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Piada em programa de TV criou uma das mais famosas marchinhas de Carnaval

27 de fevereiro de 2017

Em 1959, a TV Rio exibia um programa chamado “Rio, Te Adoro”, escrito por Aloysio Silva Araújo, Manoel de Nóbrega, Carlos Alberto de Nóbrega e Glauco Ferreira. Moacyr Franco tinha 23 anos e era ainda um aspirante a artista. Fazia algumas pontas e um ou outro número musical. Esta história foi contada por Magalhães Júnior no programa “Você é Curioso?” do último sábado.

Certo programa, Moacyr foi escalado para participar de um quadro de um quadro humorístico. Tinha uma única fala. O ator Iran Lima interpretava um marido que, numa conversa com a mulher, reclamava de a cidade estar infestada de mendigos pedindo esmola na rua. A mulher dizia que era um exagero. Quando Iran abrisse a porta do armário, iria se deparar como um mendigo, papel que caberia a Moacyr. Ao deixar o armário, Moacyr deveria dizer: “Moço, me dá um dinheirinho!”. Essa era a piada.

Antes da gravação da cena, o comediante Canarinho, mais tarimbado, decidiu dar um conselho ao novato. Canarinho disse a Moacyr que ele não deveria ficar restrito ao texto. Deveria dizer algo mais incisivo. “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí!” foi a sugestão. E não deveria fazer voz de coitadinho, mas uma voz marcante, bem forte. E que também deveria ir para cima de Iran, dizendo: “Não vai dar, não? Você vai ver que grande confusão que vou fazer”. Moacyr seguiu à risca os conselhos de Canarinho. E a cena funcionou muito bem. A plateia se desmanchou em risadas.

 

22 programas humorísticos de antigamente | VEJA SÃO PAULO

O Mendigo, personagem de Moacyr Franco, tinha uma única fala e acabou criando a marcha mais tocada no Carnaval de 1960

A ideia deu tão certo que, nos programas seguintes, os redatores escalaram o mendigo para aparecer nos lugares mais inusitados, sempre atrás do personagem de Iran. A plateia passou a aguardar, ansiosamente, a entrada surpresa do mendigo. Ele chegou a sair de dentro de uma geladeira, de um carrinho de sorvete, do teto da sala. O bordão pegou: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí”.

Pouco tempo depois, Glauco Ferreira, redator do quadro, e os irmãos dele, Homero e Ivan, apresentaram a Moacyr uma marchinha com as frases ditas pelo personagem. Trouxeram também a gravadora Copacabana, interessada na música. Apesar de ter gostado da música, Moacyr achou mais prudente conversar com Canarinho antes de fechar o negócio. Canarinho disse apenas: “Vai lá e grava, meu filho! Grava que vai ser um sucesso”.

Moacyr gravou um disco em 78 rotações ainda em 1959. De um lado, “Me da um dinheiro aí”, dos irmãos Ferreira; do outro, “Compromisso do Palhaço”, de Sálvio Curval. A marchinha fez sua estreita no programa “Rio, Te Adoro” e acabou se transformando logo na mais tocada do Carnaval de 1960.

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1 Comentários

1 Comentário

  1. Fernando C. Silva Araújo Jr

    Meu pai, que é filho do Aloysio Silva Araújo, diz que os Nóbrega não faziam parte da equipe.

    Responder

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