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Projeto do “Memorial do Vigilante Rodoviário” ainda não saiu do lugar

17 de novembro de 2015

De noite ou de dia / Firme no volante / Vai pela rodovia / Bravo Vigilante”. Nos últimos 53 anos, Carlos Miranda gastou muita energia resgatando objetos relacionados à sua trajetória na TV. O sonho do eterno Vigilante Rodoviário é mostrar ao público esse grande acervo. “Não podemos chamar o lugar de museu porque eu não estou morto”, ri Miranda. “Será um memorial”. Os 1 mil itens já reunidos ficarão expostos num pavilhão da Flora Brasília, loja de plantas ornamentais e árvores, e serviços de jardinagem e paisagismo, na cidade de Cabreúva, no interior de São Paulo. A área verde de 484 m2 fica no quilômetro 79 da rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto.

Leia também: 10 curiosidades sobre Vigilante Rodoviário

Ali funcionará a sede do Centro Cultural e Turístico Carlos Miranda, nome escolhido pelo próprio Miranda. Mas nem tudo são flores. “Apesar de já termos o local, estamos esperando o apoio da Prefeitura e da Secretaria de Turismo para pagar os custos da reforma”, explica Miranda. Qual foi o motivo da escolha da Flora Brasília? Um dos atuais atrativos da loja é uma estátua do vigilante Carlos numa motocicleta. Ela está ali há um ano. “Meu pai, Miguel Castarde, fundador da Flora Brasília, em 1958, era muito amigo do Carlos”, explica Miguel Ambrosio Castarde, 60 anos, atual sócio da empresa, ao lado da irmã, Rosa. “Chegou a fazer pequenas participações em alguns episódios. Daí a nossa homenagem”

Carlos Miranda, o vigilante de 82 anos, mora em Águas da Prata, município localizado a 193 km de Cabreúva. O amigo Carlos Zupo, 56 anos, assessor de gabinete da Prefeitura de Cabreúva, sugeriu o local a Miranda. Os dois se conheceram em um encontro de colecionadores de carros e motos antigas. O vigilante causa frisson nesses eventos quando chega com o Simca Chambord 1959, também usado no seriado. “Eu e o Zupo temos o sonho de manter viva a história da TV Brasileira”, afirma Miranda.

A série “O Vigilante Rodoviário” ficou pouco tempo no ar, mas Carlos Miranda e o pastor alemão Lobo foram considerados “os primeiros heróis da televisão brasileira”

Os dois fundaram a Associação Cultural Carlos Miranda e iniciaram a procura pelo local que abrigaria o acervo. A ideia de Zupo quase deu certo. No começo do ano, os objetos ficaram expostos no hall da Secretária de Turismo de Cabreúva, mas no final de junho retornaram para a garagem da casa de Miranda, onde permanecem até hoje. “Conseguimos uma reunião com Roberto Lucena, Secretário de Turismo do Estado de São Paulo, e ficou decidido que o deputado Rodrigo Moraes (PSC) apresentaria um projeto para captarmos recursos”, pontua Zupo. “Acredito que a demora seja por causa da forte crise que atravessamos”.

Entre os itens que esperam para ser expostos estão medalhas, troféus, vídeos com entrevistas, artigos de jornais e revistas, placas, quadros, certificados e também fotos ao lado de Lobo, o pastor-alemão que fez a série ao seu lado e faleceu anos mais tarde, em 1971. Miranda guardou também o uniforme original usado nas gravações. Sua lembrança favorita é o Prêmio Roquette-Pinto, entregue aos melhores profissionais do rádio e da televisão. “Ele é cobiçado por atores, cineastas, produtores”, afirma. “Fui muito feliz por recebê-lo em 1962”.

O objeto preferido de Carlos Miranda é o Prêmio Roquette-Pinto, conquistado em 1962

“Mesmo depois de tantos anos, meu trabalho ainda é reconhecido”, comemora. “Todas as vezes que saio de uma palestra, alguém me para e diz que ainda assiste aos episódios”. Isso porque 36 dos 38 episódios são reprisados no Canal Brasil todas as segundas às 20h30 com reprises às terças, 15h30 e domingos, 11h.

Miranda iniciou sua carreira como cantor de circo aos 15 anos. Em seguida fez um curso de atuação nos grupos do Teatro Popular do SESI. Para interpretar o vigilante, ele frequentou a escola de Policiais Rodoviários, em Jundiaí (SP), e teve aulas de luta na Escola de Educação Física da antiga Força Pública. “O Vigilante Rodoviário” estreou às 20h de uma quarta-feira de março, no ano de 1961, na extinta TV Tupi. Na época que estava no ar, o Inspetor Carlos e Lobo foram considerados os “primeiros heróis da televisão brasileira” e a série alcançou 72% de audiência, sendo posteriormente compactada em longa metragem unindo quatro episódios e em seguida mais quatro. O lançamento do longa aconteceu no cine Art-Palácio em São Paulo. Foi fenômeno de bilheteria. “Nunca me esqueço de uma vez que fui almoçar com um amigo e, ao sair do restaurante, uma fã agarrou minha camisa com tanta força que a rasgou inteira”, recorda o eterno vigilante. “Todos no estúdio acharam que eu tinha me metido numa briga”.

Em 1962, com o cancelamento da série, Miranda recebeu o convite de João Franco Pontes, Comandante Geral da Força Pública, para ingressar na carreira policial. Por causa disso, entrou para o Guinness Book (O Livro dos Recordes) como o “único ator que virou o personagem”. Em 1965, ingressou na Polícia. Depois de 33 anos de carreira, ele se aposentou como tenente-coronel.  Miranda também dá palestras sobre policiamento rodoviário, mas, segundo ele, as perguntas da plateia sempre terminam direcionadas para sua carreira de ator.

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