Viver esse clima de Copa do Mundo é uma experiência maravilhosa. Esta é a minha terceira Copa (cobri também os mundiais de 1998 e 2006). Todos os jogos que estão sendo disputados aqui entrarão para a história. Até o pior deles… Já fui a seis jogos. Mas o melhor de tudo isso é poder entrevistar ou conversar com alguns dos melhores jogadores do mundo da atualidade. Participei, por exemplo, da coletiva de Cristiano Ronaldo e entrevistei  E’to depois de Camarões x Japão.
Encontrar ex-jogadores também é um momento especial. Estava na coletiva que Zidane deu logo depois que explodiu a crise na Seleção da França. Vim para a África do Sul no mesmo voo de Pelé e do uruguaio Gigghia. Na primeira semana, num restaurante da Mandela Square, vi Roger Milla almoçando na mesa ao meu lado. Jogadores como o colombiano Valderrama e o americano Lalas estão trabalhando de comentaristas e estão sempre pelo Centro de Imprensa.
Hoje de manhã tive a oportunidade de conversar com dois artilheiros de Copa do Mundo. Eusébio, da Seleção Portuguesa, autor de 9 gols na Copa de 1966, e Gerd Muller, artilheiro da Copa de 1970, com 10. Eles ficaram atendendo jornalistas no escritório da Adidas em Johanesburgo. Antes da entrevista coletiva, alguns meios de comunicação tiveram direito a entrevistas exclusivas com os dois. Apenas 5 minutos com cada um. Falante e feliz de conversar em “brasileiro”, Eusébio da Silva Ferreira estendeu esse tempo por quase 10 minutos. Ele nasceu em Moçambique e está com 67 anos. Foi o maior jogador da história do futebol português, que terminou a Copa de 1966 em terceiro lugar. Eusébio jogou no Benfica por 15 anos e foi homenageado com uma estátua na porta do estádio. Dos 733 gols marcados na carreira, 64 foram com a “camisola” lusitana.  Durante a entrevista, Eusébio criticou bastante o nível das arbitragens nesta Copa.

O alemão Gerd Müller foi bem lacônico em suas repostas. Ele respondeu tudo em alemão (embora tenha jogado nos Estados Unidos) e pediu a ajuda de uma intérprete. Müller gosta mais do futebol da Argentina do que do Brasil nesta Copa. Nos tempos de jogador, ele marcou 10 gols na Copa de 1970. Marcaria ainda outros quatro na Copa de 1974 e permaneceu por 32 anos como o maior artilheiro de todas as Copas. Só foi superado em 2006, pelo brasileiro Ronaldo, que marcou seu 15º gol em mundiais. Este ano, o alemão Klose está perto de alcançar a marca de Muller. Ele somou 12 gols até agora. Müller acredita que Klose poderá alcançá-lo, mas não superá-lo.