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Comer com pauzinhos virou questão ambiental

24 de abril de 2012

Os chineses começaram a comer com pauzinhos há cerca de 5.000 anos, como uma forma de reutilizar lascas de madeira descartadas no processo de fabricação de outros objetos. Ironicamente, o que começou como uma solução para o desperdício é hoje um problema ambiental.
A China consome anualmente 50 bilhões de pares de kuaizis – feitos com a derrubada de 3,8 milhões de árvores; no Japão, são descartados mais 24 bilhões de hashis. Chineses e japoneses jogam fora, portanto, 202 milhões de pares de pauzinhos de madeira todos os dias. Apesar de, atualmente, os talheres orientais poderem ser feitos de porcelana, plástico, bambu, aço inoxidável e marfim, a tradição faz com que os de madeira ainda sejam os mais utilizados em restaurantes, em lanchonetes e até dentro de casa.

 

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Pauzinhos de bambu: opção ecológica

Dados de relatório da ONU de 2008 apontam um desaparecimento anual de 28 mil quilômetros quadrados de florestas asiáticas. Segundo a Fundação de Proteção Ambiental da China, essa devastação é capaz de acabar com a flora do país em apenas 20 anos. Em 2010, para chamar a atenção da população, a Fundação recolheu 30 mil pares de kuaizis usados em restaurantes, lavou-os e usou-os para construir uma árvore de 5 metros de altura, instalada na calçada de um bairro movimentado de Xangai. A árvore foi então derrubada e, ao lado dela, colocou-se uma placa: “Nossas árvores só conseguirão nos alimentar por mais 20 anos”.

Duzentos estudantes de 20 universidades chinesas repetiram o movimento no fim do ano passado. Eles conseguiram recolher 82 mil pares de pauzinhos de madeira usados em restaurantes de Pequim. Construíram, então, quatro árvores de 5 metros de altura cada. A obra, exposta em um centro comercial da cidade, foi batizada de “floresta descartável” e resultou em 40 mil assinaturas em uma petição contra a produção de talheres de madeira.

A artista norte-americana Donna Keiko Ozawa já utilizou 170 mil hashis na confecção de suas obras de arte. Descendente de japoneses, ela usa os talheres descartados em restaurantes de São Francisco como forma de protesto ambiental.

 

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Donna Keiko Osawa e sua arte de pauzinhos

Desde 2008, alguns restaurantes de Tóquio (Japão) são adeptos da campanha BYOC (sigla para a expressão “traga seus próprios pauzinhos” em inglês). Cada vez que um cliente aparece para comer com seu próprio hashi, ele ganha um ponto. Com 10 pontos, ganha um desconto no valor aproximado de 12 reais para ser usado em um dos restaurantes participantes.
Na onda verde, a empresa Index lançou pauzinhos japoneses ecológicos no mercado. Eles são feitos com um polímero à base de arroz, que utiliza em seu processo de produção 30% de emissões de carbono a menos que o plástico comum. O par custa o equivalente a 22 reais. Em 2006, para incentivar as pessoas a usarem os pauzinhos de madeira mais de uma vez (ou a passarem a adotar talheres de outros materiais), o governo chinês impôs uma taxa de 5% sobre o valor do utensílio.

 

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Pauzinhos ecológicos da marca Index

Apesar das tentativas de ativistas ambientais e do alerta feito pelo governo, os números só têm piorado. De 2006 a 2011, o consumo dos pauzinhos aumentou em 11%. Alguns restaurantes chineses já passaram a adotar kuaizis de plástico, mas a grande maioria dos japoneses ainda insiste nos tradicionais hashis de madeira.

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1 Comentários

1 Comentário

  1. Ulisses

    É um desperdício desgraçado. Em média um chinês pode, se comer 3 vezes por dia, desperdiçar 1095 pares. Multiplica pela população. Multiplica pelos outros paises asiáticos que também consome. Multiplique os outros restaurantes chineses e japoneses espalhados pelo mundo, Brasil inclusive. Tudo desperdício.

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