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Marcas Aunt Jemima e Uncle Ben’s serão aposentadas por questões racistas

23 de junho de 2020

Na semana passada, a Quaker Oats, do grupo Pepsico, anunciou que iria remodelar a embalagem e mudar o nome de sua tradicional mistura para panquecas e de seu melado (xarope de bordo) Aunt Jemima. O departamento de marketing da empresa disse concordar que “as origens do nome e da figura são baseadas em um estereótipo racial”. A questão ainda ficou mais forte com um vídeo da cantora Kirby Maurier, publicado na rede social Tik Tok, no dia 15 de junho. “Como fazer um café da manhã racista” viralizou durante os protestos do movimento “Vidas Negras Importam”.

Houve quem ficasse revoltado com a decisão da Quaker. “É injustiça para mim e minha família”, diz Larnell Evans Sr., que se apresenta como bisneto de Anna Short Harrington, que inspirou a terceira versão de Tia Jemima, usada entre 1935 e 1954. O veterano do Corpo de Fuzileiros Navais, de 66 anos, lamentou a decisão. “Ela trabalhou como tia Jemima. Esse era o trabalho dela. Como você acha que eu me sinto como um homem negro contando sobre a história da minha família que eles estão tentando apagar?”

Nancy Green, a primeira Tia Jemima

A bisavó de Evans foi descoberta por representantes da Quaker durante a Feira do Estado de Nova York de 1935. O primeiro logotipo de Tia Jemima se baseou na imagem de uma mulher chamada Nancy Green. No site da empresa, ela era descrita como “contadora de histórias e defensora de obras missionárias”, mas não havia referência à sua condição de escrava quando nasceu, em 1834, em Montgomery County, no Kentucky. Originalmente, Jemima tinha vestimentas brancas como as usadas por antigas criadas das famílias americanas. O nome foi tirado de uma música chamada “Old Tia Jemima”, de 1875, com personagens brancos pintados como negros.

Nancy foi contratada em 1890 pela empresa R.T. Davis Milling, em St. Joseph, no Missouri, para representar a personagem. Davis Milling, dono da empresa, havia comprado a fórmula para o preparo de panquecas e estava procurando uma mulher afro-americana para promover o novo produto. Três anos depois, Nancy foi apresentada como Tia Jemima na Feira Mundial de Chicago. Ela aparecia como uma escrava que sabia fazer panquecas. Sua performance foi um sucesso e Nancy ganhou um contrato vitalício. Passou a adotar o nome Tia Jemima em suas participações em eventos promocionais.

Uma ação de 2 bilhões de dólares

Em 2014, dois bisnetos de Anna Harrington (Larnell era um deles) entraram com uma ação contra a PepsiCo., alegando que Nancy e Anna foram exploradas pela empresa e enganadas a respeito da compensação financeira prometida. Pediram uma indenização de 2 bilhões de dólares. Em sua defesa, a PepsiCo. declarou que Tia Jemima era apenas uma personagem fictícia e que não tinha sido inspirada em nenhuma pessoa. A ação foi julgada improcedente. O juiz declarou que os dois homens não conseguiram provar que tivessem mesmo qualquer grau de parentesco com Anna Harrington.

A imagem atual, de 1989, traz uma Tia Jemima com brincos de pérola e uma gola de renda para representar maior riqueza, mas, segundo os críticos, manteve sua imagem estereotipada de empregada doméstica. Na entrevista, Evans continuou o ataque à Quaker Oats: “O racismo sobre o qual eles falam, usando imagens da escravidão, vem do outro lado – de pessoas brancas. Ele lamentou que a empresa “lucrasse com as imagens de nossa escravidão” e, agora, tentasse resolver o problema “menosprezando a história de uma mulher negra como se nada tivesse acontecido. “Isso dói”, finalizou.

Uncle Ben’s também estuda mudanças

 

Também pelo uso de estereótipos raciais, a empresa americana Mars também está sendo cobrada pela sua marca de arroz parabolizado “Uncle’ Ben’s”. Historicamente, os negros eram tratados como como “tio” e “tia”, porque os brancos se recusavam a chamá-los de “senhor” e “senhora”. “Ainda não sabemos quais serão as mudanças ou quando irão acontecer, mas estamos avaliando todas as possibilidades”, declarou uma porta-voz da Mars durante a celeuma. A marca foi criada em 1943. Três anos depois, começou a exibir nas embalagens a imagem de Tio Ben, um homem afro-americano de cabelos brancos. Comentou-se à época que ele teria sido inspirado em Frank Brown, maître de um restaurante num hotel em Chicago. Segundo a Mars, entretanto, Tio Ben era um produtor de arroz conhecido pela qualidade de seu arroz.

Em 17 de junho, a Bombril anunciou que iria retirar do portfólio a esponja de aço inox Krespinha. Ela foi lançada na década de 1950 pela Barros Loureiro Indústria e Comércio. Uma publicidade de 1952 mostra que o produto tinha uma menina negra na embalagem. A empresa foi acusada de racismo por causa da associação pejorativa do nome da esponja com o cabelo comum entre os negros.

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1 Comentários

1 Comentário

  1. Fabio

    É muito mimimi… Mais de 100 anos de historia jogados no lixo!!

    Responder

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