Histórias e curiosidades do Mandiopã, o primeiro salgadinho brasileiro

5 de maio de 2020
E pensar que demoraram 66 anos para lançar o “Mandiopã Pronto para Comer”! Encontrei a novidade hoje à venda no supermercado Záffari Bourbon, no bairro da Pompeia, em São Paulo. Não ia deixar passar a oportunidade de comprar um pacote daquele que se proclama “o primeiro salgadinho do Brasil” e que marcou tanto a minha infância. Que boa surpresa: o sabor é o mesmo, vem salgado na medida certa e não sujei nenhuma frigideira. Se bem que eu adorava ver o mandiopã se abrindo depois de 3 segundos no óleo e de comê-lo quentinho.

A receita veio de uma família do interior de São Paulo

A embalagem traz o selo “original desde 1954”. O site oficial não traz nada sobre a história, que, na verdade, começou uma década antes. O Mandiopã surgiu nos anos 1940. O que se conta é que a receita veio da família Chiavone, de Limeira, no interior de São Paulo. O acepipe era chamado de pororoca e de mandiopã. A empresa Alimentos Selecionados Amaral, instalada no bairro da Mooca, comprou a receita dos Chiavone e a industrializou. A empresa de Rui Amaral Lemos, que existiu entre 1945 e 1967, foi pioneira no ramo de empacotamento de alimentos para venda ao consumidor final. A Amaral ficou famosa também pelas suas concorridas Cestas de Natal. O Mandiopã era apresentado como “torradinhas à base de mandioca”. A caixa avisava: “Com sal ou açúcar são uma delícia!”.


O dono começou a carreira como faxineiro

Em 1954, o limeirense Antonio Gumercindo, ex-funcionário da Amaral (ele conta que começou trabalhando lá como faxineiro), comprou os direitos de produzir o salgadinho de fécula de mandioca, gordura vegetal, água e fubá. Abriu sua própria empresa, a Indústria Alimentícia Mandiopã.  No auge, a empresa chegava a vender 60 mil caixas por dia, que traziam brindes para as crianças.

Além do original, Gumercindo, hoje com 83 anos, colocou no mercado também os sabores queijo, bacon e camarão. Hoje são seis no total. Alho e batata entraram nessa conta.


Mandiopã virou Fritopan e voltou a ser Mandiopã  

Com dificuldades financeiras no final de 1980, Gumercindo vendeu a fábrica e a receita para a Hikari, que relançou o produto com o nome de Fritopan. Acontece que o Fritopan não teve boa aceitação, o que permitiu que Gumercindo comprasse a marca de volta no final dos anos 1990.

 

 

A Mandiopóca Produtos Alimentícios fica em Limeira,  terra natal do Mandiopã, a 140 km de São Paulo. As atuais embalagens foram adotadas em 2018.

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