Há muitas lendas a respeito do surgimento do café, mas talvez a mais significativa seja sobre um árabe do século IX chamado Kaldi. Conta-se que ele, ao notar a felicidade de seus bodes depois de comerem frutinhas vermelhas de um arbusto, pegou um punhado delas e começou a dizer maravilhas sobre o café para sua tribo.
Durante os 400 anos seguintes, os grãos de café passaram a ser consumidos (eram mastigados) por causa de seu efeito estimulante. Os árabes, no século XIII, foram os primeiros a processar o fruto amadurecido e torrado e dele tirar a bebida como conhecemos hoje. Cerca de 100 anos depois, pés de café nativos ainda verdes começaram a ser cultivados no sul da Arábia.
Os muçulmanos da região rapidamente desenvolveram o gosto pelo café, usando os efeitos energéticos da bebida para poder prolongar ritos religiosos. Uma dúvida surgiu quando um padre ortodoxo proclamou que o café era tóxico, proibindo-o. Porém, até mesmo a ameaça de severas punições não inibiu o consumo dos árabes, e o costume logo se espalhou pelos países vizinhos.
A chegada do café à Europa, no século XVI, causou uma reação semelhante na sociedade. Os países, um após o outro, passaram a apreciar a bebida. Os cafés de Londres (Inglaterra), criados por volta de 1650, construíram prósperos impérios de exportação e se tornaram um baluarte político, social e - pasmem! - literário.
O hábito de consumir a bebida chegou às colônias americanas em 1689, mais precisamente em Nova York, Boston e Filadélfia. Nessa época, as plantações tinham se expandido para as Américas Central e do Sul, cujos climas tropicais eram ideais para o cultivo.
As propriedades estimulantes do café, que afetam o sistema nervoso central, vêm da cafeína do grão maduro. Essa substância está presente em porcentagens de 0,8% a 1,5% na espécie arabica e 1,6% a 2,5% na espécie robusta, cultivada na América do Sul.
Em 23 de junho de 2004, cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp) descobriram um tipo de café naturalmente descafeinado. É uma variação do Coffea arabica, originário da Nigéria, e tem apenas 0,06% de cafeína. O genoma do café foi mapeado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mapeamento do genoma do café em 2004. Os pesquisadores conseguiram registrar 200 mil sequências do DNA da planta. O Brasil foi o 1º país a realizar a façanha.
Café alucinógeno? Uma pesquisa feita por psicólogos ingleses sugeriu que o consumo de mais de 7 xícaras de café expresso por dia pode aumentar em até 3 vezes a probabilidade de alguém ouvir vozes, ver coisas que não existem ou "sentir a presença" de pessoas que já morreram. Isso acontece porque o café aumenta a produção do hormônio cortisol, liberado para aliviar os efeitos do stress no organismo, intensificados pela cafeína. Os pesquisadores acreditam que o aumento do cortisol pode causar alucinações visuais e auditivas.
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