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Apaixonado por ônibus lançou rádio e luta agora pelo “Dia do Busólogo”

27 de março de 2017

O radialista Carlos Henrique ficou radiante quando descobriu que um projeto de lei em tramitação na Câmara de São Paulo pretendia instituir no calendário oficial da cidade o Dia do Busólogo. “O busólogo é um apaixonado por ônibus”, resume ele. “Estuda tudo: as linhas, as carrocerias, os motoristas, cada etapa do processo de montagem, absolutamente tudo sobre o assunto”. A empolgação logo se transformou em decepção quando ele entrou em contato com o vereador Nelo Rodolfo (PMDB), autor do projeto, para entender a ideia: “Ele sequer sabia. Algum assessor dele havia sido cobrador e resolveu fazer o projeto. O vereador não sabia de nada. Aproveitei e dei uma aula sobre busologia para ele, mas nem quis mais acompanhar”, lamenta.
O projeto de lei foi apresentado em 24 de maio de 2016. Na justificativa, o vereador (pelo menos é ele quem assina o texto) aponta para a existência de 15 mil busólogos no Brasil – não há, no entanto, nenhuma associação oficial que possa dar um número exato. Carlos Henrique garante que eles são muitos: “Tem gente que é e nem sabe disso porque não conhece o termo”. A data escolhida para a comemoração, 25 de julho, é elogiada, já que é também o Dia do Motorista de Ônibus: “Sem motorista, não tem ônibus”, resume. O término da legislatura de Nelo, que não se reelegeu nas últimas eleições, arquivou o projeto, mas não diminuiu a empolgação dos busólogos com suas ocupações. A atividade cresce e começa a se expandir.

Carlos Henrique comanda a Rádio Ônibus desde março de 2014

Quando criança, Carlos Henrique sonhava em ser motorista de ônibus. “Quando eu era pequeno, existiam poucos brinquedos que imitavam ônibus e os que tinham eram muito caros. Então eu fazia com caixa de sapato mesmo. Eu achava que era o único no mundo com esse gosto porque nenhum amigo entendia meu fascínio. Eu parava tudo quando passava um ônibus. Depois comecei a estudar os chassis, as carrocerias, as linhas…”, explica o apaixonado. Longe dos volantes, acabou tomando o rumo do rádio, outra de suas paixões. Foi aí que ele conseguiu unir as duas coisas: em março de 2014 entrou no ar a Rádio Ônibus, uma webrádio com podcastings e vídeos exclusivos sobre o assunto. A ideia da rádio é dar voz a motoristas, cobradores e outros envolvidos, além de cobrir eventos que reúnem apaixonados por ônibus de todo o país.
Hoje, com 38 anos, ele fala do projeto com orgulho e festeja números classificados por ele mesmo como expressivos. Dá espaço para motoristas, fabricantes e demais busólogos. Não poupa críticas à situação atual dos veículos na cidade: “É preciso fazer um novo mapeamento porque tem gente usando três ou quatro linhas diferentes para chegar a algum lugar. Os ônibus precisam cruzar a cidade”, afirma o especialista. “Outra coisa que pouca gente fala, mas é importante: os ônibus precisam ter cores diferentes de acordo com as empresas para que o cidadão de menor instrução associe a cor à empresa e saiba como reclamar”, sugere.
Encontros anuais no Paraná envolvem um número cada vez maior de busólogos: “Muitos gostam de ônibus e nem sabem que existe tudo isso”, exemplifica. Ele mesmo conta que só soube da existência de outros loucos pelo assunto com a internet: “Foi com o Orkut que eu vi que existiam outros apaixonados como eu”, relembra. Ele afirma que os busólogos irão continuar na luta por uma data em reconhecimento a esse trabalho.

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3 Comentários

3 Comentários

  1. Marcelo Pereira

    Legal saber que o hobby que tenho desde a infância foi lembrado por este site.
    O que muitos esquecem que é existem dos nomes para entusiastas de ônibus: a palavra “Busólogo” e a palavra “Busófilo”. A diferença é que Busólogo (estudioso sobre ônibus) é mais técnico, foca mais o chassis, tem noções básicas de Física e coloca a parte operacional em segundo plano, mas sem desprezá-la.
    O busófilo (simpatizante dos ônibus) apenas gosta de ônibus e não foca muito a parte técnica, entendendo mais da parte operacional e da estética dos ônibus. Eu me considero busófilo e não busólogo. O termo “busófilo” é pouco usado, até porque a maioria dos entusiastas se interessa pela parte técnica.
    Lembrando que a quantidade de entusiastas dos ônibus é tão grande que existe uma rede social só para praticantes do hobby, o Ônibus Brasil.

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  2. Leonor

    Boa noite,
    Gostei das colocações do radialista.
    Vereadores deviam contar esse jovem, ouvi – lo para melhorar ainda mais o trafego dos ônibus, dando assim… mais rapidez e conforto aos usuários desse transporte tanto usado.
    Qto a cor concordo, até para facilitar quem tem a visão’ cansada e com pouca visibilidade. Parabéns, radialista e jornalista. Gostei muito!!!

    Responder
  3. Leonor

    Boa noite,
    Gostei das colocações do radialista.
    Vereadores deviam contar esse jovem, ouvi – lo para melhorar ainda mais o trafego dos ônibus, dando assim… mais rapidez e conforto aos usuários desse transporte tanto usado.
    Qto a cor concordo, até para facilitar quem tem a visão’ cansada e com pouca visibilidade. Parabéns, radialista e jornalista. Gostei muito!!!

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