiz Trozzi era conhecido pelos amigos como “Gijo” (apelido italiano para Luigi). Mas os paulistanos o elegeram “O Rei da Linguiça”. Numa pequena loja na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, ele comercializava cerca de 20 tipos de linguiças artesanais, todas criadas por ele. Gijo morreu ontem, às 9 da manhã, no Hospital Presidente, no Tucuruvi, na zona norte, e foi enterrado esta manhã no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, numa cerimônia que só teve a presença de familiares. Ele tinha 84 anos, estava internado desde a segunda-feira passada e morreu em decorrência de complicações causadas por uma pneumonia.

Gijo em foto antiga, na frente do açougue no qual se tornou “O Rei da Linguiça”.


Ícone da região, Trozzi, criado no Bixiga, herdou o açougue do pai italiano em 1949, quando tinha 17 anos. De lá para cá, acompanhou as mudanças do bairro no momento em que a cidade se expandia em direção ao sul. Quadros nas paredes do açougue mostram as transformações sofridas pela Vila Mariana no último século. Imagens da família, dos santos de adoração e uma balança antiga completavam a decoração.
Atento a todos os detalhes na produção das linguiças (trabalhava doze horas por dia e jurava jamais ter tirado férias), Trozzi tinha muita segurança quanto à qualidade dos seus produtos: “É uma coisa ímpar, não existe igual. São as melhores do mundo”, declarou em 2012 ao meu livro “Os Endereços Curiosos de São Paulo”, publicado pela Panda Books. Na fachada, o toldo nas cores da bandeira da Itália anunciava justamente “A melhor linguiça do mundo”.
O sucesso chegou a famosos como Hebe Camargo, Fausto Silva e até mesmo o Papa João Paulo II, que em 1980 provou um molho feito com a calabresa de Gijo e gostou. Além disso, Trozzi foi personagem frequente de programas gastronômicos na televisão, nos quais fortalecia a imagem de “Rei da Linguiça”.  Dirigia também um reluzente Landau 1980.

Gijo morreu ontem aos 84 anos (Foto: Reinaldo Canato)


Palmeirense, foi hospitalizado pouco mais de uma semana depois de ver o time do coração quebrar um jejum de 22 anos e se sagrar campeão brasileiro. Apreciador também de pesca e corridas de cavalos, Gijo era viúvo e deixa duas filhas, Giselle e Gina, três netos e dois bisnetos. A loja, na Rua Dr. Pinto Ferraz, 16, permanecerá fechada até a próxima quinta-feira. O irmão mais novo (tinha ainda outra irmã, falecida há dois anos), Francisco Roberto, cuidará do negócio por enquanto.

Esta página contém links de afiliados. Ao fazer uma compra por um desses links, o Guia dos Curiosos recebe uma comissão e você não paga nada a mais por isso.

Artigos Relacionados

2 Comentários

2 Comentários

  1. Wagner Del Carlo

    grande Gijo, infelizmente me mudei de vila Mariana para são judas em julho, foi a ultima vez que batemos papo, morava ali perto e costumeiramente passava lá para comprar linguiças e papear com ele…meu pai (já falecido) vinha de Poá SP e me trazia junto… lembro de meu pai (palmeirense tbem) conversar com ele… Vá em paz Gijo…. belíssimo trabalho fez aqui em n0sso planeta.
    🙂

    Responder
  2. Wagner Del Carlo

    grande Gijo, infelizmente me mudei de vila Mariana para são judas em julho, foi a ultima vez que batemos papo, morava ali perto e costumeiramente passava lá para comprar linguiças e papear com ele…meu pai (já falecido) vinha de Poá SP e me trazia junto… lembro de meu pai (palmeirense tbem) conversar com ele… Vá em paz Gijo…. belíssimo trabalho fez aqui em n0sso planeta.
    🙂

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This