Leilão da exposição “Castelo Rá-Tim-Bum” teve peças arrematadas por até 460 reais

2 de março de 2015

Na tarde de ontem, domingo, 1º de março,  70 das 170 poltronas laranjas do auditório do Museu da Imagem e do Som (MIS) foram tomadas por fãs de Zeca, Pedro, Biba, Nino e companhia. Eles estavam ali para tentar arrematar, ao menos, uma das 35 peças cenográficas da Exposição Castelo Rá-Tim-Bum, que ficou em cartaz de julho de 2014 a janeiro de 2015 e recebeu o público recorde de 410 mil visitantes. Nenhum item era original do programa, mas os fãs não quiseram saber.  Com lances entre 50 e 460 reais, alguns colecionadores conseguiram levar um pedaço da exposição do Castelo para suas casas.

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As 35 peças leiloadas ficaram em um pequeno corredor ao lado do auditório

A expectativa para o leilão era grande. Cartazes no salão principal do MIS informavam que as senhas para ter acesso ao auditório seriam entregues a partir das 15 horas. A primeira da fila foi a servidora pública Milena Aoki, que chegou com uma hora de antecedência. “Vim para arrematar o pinguim de geladeira para a minha irmã, que faz gastronomia”, disse. Dentro do auditório, Renan Daniel, organizador do leilão e curador da exposição do Castelo Rá-Tim-Bum, preparava-se para sua segunda experiência como leiloeiro – a primeira havia sido no ano passado, no bota-fora da exposição de Stanley Kubrick, realizado no mesmo local. “O gol do leiloeiro é quando consegue levantar o preço dos itens”, declarou ao repórter Lucas Strabko. “Pensamos os preços por duas vias: o quanto custa atualmente nas lojas e o quanto vale depois de ter sido exposto na mostra do Castelo”. Renan já tinha na ponta da língua frases para animar o leilão (“Na feira do Bexiga, é mais caro e não tem certificado de autenticidade” foi uma delas).

Milena Aoki foi a primeira da fila no Auditório do MIS

Marcado para as 16 horas, o leilão começou com 14 minutos de atraso. Em um estreito corredor de paredes brancas, ao lado do auditório, funcionários corriam para tirar de quatro caixas de papelão os 35 itens que seriam leiloados. Espalhadas em cima de duas mesas pretas, as peças eram levadas ao palco do auditório quando anunciadas por Renan Daniel. O primeiro item foi um mini baú rústico. A disputa para garantir o objeto antes colocado no quarto da Morgana foi grande – uma mostra do que aconteceria durante todo leilão. As placas 014 e 049 duelaram, lance a lance, até o administrador de empresas Juca Friech levantar o braço direito que segurava o número 014 e gritar “190 reais!” para garantir a peça.

“Leiloeiro de segunda viagem”, Renan Daniel soube animar o público e valorizar as peças

Juca não levou para casa somente o primeiro item, mas também o mais caro. Ele estava acompanhado da filha Nicole, de 22 anos, apaixonada por Celeste, a cobra cor-de-rosa que habitava o castelo. Nicole fez o papel de consultora, dando dicas para o pai de quanto gastar em cada peça. Na hora do globo terrestre cromado, que ficava na biblioteca, os olhos de Juca cresceram. Lutou bravamente com o projetista Rodrigo Roque, dono do número 010, pela peça arrematada por 460 reais, que ainda não sabe onde colocará. “Acho que vale pelo significado de ter aparecido no Castelo”, afirmou. “Não pensei só na Nicole para arrematar, tem itens bem legais aqui que escolhi pra mim”. Juca saiu no meio do leilão para não gastar mais dinheiro. Ele garantiu também o globo terrestre de plástico, que ficava no laboratório de Tíbio e Perônio. A peça mais barata foi arrematada por 50 reais: um sapo verde, de gesso, colocado no jardim da cozinha, ao lado do cenário da Caipora – essa não ficou com Juca.

Nicole com o globo terrestre: a peça mais cara do leilão custou 460 reais

Dos 35 produtos leiloados, dez foram para a casa da família Mattos, localizada no Jardim Europa, bairro nobre paulistano. Acompanhado da mulher Daniele e do filho Pedro, o empresário Beto Mattos nem sabia da existência do evento. “Viemos almoçar no Chez MIS, vimos o leilão e entramos”,  contou Daniele. “Não pretendíamos gastar nada”.  O almoço saiu mais caro do que imaginavam: por volta de 2500 reais. “Quando dou o lance, não penso no quanto já gastei”,  revelou o entusiasmado Beto, o maior arrematador do leilão, dono da placa 049. O carro dos Mattos  voltou mais pesado. Era tanta coisa que o porta-malas do Fox azul ficou pequeno demais. Alguns itens ficaram  com Pedro no banco de trás. Apesar de a maioria das pessoas ter saído de mãos vazias do MIS, a alegria estava presente ao término do animado leilão. Com sorriso estampado no rosto,  Milena Aoki estava ansiosa para presentear a irmã com o pinguim de 250 reais que conseguiu. “Assistimos ao Nino juntas em toda a nossa infância”, festejou. “Agora poderei retribuir a companhia dela com esse mimo”.

O casal Beto e Daniele: levaram quase um terço das peças pra casa

(Se for utilizar informações publicadas nesta reportagem, não esqueça dos créditos e do link deste blog. A reprodução das fotos está proibida sem autorização prévia)

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