A Lei Seca durou 13 anos, 11 meses e 24 dias.
Os efeitos da experiência foram desastrosos. A fabricação clandestina, sem nenhuma fiscalização, depreciou a qualidade da bebida e, em casos extremos, aleijou e matou milhares de pessoas que ingeriram de óleo de cozinha a água de colônia, de fluido de isqueiro a sucos e xaropes rusticamente fermentados. A distribuição ilegal fez proliferarem os gângsters e a corrupção policial.
Um emaranhado de leis cercou a decretação da Lei Seca. Já no século anterior, vários estados americanos proibiam a bebida: o Maine em 1829, Indiana em 1832, a Georgia em 1833. No começo do século XX, ligas anti-alcoólicas faziam campanhas ferozes para o fechamento dos bares. Ironicamente, foi um amigo íntimo da bebida, o escritor e aventureiro Jack London, quem forneceu munição para os movimentos de abstinência. Em 1906, ele publicou o romance John Barleycorn or alcoholic memoirs, um dramático relato sobre a dependência alcoólica, que se tornou uma verdadeira obra-de-arte. O livro virou filme e arma de propaganda contra a bebida.
London, que apreciava os prazeres do copo, morreu três anos antes da Lei Seca. Em 16 de janeiro de 1919 era ratificada a 18ª Emenda, que entraria em vigor dentro de um ano, com a seguinte provisão: "Nenhuma pessoa poderá, na data ou depois da data em que entrar em vigor a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, fabricar, vender, trocar, transportar, importar, exportar, distribuir, entregar ou possuir qualquer bebida intoxicante, exceto aquelas autorizadas por este ato."
A proibição começou às 00h01min de 17 de janeiro de 1920. À meia-noite de 7 de abril de 1933, a cerveja e o vinho retornaram à legalidade. E no dia 5 de dezembro de 1933, os bares dos Estados Unidos voltaram a funcionar a pleno vapor. |