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Chef Erick Jacquin aproveita o sucesso de MasterChef para oferecer jantar com palestra

6 de novembro de 2014

Erick Jacquin é uma mistura do chef Skinner com Auguste Gusteau. O primeiro é a autoridade da cozinha: com seu jeito bravo, manda e desmanda. Já a barriga avantajada, os cabelos faltantes e o rosto carismático remetem ao comandante do restaurante Gusteau’s. Ambos são personagens de Ratatouille, filme favorito de Erick Jacquin. “Acho o crítico [Anton Ego] muito engraçado”, conta o chef francês. “Apesar de meu jeito na cozinha, não me considero bravo como o Skinner”. Aproveitando a fama do reality show MasterChef, exibido pela Band, Jacquin abrirá na próxima quarta-feira (12) uma série de palestras no restaurante Tartar&Co., em Pinheiros. Batizada de “Minha Fama de Mau”, a primeira palestra terá Jacquin ao lado do crítico Ricardo Calil, conversando sobre  “Os chefs mais bravos do cinema”, em seis filmes sobre culinária.
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Premiado duas vezes como “o chef do ano” pela revista Veja S. Paulo, Erick Jacquin descobriu a vocação para palestrante em 2013. No primeiro evento, em Minas Gerais, um público de 1.300 pessoas esperava por ele. “Fiquei feliz de ter sido tão elogiado”, diz Jacquin. “Sonhava em dar palestras, gosto de contar minha trajetória”. Junto com os sócios do Tartar&Co, o chef decidiu que, embalado pelos elogios a seu desempenho em MasterChef, era a hora certa de explorar sua imagem.  Começando pelo tema cinema e cozinha. O convidado para representar os cineastas foi o crítico de cinema e fã dos pasteis de tartar, Ricardo Calil. “Um bom filme de culinária passa um olhar apaixonado ao prato”, explica. “Faz o espectador sair do cinema com fome”.

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Erick Jacquin, famoso cozinheiro e jurado do MasterChief, ministrará palestra sobre cozinha e cinema

Para o evento, o crítico de cinema selecionou seis filmes: Ratatouille, Big Night, Como um Chef, Sem Reservas, A 100 Passos de um Sonho e Soul Kitchen. “Não escolhi pela qualidade do filme, mas pelas cenas que representam chefs bravos, excêntricos, violentos e neuróticos”, explica Calil. De acordo com o crítico, o chef Birol Unel, de Soul Kitchen, interpretado pelo ator Shayn Weiss , é o mais bravo do cinema. “Ele atira uma faca no cliente porque pede gazpacho quente, sendo que é uma sopa fria”, revela. “Até o Jacquin ficaria intimidado com ele”.

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O chef Birol Unel, de “Soul Kitchen”, é o mais bravo do cinema

O nome do evento – “Minha Fama de Mau” – está no ponto certo. Frases como “você não tem vergonha na cara de falar que isso é um risoto?” e “parece que você fez comida para as galinhas”, faladas por Erick Jacquin em MasterChef, evidenciaram a falta de paciência do francês. “Sou um cozinheiro exigente, bravo, chato, apaixonado e divertido”, descreve-se. “Eu me considero ‘mais ou menos mau’. Chefs têm obrigação de serem exigentes.” Para quem vê um Jacquin bravo na televisão, o cozinheiro Renan Brassolatti, 28 anos, que trabalhou dois meses ao lado dele, garante que ele é um “anjo” em MasterChef. “O Jacquin é um demônio e um deus ao mesmo tempo”, define. “Ele faz muita pressão psicológica, é extremamente perfeccionista, xinga os cozinheiros, mas foi quem mais me ensinou na carreira.” A autoridade de Jacquin suscitou em Renan a determinação para acabar um trabalho mesmo com a mão quebrada.
Renan deveria preparar a espuma de coco para ser colocada em doze pratos. Enquanto montava o terceiro, Jacquin  não chacoalhou corretamente o sifão e a espuma ficou presa no objeto. “Ele gritou pra mim: ‘Você é um burro, um incompetente, não tem merda nenhuma na cabeça’”, conta Brassolatti. O chef passou a tarefa para as mãos do jovem cozinheiro. Quando já estava no 11º prato, o sifão voltou a falhar. Renan, enfurecido, deu um tapa na borda do utensílio e quebrou a mão. “Estava doendo muito, mas precisava acabar, ele disse que iria me demitir”, lembra. “Quando finalizei os pratos, toda cozinha começou a bater palma”. O cozinheiro permaneceu no restaurante La Brasserie, de Erick Jacquin, entre maio e julho de 2011 e saiu para chefiar a cozinha do Santo Bentô. Hoje trabalha no Sakagura A1, localizado no bairro paulistano do Itaim Bibi.
Por enquanto, a programação completa do evento não está definida. As palestras serão realizadas até o começo de 2015, com diversos assuntos. O pacote completo, que custa 220 reais, inclui o debate, couvert, entrada, prato principal, sobremesa e vinho.  “Quero aproveitar a fama”, diz Jacquin. “Quando saio na rua, não fico dez minutos sem tirar foto com alguém.”
Serviço:
Debate “Minha Fama de Mau”, com o chef Erick Jacquin e o crítico de cinema Ricardo Calil
Data: 12/11, às 20h
Local: Tartar&Co (Av. Pedroso de Morais, 1003 – Pinheiros – São Paulo/SP)
Preço: R$220 (debate, couvert, entrada, prato principal, sobremesa e vinho)
Público: 28 vagas
Compras no site: foodpass.com.br/eventos/?evento=1037

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2 Comentários

2 Comentários

  1. marilia

    Não sou chef de cozinha, cozinho por hobbye, mas meu filme preferido também é o Ratatouille. Com ele aprendi que a culinária, mesmo que simples, deve ser apresentada como se fosse para um rei.Sempre que cozinho,tento mostrar à minha família ou aos meus convidados que eles são importantes para mim e que aquele prato foi feito especialmente para eles.

    Responder
  2. marilia

    Não sou chef de cozinha, cozinho por hobbye, mas meu filme preferido também é o Ratatouille. Com ele aprendi que a culinária, mesmo que simples, deve ser apresentada como se fosse para um rei.Sempre que cozinho,tento mostrar à minha família ou aos meus convidados que eles são importantes para mim e que aquele prato foi feito especialmente para eles.

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